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Crítica de Until Dawn: Vale a pena assistir ao filme?

O cinema de terror vive um momento de altos e baixos, com produções que oscilam entre a originalidade e o clichê. Until Dawn, adaptação do jogo homônimo de 2015, chega às telas com a promessa de entregar sustos e uma narrativa envolvente, mas acaba se perdendo em fórmulas previsíveis. Dirigido por David F. Sandberg, conhecido por trabalhos competentes como Lights Out e Annabelle: Creation, o filme aposta em uma premissa de looping temporal para atrair o público. Mas será que vale a pena assistir? Nesta crítica, exploramos os pontos altos e baixos do longa, sem spoilers, para ajudar você a decidir.

Uma premissa promissora, mas pouco explorada

Until Dawn é baseado em um jogo que se destaca por sua interatividade, permitindo que o jogador influencie a narrativa. No cinema, essa característica se perde, e o filme tenta compensar com uma trama centrada em um grupo de jovens presos em um ciclo temporal. Após a misteriosa morte de sua amiga Melanie, Clover (interpretada por Ella Rubin) lidera o grupo em busca de respostas em um vale remoto. Lá, são perseguidos por um assassino mascarado, morrendo e voltando ao início do ciclo repetidamente.

A ideia do looping temporal não é nova. Filmes como Happy Death Day, Triangle e The Final Girls já exploraram o conceito com mais criatividade. Em Until Dawn, as mortes, embora violentas, carecem de inventividade. A maioria envolve golpes previsíveis, com pouca variação, exceto por um momento de combustão espontânea que quebra a monotonia. A falta de originalidade pesa, especialmente quando o próprio roteiro reconhece sua semelhança com outros filmes, mas sem oferecer uma reviravolta que justifique a repetição.

Elenco jovem e carismático, mas com personagens rasos

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Imagem: HBO

Um dos pontos fortes do filme é seu elenco. Atores como Ella Rubin (Anora), Odessa A’zion (Hellraiser) e Michael Cimino (Love Victor) entregam atuações sólidas, trazendo carisma a personagens que, infelizmente, são mal desenvolvidos. Clover, movida pela culpa de uma discussão com a irmã, é o coração emocional da história, mas os demais personagens seguem arquétipos típicos do gênero: o amigo leal, o cômico, a rebelde. A falta de profundidade limita a conexão do público com suas jornadas.

Peter Stormare, reprisando um papel inspirado no jogo, é um destaque. Suas falas sobre trauma e wendigos, embora confusas, são entregues com energia, roubando a cena. A química do grupo, somada à direção eficiente de Sandberg, mantém o filme assistível, mesmo quando o roteiro falha em surpreender.

Direção competente em um roteiro previsível

David F. Sandberg prova mais uma vez sua habilidade em criar um terror visualmente polido. A ambientação do vale e do centro de visitantes onde a trama se desenrola é eficaz, com uma atmosfera sombria que remete a clássicos como The Cabin in the Woods. No entanto, o filme não escapa de clichês do gênero, como personagens que se separam para investigar barulhos estranhos. A comparação com o filme de Joss Whedon, aliás, é inevitável, mas Until Dawn não alcança o mesmo nível de sátira ou inovação.

O roteiro, escrito por Blair Butler e Gary Dauberman, é o maior ponto fraco. A narrativa avança de forma desleixada, com pistas óbvias que parecem implorar para serem exploradas, como em um videogame. A falta de um elemento interativo, que era o charme do jogo, deixa a sensação de que algo está faltando. Mesmo assim, a edição ágil e a trilha sonora mantêm o ritmo, tornando o filme uma opção leve para fãs de terror menos exigentes.

Comparação com o jogo e o gênero terror

O jogo Until Dawn tem a fama de ser um “filme interativo” de 10 horas. A adaptação para o cinema, porém, não consegue replicar essa imersão. A ausência de escolhas narrativas, que poderiam ter sido exploradas em um formato inovador (como Bandersnatch), deixa o filme preso a uma estrutura linear. Ainda assim, há um charme nostálgico nas investigações do grupo, que lembram os mistérios de Scooby-Doo.

No contexto do terror em 2025, Until Dawn não se destaca. Comparado a Sinners, de Ryan Coogler, que trouxe uma abordagem artística ao gênero, ou mesmo a outros filmes de looping temporal, o longa parece genérico. Em um ano marcado por produções decepcionantes como The Monkey e Wolf Man, ele é apenas mediano, sem alcançar o brilho de clássicos modernos do terror.

Vale a pena assistir a Until Dawn?

Until Dawn não é um filme memorável, mas também não é um desastre. É uma opção despretensiosa para quem busca entretenimento leve, com sustos moderados e um elenco carismático. A direção de Sandberg e a presença de Peter Stormare elevam o material, mas o roteiro previsível e a falta de originalidade impedem que o filme deixe uma marca duradoura. Para fãs do jogo, a adaptação pode decepcionar pela ausência de interatividade, mas ainda oferece momentos de diversão.

Se você gosta de terror adolescente ou curte a vibe de slashers com um toque de mistério, Until Dawn pode ser uma escolha razoável para uma sessão descompromissada. Porém, se busca algo inovador ou assustador de verdade, talvez seja melhor revisitar Happy Death Day ou esperar por algo mais ousado. Uma única sessão é suficiente – afinal, para um filme sobre repetição, ele não convida a revisitas.Until Dawn é um exemplo clássico de adaptação de videogame que não consegue transpor a essência do material original.

Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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