Crítica de Nosso Sonho: Vale a pena assistir o filme?

Nosso Sonho (2023), dirigido por Eduardo Albergaria, é uma cinebiografia vibrante sobre a dupla Claudinho e Buchecha, ícones do funk melody brasileiro. Estrelado por Lucas Penteado e Juan Paiva, o filme narra a trajetória dos amigos de São Gonçalo, desde a infância até o estrelato, culminando na trágica morte de Claudinho em 2002. Com uma mistura de drama, comédia e musical, a produção conquistou o público, atraindo 520 mil espectadores e se tornando a maior bilheteria nacional de 2023. Mas será que vale a pena assistir? Nesta crítica, analisamos a trama, o elenco, a direção e os pontos altos e baixos do filme.
Uma história de amizade e superação
Nosso Sonho é narrado pelo ponto de vista de Buchecha (Juan Paiva), destacando sua amizade com Claudinho (Lucas Penteado). A trama começa na infância, mostrando os desafios da vida na favela, e avança para a adolescência, quando os dois se reencontram no Morro do Salgueiro. A música se torna o caminho para superar a pobreza, com hits como “Nosso Sonho” e “Conquista” impulsionando a dupla ao sucesso. O filme também explora o conflito de Buchecha com seu pai alcoólatra, Souza (Nando Cunha), e o papel de Claudinho como um “anjo da guarda”.
A narrativa foca na emoção da amizade, evitando clichês de cinebiografias musicais, como vícios ou excessos. No entanto, o tom místico atribuído a Claudinho, que parece prever sua morte, pode soar forçado. Apesar disso, a história cativa pela autenticidade e pela celebração do funk como expressão cultural.
Elenco carismático e atuações marcantes
Lucas Penteado brilha como Claudinho, capturando seu carisma e sotaque característico sem cair na caricatura. Juan Paiva entrega um Buchecha introspectivo, equilibrando vulnerabilidade e determinação. A química entre os dois é o coração do filme, refletindo a irmandade real da dupla. Nando Cunha impressiona como o pai problemático de Buchecha, enquanto Tatiana Tibúrcio e Lellê, como a mãe Etelma e a namorada Rosana, adicionam calor humano, embora subaproveitadas.
O elenco infantil, com Vinicius “Boca de 09” e Gustavo Coelho, também encanta, especialmente na cena inicial que estabelece a amizade dos protagonistas. Apesar disso, críticas apontam que a falta de nuances em alguns personagens, especialmente Claudinho, reduz sua complexidade, tornando-o uma figura quase mítica.
Direção sensível, mas com ritmo irregular
Eduardo Albergaria, também co-roteirista, imprime leveza à direção, equilibrando drama e humor sem cair no melodramático. A fotografia captura a energia dos bailes funk e a simplicidade da favela, enquanto a trilha sonora, com clássicos como “Fico Assim Sem Você” e “Rap do Salgueiro”, evoca nostalgia. A montagem de Felipe Bibian mantém um ritmo envolvente nas cenas musicais, mas o filme sofre com elipses e momentos anticlimáticos.
A escolha de focar na perspectiva de Buchecha dá intimidade, mas sacrifica detalhes da vida de Claudinho, como sua família. O realismo mágico, com Claudinho como um guia espiritual, adiciona emoção, mas pode alienar quem busca uma abordagem mais realista. A produção da Urca Filmes, com apoio da Globo Filmes, garante qualidade técnica, mas o ritmo irregular impede a perfeição.
O impacto cultural do funk melody
Nosso Sonho celebra o funk melody como um marco cultural, destacando sua origem nas comunidades cariocas. O filme mostra como Claudinho e Buchecha romperam barreiras, levando o gênero às rádios e à classe média, com letras românticas e ritmos dançantes. A inclusão de músicas como “Eu Só Quero Ser Feliz” (de Cidinho e Doca) reforça a conexão com a cultura da favela.
O longa também toca em questões sociais, como desigualdade e violência doméstica, mas evita a violência explícita dos anos 90, optando por um tom esperançoso. Críticas destacam que a relação entre dois homens negros da periferia é um ponto forte, embora o filme não aprofunde o contexto social.
Pontos fortes e limitações
Os pontos altos de Nosso Sonho incluem as atuações de Penteado e Paiva, a trilha sonora nostálgica e a mensagem de superação. O filme acerta ao humanizar os protagonistas, evitando a idealização de ídolos, como elogiado pelo IMDb. A direção de Albergaria e a produção caprichada criam momentos emocionantes, como a cena do orelhão com a gravadora.
Por outro lado, o roteiro, escrito por Albergaria, Daniel Dias, Mauricio Lissovsky e Fernando Velasco, é criticado por sua estrutura episódica e por simplificar Claudinho como um “anjo”. A relação com o pai de Buchecha, embora complexa, é mal resolvida. Algumas coincidências narrativas, como o reencontro casual dos amigos, parecem forçadas.
Vale a pena assistir a Nosso Sonho?
Nosso Sonho é uma cinebiografia emocionante que celebra a amizade e o legado de Claudinho e Buchecha. Com atuações cativantes e uma trilha sonora que desperta nostalgia, o filme é perfeito para fãs do funk melody e para quem busca uma história de superação. Sua bilheteria de R$ 8,8 milhões e aclamação em sites confirmam seu impacto. No entanto, o ritmo irregular e a falta de profundidade em alguns personagens podem frustrar quem espera uma narrativa mais coesa.
Comparado a outras cinebiografias, como Cazuza ou Tim Maia, Nosso Sonho se destaca pela leveza, mas não alcança a mesma consistência. É ideal para uma sessão nostálgica, cantando hits dos anos 90, mas não é uma obra-prima. Se você ama funk ou histórias de amizade, vale a pena assistir.
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