A espera acabou, e os três primeiros episódios de X-Men ’97, agora disponíveis no catálogo do Disney+, provam que a animação continua sendo uma das produções mais maduras e psicologicamente densas da cultura pop atual. O retorno não perde tempo e nos joga diretamente nas consequências do final avassalador do ano anterior. Abaixo, confira quais as nossas primeiras impressões dos novos episódios.
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Por Trás das Câmeras: O Elenco e a Atmosfera Audiovisual
A equipe de dublagem original e a direção de animação fazem um trabalho primoroso ao evocar a nostalgia sem se apoiar apenas nela. A interpretação de Matthew Waterson como Magneto atinge notas dramáticas profundas, transmitindo a exaustão e a obstinação de um homem que carrega o peso de sua espécie nas costas.
O trabalho de voz de Ray Chase como Ciclope e Jennifer Hale como Jean Grey ancora o núcleo emocional da estreia na ficção científica mais pura. Visivelmente, a estética brinca com as cores: o futuro pós-apocalíptico usa tons pastel e cinzentos que refletem a opressão daquele ambiente, enquanto o passado egípcio brilha em dourados quentes e sombras marcadas, pontuadas pela trilha sonora que sabe exatamente quando silenciar para dar espaço aos diálogos densos.
Crítica Sincera: Vale a pena assistir à 2ª Temporada de X-Men ’97?
Se havia algum medo de que a série perdesse o fôlego após a saída de sua liderança criativa original, os episódios 1 a 3 dissipam as dúvidas rapidamente. A narrativa optou por uma estratégia ousada e muito bem-vinda: em vez de picotar as três linhas temporais diferentes em um único capítulo confuso, os realizadores entregaram um bloco focado para cada núcleo de personagens espalhados pelo tempo.
O ritmo é frenético — talvez até demais em alguns pontos que mereciam mais minutos de tela —, mas a capacidade de amarrar tramas clássicas dos quadrinhos dos anos 90 com uma roupagem psicológica moderna é simplesmente impecável. É uma jornada emocionante que respeita a inteligência do espectador.
O Raio-X do Séries Por Elas
| O que nos arrebatou (Pontos Fortes) | O que escorregou (Pontos Fracos) |
| O aprofundamento doloroso e maduro na dinâmica familiar de Scott, Jean e Nathan. | O ritmo acelerado faz com que núcleos fantásticos, como os Cavaleiros Finais, apareçam menos do que deveriam. |
| O contraste ético fascinante entre as visões de mundo de Jubilee e Cable. | Alguns mutantes de apoio acabam servindo apenas como cenário em certos episódios. |
| A escolha acertada de focar cada episódio em uma linha do tempo específica. | Sentimento de que a passagem pelo futuro distante foi curta demais para o tamanho do seu potencial. |
A Força do Olhar Feminino e das Conexões Humanas
Como psicóloga, o que mais me fascina na escrita de X-Men ’97 é como os superpoderes são metáforas para traumas profundos e mecanismos de defesa. No primeiro episódio, baseado na icônica saga As Aventuras de Ciclope e Fênix, vemos a dor oculta da maternidade e da paternidade interrompidas.
O reencontro de Jean Grey e Scott Summers com seu filho Nathan (o jovem Cable) no futuro é de partir o coração. Há uma sensibilidade imensa ao tratar a culpa de dois pais que precisaram abrir mão do próprio bebê para salvá-lo, lidando agora com o estranhamento de criar um jovem que já carrega as marcas do abandono.
Por outro lado, a figura feminina ganha contornos cruciais na dinâmica do presente. A jovem Jubileu se torna a bússola moral do grupo ao confrontar os métodos militarizados e frios de Cable. Ela representa a resistência do idealismo contra o cinismo do mundo adulto.
Em paralelo, a presença de Polaris no núcleo da X-Factor demonstra como as estruturas governamentais frequentemente tentam cooptar e silenciar as minorias, usando figuras de liderança como joguetes políticos antes que elas percebam a própria agência.
O Veredito do Coração
O início desta temporada é um labirinto temporal inebriante. Ao nos levar ao passado para conhecer um jovem En Sabah Nur muito antes de se transformar no tirano Apocalypse, a série nos faz questionar o determinismo: o trauma é inevitável ou podemos reescrever o destino de alguém através do afeto e da mentoria?
A tentativa de Magneto em moldar o jovem vilão é pura poesia trágica. X-Men ’97 prova que super-heróis funcionam melhor quando focamos no que há de mais frágil e resiliente em nossa própria mente.
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