Crítica de Além das Profundezas | Vale A Pena Assistir o Filme?

Além das Profundezas (2021), dirigido por Joachim Hedén, é um thriller de sobrevivência que mergulha nas águas geladas do Mar Báltico. Com apenas 81 minutos, o filme acompanha duas irmãs, Ida e Tuva, em uma viagem de mergulho que vira pesadelo. Estrelado por Moa Gammel e Madeleine Martin, ele mistura ação, drama e suspense em um cenário claustrofóbico. Disponível na Amazon Prime e Globoplay, ou para aluguel na Apple TV e Google Play, o longa sueco ganhou prêmios em festivais como o de Sitges. Mas será que justifica o hype? Nesta análise, destrinchamos os acertos e falhas para ajudar você a decidir.
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Premissa tensa e realista
Ida (Moa Gammel), mergulhadora experiente e mãe dedicada, convida a irmã Tuva (Madeleine Martin), uma ex-militar em crise, para uma imersão no Báltico. O que começa como reconciliação familiar desmorona quando um terremoto submarino causa um deslizamento. Presas em uma caverna subaquática, as irmãs lutam contra o frio, a falta de oxigênio e ferimentos graves. Hedén, inspirado em eventos reais, cria uma narrativa minimalista, sem vilões humanos, focando na natureza impiedosa.
A premissa cativa pela simplicidade. Sem diálogos excessivos, o filme usa o silêncio das profundezas para construir pavor. A decisão de filmar em locações reais no Mar da Noruega adiciona autenticidade, com cenas de mergulho que evocam O Abismo. No entanto, o ritmo inicial é lento, priorizando flashbacks da infância das irmãs, o que atrasa a imersão no caos. Para fãs de survival como 127 Horas, isso funciona; para quem busca ação imediata, pode frustrar.
Atuações intensas no centro da tela
Moa Gammel domina como Ida, transmitindo determinação e fragilidade com olhares exaustos. Sua personagem, marcada pelo divórcio e pela culpa materna, ganha camadas em monólogos internos. Madeleine Martin, de Californication, convence como Tuva, a rebelde com PTSD, alternando entre raiva e vulnerabilidade. A química entre as irmãs, forjada por anos de tensão familiar, é o pulso emocional do filme.
O elenco secundário é enxuto. Trine Wiggen surge como Anne, mentora de mergulho, em cenas breves mas impactantes. Jitse Buitink e Alessio Barreto aparecem como instrutores, servindo mais como catalisadores do que personagens profundos. As atuações brilham pela fisicalidade: os atores treinaram mergulho técnico por meses, o que se reflete na credibilidade das cenas subaquáticas. Ainda assim, os flashbacks, com Ima Jenny Hallberg e Ingrid Pettersen como as jovens irmãs, soam forçados, interrompendo o fluxo.
Direção técnica impecável, mas narrativa limitada
Joachim Hedén, em seu segundo longa, demonstra maestria técnica. A fotografia de Niels Buchholzer captura a beleza letal do Báltico, com tons azulados que sufocam o espectador. A câmera subaquática, operada por mergulhadores profissionais, cria claustrofobia sem CGI excessivo. O som design é crucial: bolhas, respiração ofegante e o eco da água formam uma trilha sonora natural, amplificando o isolamento.
O roteiro, também de Hedén, prioriza realismo sobre drama exagerado. Cada decisão – racionar ar, improvisar ferramentas – segue protocolos de mergulho reais, consultados com especialistas. Isso eleva o filme acima de clichês hollywoodianos. Porém, a estrutura em flashbacks dilui a urgência, repetindo temas de irmandade sem evoluir. Com 81 minutos, poderia ser mais conciso, evitando redundâncias que testam a paciência.
Temas de família e resiliência
O filme explora laços fraternos sob pressão extrema. Ida e Tuva, separadas por anos de ressentimentos, confrontam segredos do passado enquanto lutam pela vida. Hedén usa o confinamento para simbolizar prisões emocionais: o divórcio de Ida ecoa em sua luta por controle, enquanto o trauma de Tuva reflete em explosões de pânico. Essa camada psicológica adiciona profundidade, transformando um survival em estudo de caráter.
Comparado a Adrift ou Contra Corrente, Além das Profundezas se destaca pela ausência de resgate heroico. A resiliência feminina é central, com as protagonistas resolvendo o destino sozinhas. No entanto, o final ambíguo divide opiniões: otimista para uns, frustrante para outros. Em 2025, com debates sobre saúde mental pós-pandemia, o tema ressoa, mas poderia ir mais fundo na recuperação emocional.
Pontos fortes e tropeços
Os acertos incluem a produção sueca eficiente: baixo orçamento, alto impacto. As cenas subaquáticas são hipnóticas, e as atuações carregam o peso dramático. A mensagem de empoderamento feminino ressoa em tempos de narrativas inclusivas.
Os tropeços? Flashbacks excessivos e um clímax previsível. O foco em técnica mergulho pode alienar não-especialistas, e a ausência de antagonistas humanos deixa o conflito interno monótono. Hedén acerta na atmosfera, mas falha em surpreender emocionalmente.
Vale a pena assistir?
Além das Profundezas é ideal para quem curte survival tenso e realista. Com atuações sólidas e direção precisa, ele prende em 81 minutos ágeis. Disponível na Amazon Prime ou Globoplay, é perfeito para uma sessão noturna solitária, evocando o pavor do desconhecido. Se você ama 127 Horas ou O Resgate do Soldado Ryan em escala íntima, invista. Para ação explosiva, pule – prefira blockbusters. No fim, vale pelo arrepio autêntico das profundezas.
Joachim Hedén entrega um thriller subaquático que prioriza emoção crua sobre espetáculo. Moa Gammel e Madeleine Martin ancoram uma história de irmãs contra o abismo, com técnica impecável que justifica prêmios. Apesar de flashbacks desnecessários, o filme cativa pela honestidade. Em 2025, ele lembra que o verdadeiro terror está na vulnerabilidade humana. Assista se busca reflexão gelada; evite se quer adrenalina pura. Uma joia subestimada do cinema nórdico.
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