Crítica de Vida: Vale A Pena Assistir o Filme?

Vida (2017), dirigido por Daniel Espinosa, é um thriller de ficção científica que evoca memórias de clássicos como Alien. Com Jake Gyllenhaal, Ryan Reynolds e Rebecca Ferguson no elenco, o filme segue uma equipe na Estação Espacial Internacional (ISS) que descobre uma forma de vida alienígena. Lançado há oito anos, ele ganha nova vida em plataformas como Amazon Prime Video e HBO Max. Mas em 2025, com o gênero saturado por Duna e Ad Astra, ainda impacta? Nesta análise, destrinchamos acertos e falhas para decidir se vale o play.

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Premissa Intrigante no Espaço Confinado

A trama começa com expectativa global. A tripulação da ISS captura uma sonda de Marte com amostras. O biólogo Hugh Derry (Ariyon Bakare) revive uma célula misteriosa, batizada de Calvin. Inicialmente inofensiva, a criatura cresce e revela instintos predatórios. Isolados no vácuo, os astronautas lutam pela sobrevivência enquanto tentam alertar a Terra.

O roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick, de Deadpool, promete tensão claustrofóbica. O confinamento da ISS amplifica o pavor, com corredores apertados e zero gravidade. No entanto, a narrativa segue fórmulas previsíveis. Calvin evolui rápido demais, de ameba a monstro, sem lógica científica convincente. Reviravoltas finais, como sacrifícios heróicos, ecoam tropos gastos, frustrando quem busca inovação.

Elenco Estelar com Momentos Desiguais

Jake Gyllenhaal brilha como David Jordan, o engenheiro solitário que sonha com Marte. Sua vulnerabilidade contrasta com a frieza do espaço, evocando o isolamento de Gravity. Ryan Reynolds, como Rory Adams, injeta humor sarcástico, aliviando a tensão inicial. Sua morte precoce choca, mas reforça o tom impiedoso.

Rebecca Ferguson, como Miranda North, é a âncora racional, uma oficial de quarentena obcecada por protocolos. Sua intensidade lembra Missão: Impossível. Ariyon Bakare e Hiroyuki Sanada completam o time, com falas econômicas que priorizam ação. O elenco global adiciona credibilidade, mas diálogos superficiais limitam o desenvolvimento. Personagens morrem sem arco profundo, tornando o luto superficial.

Direção Eficaz, mas Visualmente Limitada

Daniel Espinosa, de Segurança de Estado, domina o suspense visual. Cenas em gravidade zero, filmadas com cabos e CGI, criam vertigem real. A criatura Calvin, projetada pela Weta Workshop, é aterrorizante: translúcida, com tentáculos que sugam oxigênio. A trilha de Jon Ekstrand intensifica o pulso acelerado.

Porém, o orçamento de US$ 58 milhões restringe a ambição. A ISS parece um labirinto confuso, como criticado por Roger Ebert, com geografia ilógica que quebra a imersão. Cortes rápidos mascaram falhas no design, e o terceiro ato acelera para um clímax genérico. Espinosa acerta no terror corporal – Calvin invade corpos como um parasita vivo –, mas falha em elevar o sci-fi além do horror básico.

Pontos Fortes e Limitações Evidentes

Os acertos estão na execução técnica. Efeitos práticos para Calvin evitam o uncanny valley, e o som – rangidos metálicos, respirações ofegantes – imerge o espectador. O tema da vida como ameaça, inspirado em O Andróide, provoca reflexões breves sobre exploração espacial. Em tempos de missões Artemis, o filme alerta para riscos reais.

Limitações dominam. O roteiro ignora ciência: como Calvin sobrevive no vácuo? Mulheres fortes, como Ferguson, ainda servem de isca para monstros, ecoando sexismo do gênero. O final pessimista choca, mas parece copiado de Alien 3, sem frescor. Com 67% no Rotten Tomatoes, críticos elogiam o elenco, mas detonam a originalidade.

Vale a Pena Assistir Vida?

Vida diverte em uma noite chuvosa, com 104 minutos ágeis. Disponível em Amazon Prime e HBO Max, ou aluguel na Apple TV e YouTube, é acessível. Para iniciantes em sci-fi horror, introduz tensão espacial sem gore excessivo. Fãs de Reynolds apreciam seu carisma breve; Gyllenhaal entrega drama contido.

Evite se busca profundidade – opte por Ex Machina. Em 2025, com IA gerando roteiros, o filme destaca falhas humanas na narrativa. Uma visão única: assista dublando mentalmente diálogos em português para rir das traduções. Nota 6/10: bom para maratonas temáticas, mas não essencial.

Vida pulsa com urgência cósmica, mas tropeça em clichês. Espinosa cria pavor confinado, elevado por Gyllenhaal e Ferguson, mas o roteiro genérico dilui o impacto. Em um ano de Alien: Romulus, ele serve como prelúdio leve. Se ama monstros espaciais, aperte o play. Caso prefira inovação, explore além. Uma vida alienígena que entreteve, mas não revolucionou.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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