Lançado nos cinemas em 26 de junho de 2025, M3GAN 2.0 tenta repetir a fórmula que transformou o primeiro filme em um fenômeno pop inesperado. Com direção e roteiro de Gerard Johnstone, o longa retorna ao universo da boneca assassina que mistura terror, suspense e comentários sobre tecnologia. Agora disponível no Amazon Prime Video, além de opções de aluguel digital, o filme chega ao streaming cercado de expectativa — e também de desconfiança.
A pergunta central é simples: M3GAN 2.0 consegue justificar sua existência ou se limita a explorar o sucesso do original? A resposta passa por avanços técnicos, mudanças de tom e, principalmente, por escolhas narrativas que nem sempre funcionam.
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Uma continuação mais ambiciosa, mas menos afiada
Diferente do primeiro filme, que apostava no impacto do inusitado, M3GAN 2.0 tenta expandir seu universo. A trama assume desde o início que a tecnologia por trás da boneca não morreu. Pelo contrário, ela evoluiu. O roteiro explora novas aplicações de inteligência artificial, agora em escala corporativa, ampliando o debate sobre automação, vigilância e controle.
O problema é que essa ambição cobra um preço. O filme perde parte da simplicidade que tornava o original eficiente. Há mais explicações, mais subtramas e mais personagens, mas menos tensão constante. Em vez de construir o medo de forma gradual, o longa aposta em diálogos expositivos e conflitos previsíveis.
M3GAN segue sendo o maior trunfo do filme
Mesmo com falhas estruturais, M3GAN continua hipnotizante. A combinação da performance corporal de Amie Donald com a dublagem de Jenna Davis mantém a boneca como uma figura perturbadora. Seu olhar fixo, os movimentos calculados e a voz artificialmente doce seguem causando desconforto.
A versão 2.0 da personagem é mais consciente de seu papel. Ela não apenas reage, mas planeja, manipula e provoca. Essa evolução reforça o caráter simbólico da personagem como um reflexo dos medos contemporâneos em relação à tecnologia que “aprende demais”.
Ainda assim, o filme parece receoso em levá-la a territórios realmente novos. Em vários momentos, M3GAN repete comportamentos que já vimos antes, o que enfraquece o impacto de suas aparições.
Uma protagonista feminina que poderia ser melhor explorada
Allison Williams retorna como Gemma, agora mais madura e consciente das consequências de suas criações. O roteiro tenta transformá-la em uma figura de redenção, alguém que precisa lidar com a culpa e com as decisões éticas do passado.
Sob a ótica do Séries Por Elas, há uma oportunidade clara de aprofundar essa jornada feminina. Gemma representa mulheres em posições de poder tecnológico, um espaço ainda pouco explorado no cinema de gênero. No entanto, o filme prefere tratá-la como uma engrenagem da trama, e não como o centro emocional da história.
Falta conflito interno mais denso. Falta risco. Falta permitir que a personagem erre de forma mais contundente.
Menos terror, mais espetáculo
Outro ponto que divide opiniões é o tom. M3GAN 2.0 é menos terror e mais thriller tecnológico, flertando com a ação em alguns momentos. As cenas de violência são mais calculadas e menos chocantes. O suspense existe, mas raramente surpreende.
Isso não significa que o filme seja inofensivo. Ele funciona como entretenimento e mantém um ritmo aceitável ao longo de suas duas horas. Porém, quem espera o mesmo impacto do primeiro filme pode sair frustrado.
A sensação é de que o longa foi domesticado para alcançar um público mais amplo, sacrificando parte de sua ousadia.
Crítica social presente, mas diluída
O discurso sobre os riscos da inteligência artificial continua sendo um dos pilares da narrativa. O filme questiona até que ponto delegar decisões a algoritmos é seguro. Também aborda a relação de dependência emocional entre humanos e máquinas.
No entanto, essas ideias são apresentadas de forma superficial. O roteiro aponta problemas, mas evita aprofundá-los. Tudo é resolvido com soluções rápidas, o que enfraquece a crítica social que poderia diferenciar a continuação.
Ainda assim, há méritos. M3GAN 2.0 entende o espírito do seu tempo e dialoga com debates atuais, mesmo que não os explore com a profundidade necessária.
Vale a pena assistir?
- Nota: 3,5 / 5
M3GAN 2.0 não é um filme ruim, mas tampouco é memorável. Ele entrega o que promete em termos de entretenimento, mantém sua personagem icônica em evidência e atualiza o discurso tecnológico. Em contrapartida, perde força no terror, se apoia em fórmulas conhecidas e evita riscos narrativos.
Para quem gostou do primeiro filme, a continuação funciona como um complemento. Para quem busca algo realmente inovador dentro do gênero, pode soar repetitivo.
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