Crítica de Um Sentimento Chamado Amor: O Despertar da Maturidade e o Brilho da Autoestima

Um Sentimento Chamado Amor (What A Feeling) é uma comédia romântica austríaca de 2024, dirigida por Kat Rohrer. O filme narra o encontro transformador entre duas mulheres maduras em Viena. A produção é uma sensível comédia romântica que explora o amor lésbico na maturidade. Dirigido por Kat Rohrer, o longa ainda está indisponível nos streamings nacionais, mas vale a pena pelo roteiro inteligente e performances magnéticas.

O amor na maturidade não é um porto seguro, mas uma nova partida para um destino desconhecido. Marie Therese descobre que o fim de um casamento de 20 anos é, na verdade, o início de sua primeira conversa honesta consigo mesma. Um Sentimento Chamado Amor prova que o desejo não tem data de validade, apenas novas formas de se manifestar.

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Como psicóloga e crítica, observo que a produção audiovisual frequentemente relega mulheres acima dos 40 anos a papéis secundários ou de suporte emocional para personagens mais jovens. Um Sentimento Chamado Amor rompe essa barreira ao colocar a agência feminina no centro gravitacional da trama. A obra não foca apenas na descoberta de uma nova orientação sexual, mas na reivindicação da própria identidade após décadas vivendo sob as expectativas alheias.

A protagonista Marie Therese (Caroline Peters) personifica o arquétipo da “mulher perfeita” que entra em colapso. Após ser deixada pelo marido no aniversário de 20 anos de casamento, ela não sucumbe à depressão passiva; ela se permite o caos. É nesse estado de vulnerabilidade que ela encontra Fa (Proschat Madani).

A dinâmica entre elas é um estudo sobre interseccionalidade e autoestima: Fa, uma mulher de origem iraniana, vive sua liberdade de forma solar e desimpedida, servindo como o espelho que Marie Therese precisa para enxergar sua própria potência.

O impacto social desta obra reside na normalização do desejo e do recomeço em fases tardias da vida. Não é um filme sobre “sair do armário” sob sofrimento, mas sobre entrar em uma nova e iluminada sala de estar da própria existência.

Desenvolvimento Técnico: Estética, Roteiro e o Fator Humano

Roteiro e Ritmo

O roteiro, também assinado por Kat Rohrer, foge das armadilhas do melodrama barato. O ritmo é equilibrado, permitindo que o público sinta a textura dos encontros casuais que se tornam profundos. Há uma sofisticação europeia na forma como os diálogos são construídos — eles são orgânicos, cheios de subtextos que apenas a maturidade permite captar.

Atuações: O Duelo de Gigantes

  • Caroline Peters: Sua performance como Marie Therese é cirúrgica. Conseguimos ver em sua expressão facial — especialmente na cena do bar, sob luzes neon azuladas e quentes — a transição do choque para a curiosidade genuína.
  • Proschat Madani: Como Fa, Madani exala um carisma natural. Ela traz uma leveza essencial que evita que o filme se torne pesado. A química entre as duas é palpável; a eletricidade não vem de grandes gestos, mas da troca de olhares e da linguagem corporal tensa que relaxa conforme a confiança aumenta.

Estética e Direção

A direção de Kat Rohrer opta por uma Viena contemporânea e vibrante, fugindo dos cartões-postais óbvios. A direção de arte utiliza cores que evoluem com a protagonista: começamos com tons pastéis e controlados na casa de Marie Therese e terminamos em uma paleta muito mais diversa e rica.

A fotografia em alta definição permite notar detalhes como as rugas de expressão das atrizes, celebrando a beleza real e a passagem do tempo em vez de escondê-la com filtros artificiais.

Veredito e Nota

NOTA: 4/5

Um Sentimento Chamado Amor é uma lufada de ar fresco no gênero da comédia romântica. É técnico onde precisa ser e profundamente emocional onde o coração exige. O filme prova que a representatividade lésbica ganha camadas extraordinárias quando foca em mulheres que já conhecem a dor e a delícia de serem quem são.

Onde Assistir: Atualmente indisponível nas plataformas de streaming brasileiras (aguardando distribuição oficial).

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Conclusão

Um Sentimento Chamado Amor redefine a comédia romântica ao focar no romance lésbico entre mulheres maduras em Viena. A direção de Kat Rohrer utiliza a interseccionalidade cultural para enriquecer a dinâmica entre as protagonistas Marie Therese e Fa.

Por fim, o longa-metragem aborda o recomeço emocional após o divórcio como uma jornada de autoestima e libertação de padrões sociais.

FAQ Estruturado

“Um Sentimento Chamado Amor” é baseado em fatos reais?

Não é uma biografia, mas o filme reflete experiências reais de mulheres que redescobrem sua sexualidade e autonomia após longos casamentos heterossexuais.

Qual o final explicado de “Um Sentimento Chamado Amor”?

O filme termina com uma mensagem de esperança e independência, onde as protagonistas escolhem viver o presente sem a pressão de rótulos tradicionais, priorizando a felicidade mútua.

Onde assistir “Um Sentimento Chamado Amor” online de forma legal?

No momento, o filme está em circuito de festivais e aguarda lançamento nos catálogos de streaming no Brasil. Fique de olho na MUBI ou Apple TV, que costumam adquirir títulos europeus.

Quem são as atrizes principais?

O filme é estrelado por Caroline Peters, uma das atrizes mais respeitadas da Alemanha, e Proschat Madani, conhecida por seu trabalho na TV austríaca.

O filme é indicado para qual público?

Para fãs de comédias românticas inteligentes, dramas de amadurecimento e para quem busca representatividade LGBTQIA+ de qualidade.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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