June e John, lançado em 2025 e dirigido por Luc Besson, marca um retorno inusitado do cineasta francês ao cinema independente. Filmado secretamente durante o lockdown de 2020 com um smartphone, o longa mistura romance, comédia e toques de thriller em uma narrativa sobre transformação pessoal. Com Luke Stanton Eddy e Matilda Price no centro da ação, o filme evoca os primórdios estilizados de Besson, como Subway e O Profissional. Mas será que essa experimentação low-budget resgata sua carreira ou reforça suas fraquezas recentes? Nesta crítica, dissecamos a trama, o elenco e a produção para ajudar você a decidir se vale a pena assistir.
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Uma trama de redescoberta caótica
John (Luke Stanton Eddy) é um homem comum preso em uma rotina sufocante de escritório e solidão em Los Angeles. Sua vida muda ao encontrar June (Matilda Price), uma mulher vibrante e imprevisível que cruza seu caminho no metrô. O que começa como uma atração instantânea evolui para uma jornada impulsiva, cheia de paixão, riscos e fugas da lei. Eles roubam bancos, fogem de helicópteros e questionam o sentido da existência, em uma corrida contra o tempo que injeta cor e magia em suas vidas.
A premissa promete uma história de amor para os tempos modernos, inspirada em dilemas como “viver ou apenas existir”. Besson, roteirista e diretor, busca capturar a essência de uma “manic pixie dream girl” que salva o protagonista da mediocridade. No entanto, a narrativa tropeça em sua própria impulsividade. O que poderia ser uma reflexão poética sobre autodescoberta vira um amontoado de cenas desconexas, com reviravoltas que priorizam o choque sobre a coerência. O final, embora otimista, soa forçado, deixando o espectador com uma sensação de viagem incompleta.
Elenco jovem com potencial desperdiçado
Luke Stanton Eddy interpreta John com uma vulnerabilidade crível, transmitindo o cansaço de uma vida sem propósito através de olhares e pausas sutis. Sua transição de homem comum para cúmplice em crimes é o arco mais interessante, embora limitada pelo roteiro. Matilda Price, como June, traz energia caótica e sedutora, evocando as heroínas excêntricas de Besson, como em O Quinto Elemento. Sua performance é o coração do filme, com momentos de humor e intensidade que salvam cenas enfadonhas.
Ryan Shoos, como Steven, amigo de John, adiciona leveza cômica, mas seu papel é subutilizado. O elenco secundário, incluindo figuras como um sem-teto em Las Vegas (Don Scribner), surge como alívio breve, sem profundidade. Os atores, em sua maioria novatos, mostram talento cru, mas o material fraco os abandona. Críticas apontam que Besson os deixa à deriva, forçando diálogos artificiais que soam como “poesia ruim”. Ainda assim, a química entre Eddy e Price sustenta o romance, tornando o filme assistível para quem tolera improvisos.
Direção experimental que divide opiniões
Luc Besson filma June e John inteiramente com um iPhone, uma escolha ousada que reflete o espírito pandêmico do projeto. A produção, da EuropaCorp em associação com Kinology, é minimalista: apenas dois atores principais, um diretor e locações em Los Angeles sob o sol californiano. Essa abordagem low-budget evoca os primórdios de Besson, com toques estilizados de Angel-A ou Nikita, mas atualizados para uma era de smartphones.
A direção captura espontaneidade, com takes longos e iluminação natural que dão um ar amador charmoso. Cenas de perseguição de helicóptero e roubos de banco, apesar do orçamento apertado, pulsam com energia bessoniana. No entanto, o visual “airbrushed” e CGI tosco, como notado em trailers, faz o filme parecer uma animação de Sims em alguns momentos. O tom oscila entre comédia romântica e thriller, criando um whiplash que confunde. Besson parece buscar redenção após escândalos e flops como Valerian, mas o resultado é mais um passo irregular do que uma renascença.
Produção low-budget: inovação ou limitação?
