Crítica de É Assim Que Acaba: Vale A Pena Assistir o Filme?

Lançado nos cinemas em 8 de agosto de 2024, É Assim Que Acaba chegou cercado de expectativas. A adaptação do best-seller de Colleen Hoover mobilizou uma legião de leitores e levantou debates intensos antes mesmo da estreia. Dirigido por Justin Baldoni, que também atua, o longa aposta no drama romântico para abordar temas sensíveis, como relacionamentos abusivos, ciclos de violência emocional e escolhas femininas difíceis. Agora disponível na Amazon Prime Video e para aluguel em plataformas digitais, o filme finalmente pode ser analisado com mais distanciamento — e menos paixão de fã.

A pergunta central permanece: vale a pena assistir É Assim Que Acaba? A resposta não é simples, porque o filme acerta em alguns pontos importantes, mas tropeça justamente onde precisava ser mais cuidadoso.

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Uma história conhecida, mas ainda necessária

A trama acompanha Lily Bloom, interpretada por Blake Lively, uma mulher marcada por traumas familiares que tenta reconstruir a própria vida em Boston. O encontro com o carismático neurocirurgião Ryle Kincaid, vivido por Justin Baldoni, parece o início de um romance ideal. No entanto, aos poucos, o relacionamento revela fissuras profundas. O passado de Lily retorna na figura de Atlas Corrigan (Brandon Sklenar), reacendendo memórias, afetos e conflitos internos.

O roteiro de Christy Hall segue fiel à estrutura do livro, o que deve agradar aos leitores mais conservadores. Ainda assim, a adaptação opta por suavizar alguns momentos, tornando a experiência mais palatável, mas também menos contundente. A história continua relevante, especialmente por colocar em evidência a dificuldade de romper ciclos abusivos, algo ainda pouco tratado com responsabilidade no cinema comercial.

A direção de Justin Baldoni e suas limitações

Como diretor, Justin Baldoni demonstra sensibilidade ao lidar com emoções e silêncios. Há cenas conduzidas com delicadeza, principalmente nos momentos de introspecção de Lily. O problema surge quando o filme parece hesitar em assumir plenamente o peso do que está sendo contado. Em vez de confrontar o espectador, a narrativa frequentemente opta pelo conforto.

A direção evita excessos visuais e aposta em uma estética limpa, quase romântica demais para uma história tão dura. Essa escolha enfraquece o impacto de situações que exigiriam mais tensão. Falta risco. Falta incômodo. E, em um filme que trata de violência emocional e física, isso pesa negativamente.

Blake Lively sustenta o filme com presença e fragilidade

O maior acerto de É Assim Que Acaba é Blake Lively. Sua interpretação de Lily é contida, emocionalmente complexa e muito mais forte nos gestos do que nas falas. A atriz constrói uma protagonista que erra, hesita e sofre, sem cair em estereótipos fáceis. É uma mulher real, dividida entre o amor, o medo e a esperança de que tudo possa mudar.

Justin Baldoni, como Ryle, entrega uma atuação correta, mas pouco ousada. O personagem exige camadas mais ambíguas, e o ator parece receoso em torná-lo verdadeiramente desconfortável. Brandon Sklenar, por sua vez, funciona bem como Atlas, embora o roteiro o coloque quase como um contraponto idealizado, o que empobrece a dinâmica do triângulo emocional.

Um romance que suaviza o que deveria ferir

O filme se vende como drama romântico, e isso se reflete nas escolhas narrativas. A trilha sonora emocional, a fotografia suave e o ritmo previsível transformam conflitos profundos em algo, por vezes, excessivamente bonito. O resultado é um contraste estranho: a história fala de dor, mas a forma insiste em amenizá-la.

Essa abordagem pode facilitar o acesso do público mais amplo, mas também corre o risco de romantizar situações que pediriam um olhar mais crítico. O filme tenta deixar claro que o abuso não é justificável, mas nem sempre consegue traduzir isso com a força necessária. A sensação é de que a obra quer agradar a todos — e acaba se protegendo demais.

A perspectiva feminina e o olhar do Séries Por Elas

Considerando que o site se chama Séries Por Elas, é impossível não analisar É Assim Que Acaba sob a ótica da representação feminina. O filme acerta ao colocar Lily no centro da narrativa, respeitando suas escolhas e seu tempo. Não há julgamentos explícitos, o que é positivo. A protagonista não é tratada como vítima passiva, mas como alguém em constante processo de compreensão.

Por outro lado, sente-se falta de um discurso mais firme sobre autonomia feminina. O roteiro parece confiar demais na emoção e pouco na reflexão. Algumas decisões importantes de Lily mereciam mais espaço interno, mais silêncio e menos explicações externas. Ainda assim, é relevante ver um filme mainstream que propõe conversas difíceis para mulheres de diferentes gerações.

Ritmo irregular e duração excessiva

Com 2h11min de duração, o longa sofre com um ritmo desigual. A primeira metade se estende demais, enquanto os conflitos mais graves são resolvidos de forma apressada. A montagem poderia ser mais enxuta, favorecendo a progressão emocional da história.

Esse desequilíbrio prejudica o impacto final. Quando o filme finalmente se aproxima de um posicionamento mais claro, já está no fim. Falta fôlego narrativo para sustentar as consequências do que foi vivido.

Vale a pena assistir É Assim Que Acaba?

  • Nota final: 3,5 de 5 ⭐⭐⭐✨ – Um drama competente, com uma protagonista forte e uma mensagem relevante, mas que poderia ter sido mais corajoso em sua execução.

É Assim Que Acaba não é um filme ruim, mas também está longe de ser a adaptação definitiva que muitos esperavam. Ele emociona, provoca identificação e levanta discussões importantes. Ao mesmo tempo, evita mergulhar fundo demais nos próprios temas, preferindo uma abordagem segura.

Para quem leu o livro, a experiência pode ser satisfatória. Para quem busca um drama intenso e transformador, o filme talvez soe contido demais. Ainda assim, é uma obra que merece ser vista, debatida e questionada — especialmente por mulheres.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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