Soulmates (2020), série antológica de drama, ficção científica e romance, chega à Netflix e Prime Video com uma proposta instigante. Criada por William Bridges e Brett Goldstein, conhecidos por Black Mirror e Ted Lasso, a produção de seis episódios imagina um futuro onde um teste de DNA revela a alma gêmea perfeita. Cada capítulo explora dilemas amorosos sob essa tecnologia, questionando monogamia e destino. Mas o resultado é misto. Com um elenco estelar e ideias ousadas, a série brilha em momentos isolados, mas tropeça na profundidade emocional. Vale o tempo? Analisamos a trama, atuações e tom para decidir.
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Premissa Inovadora, Mas Desigual
A série se passa 15 anos no futuro. Um teste chamado Soul Connex identifica a alma gêmea via gene específico. Isso abala relacionamentos, casamentos e escolhas pessoais. O episódio inicial, “Watershed”, segue Nikki (Sarah Snook) e Franklin (Kingsley Ben-Adir), um casal feliz pressionado pela febre do teste. Outros capítulos variam: “The Lovers” mergulha em vingança e traição, enquanto “Little Adventures” explora poliamor.
O conceito é fresco, ecoando debates reais sobre apps de namoro e compatibilidade genética. Bridges e Goldstein usam a antologia para testar ângulos diferentes, de horror psicológico a comédia romântica. No entanto, a execução varia. Alguns episódios, como o terceiro com Shamier Anderson e Malin Akerman, aprofundam o impacto na intimidade. Outros, porém, caem em previsibilidade, com twists que priorizam choque sobre reflexão. O formato antológico permite variedade, mas a falta de continuidade enfraquece o arco geral, deixando a série como um mosaico irregular.
Elenco Estelar Eleva o Material
O maior trunfo de Soulmates é seu elenco diversificado e talentoso. Sarah Snook, de Succession, entrega uma Nikki vulnerável e conflituosa, capturando o medo de perder o conhecido pelo ideal. Kingsley Ben-Adir, como Franklin, traz carisma e dor sutil, tornando o casal crível e cativante. No segundo episódio, Alice Krige e Matt Lauria exploram traição com intensidade crua, elevando um roteiro que beira o melodramático.
Malin Akerman e Shamier Anderson brilham no terceiro, misturando humor e tensão em um triângulo amoroso não convencional. Betsy Brandt, de Breaking Bad, fecha a temporada com uma performance tocante como Caitlin, uma viúva questionando o luto via teste. Cada episódio traz rostos novos, como Eloise Duong e Chinaza Uche, injetando frescor. As atuações compensam diálogos por vezes expositivos, criando momentos de conexão genuína. Ainda assim, o roteirista falha em dar camadas a alguns, tornando personagens periféricos esquecíveis.
Direção e Tom Ambíguos
Dirigida por episódios isolados, como por Craig Zobel em “Watershed”, a série ostenta produção polida. A fotografia usa tons frios para o futurismo, contrastando com cenas íntimas quentes. Locais como Nova York e Londres adicionam realismo, enquanto a trilha sonora minimalista amplifica dilemas internos. O episódio “Descent” inova com elementos de terror, filmados em claustrofobia elegante.
O tom, porém, é o calcanhar de Aquiles. Soulmates oscila entre sátira Black Mirror-esque e drama romântico sincero. Isso gera whiplash: um capítulo ri da obsessão tecnológica, o próximo chora por corações partidos. A antologia permite experimentação, mas a inconsistência dilui o impacto. Episódios como “Initialization” tentam humor leve, mas soam forçados. No geral, a direção mantém o ritmo ágil, com 45 minutos por episódio ideais para binge, mas o descompromisso com um gênero único deixa a narrativa superficial.
Pontos Fortes e Limitações
Os acertos incluem o elenco versátil e a premissa provocativa, que questiona se almas gêmeas existem ou se o amor é escolha diária. Episódios como “The Lovers” entregam suspense genuíno, com reviravoltas que surpreendem sem trairar a emoção. A série aborda temas atuais, como pressão social por perfeição romântica, de forma inclusiva.
Limitações abundam: roteiros que repetem dilemas sem inovar, e um tom indeciso que impede imersão. Alguns capítulos, como o quarto, soam datados, com twists previsíveis. A ausência de uma narrativa unificadora, apesar do fio condutor do teste, faz a temporada parecer episódios soltos, não um todo coeso. Críticos no Rotten Tomatoes elogiam o 74% de aprovação, mas notam a superficialidade emocional.
Vale a Pena Assistir Soulmates?
Soulmates é uma série para quem ama antologias sci-fi leves. Com seis episódios curtos, é perfeita para uma maratona rápida na Netflix ou Prime Video. O elenco e ideias iniciais prendem, especialmente se você curte Black Mirror sem o peso. Episódios isolados, como o primeiro e o sexto, valem sozinhos o play.
No entanto, se busca profundidade ou twists impactantes, pode frustrar. O tom misto e personagens subdesenvolvidos diluem o potencial. Para fãs de romance futurista, como The Good Place com toques tech, é recomendável. Caso prefira narrativas lineares, opte por Upload. No fim, Soulmates entretém, mas não transforma – uma alma gêmea passageira, não eterna.
Soulmates promete revolucionar o romance via ciência, mas entrega uma antologia irregular. Com atuações brilhantes e premissa cativante, ela acerta em explorar o que define amor em era digital. Ainda assim, o tom ambíguo e roteiros superficiais limitam seu legado. Em 2025, com opções infinitas, é uma curiosidade digna de uma tarde preguiçosa. Se o destino te empurra para histórias de corações partidos e genes perfeitos, assista. Caso contrário, há almas gêmeas melhores no streaming.
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