Filmado em segredo durante o lockdown, June e John é um testamento à resiliência criativa. Besson descreve o processo como “puro prazer”, com liberdade total longe dos estúdios avessos a riscos. A trilha sonora, incluindo faixas como “Stand in the Sun with Me” de Alexiane, adiciona um tom uplifting, contrastando com a loucura da trama. Locais como motéis decadentes e ruas de LA reforçam o tema de fuga da rotina.
Porém, as limitações técnicas pesam. O áudio ecoa em diálogos, e transições abruptas quebram o fluxo. Comparado a Dogman (2023), outro projeto modesto de Besson, este parece mais experimental, mas menos polido. Críticos franceses, em sua estreia no Grand Rex, elogiaram o frescor, mas internacionais o veem como “amador demais”. É um filme que celebra o “fazer cinema com o que se tem”, mas para alguns, isso é sinônimo de preguiça criativa.
Comparação com a filmografia de Besson
June e John ecoa os trabalhos iniciais de Besson, como Subway (1985), com sua mistura de romance underground e perseguições alucinadas. A influência de Angel-A (2005) é clara: uma mulher misteriosa salva um homem de si mesmo, com toques sobrenaturais implícitos. Diferente dos blockbusters como Lucy ou Taken, aqui não há estrelas globais ou orçamentos milionários – é cru, como O Profissional.
No entanto, contrasta com seus flops recentes. Após Valerian (2017), um desastre de US$ 180 milhões, Besson busca reabilitação com projetos menores. June e John é mais acessível que Dogman, mas menos impactante que Nikita. Fãs hardcore verão ecos de sua era dourada, mas novatos podem achar datado. Em 2025, com Besson preparando Drácula: Uma História de Amor, este filme parece um interlúdio excêntrico, não um retorno triunfal.
Pontos fortes e fracos evidentes
Os pontos fortes residem na energia romântica e na mensagem sobre viver intensamente. A jornada de John, questionando se “fazemos tudo o que a vida oferece”, ressoa em tempos pós-pandemia. Momentos engraçados, como abraços em árvores ou fugas impulsivas, trazem leveza, e a performance de Price injeta carisma. O low-budget força criatividade, resultando em cenas autênticas que grandes produções invejam.
Os fracos dominam: roteiro fraco com diálogos forçados, ritmo irregular e um visual que grita “feito em casa”. Reviravoltas, como a identidade de June, soam previsíveis. O filme tenta ser fofo e profundo, mas cai em clichês de “mulher louca que salva o tédio”. Para um thriller romântico, falta tensão real, e o humor nem sempre acerta.
Vale a pena assistir June e John?
June e John divide: para fãs de Besson, é uma curiosidade charmosa, um vislumbre de sua veia experimental. Se você ama romances impulsivos como Antes do Amanhecer ou thrillers leves como True Romance, pode se divertir com sua vibe caótica. O trailer viralizou por sua ousadia, e o filme entrega uma viagem rápida, ideal para uma sessão descompromissada no Prime Video.
No entanto, se busca polimento ou originalidade, evite. Críticos como os do Rotten Tomatoes o chamam de “poesia ruim”, e o IMDb reflete uma recepção mista (nota 5.1). É curto (cerca de 90 minutos), então o risco é baixo, mas não espere um clássico. Assista se curte histórias de amor que desafiam a rotina – ou pule para revisitar O Quinto Elemento.
June e John é um experimento audacioso de Luc Besson, capturando o espírito pandêmico em uma romance low-budget filmado com celular. Com atuações frescas de Eddy e Price, e toques de sua assinatura estilizada, o filme encanta em momentos de pura impulsividade. Porém, roteiro fraco, produção amadora e tom inconsistente o tornam irregular. Em 2025, serve como ponte para projetos maiores de Besson, mas não redefine sua legado. Vale para quem busca leveza caótica; para o resto, é só uma nota de rodapé em sua carreira eclética.
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