as_quatro_estacoes-do-ano

CRÍTICA As Quatro Estações do Ano SÉRIE: As Rachaduras do Casamento e a Busca pelo Recomeço

Passar anos ao lado de alguém é construir um diário cheio de páginas bonitas e outras tantas difíceis. A nova série da Netflix, intitulada As Quatro Estações do Ano, mergulha exatamente nessa complexa coreografia que chamamos de casamento. Criada por Tina Fey, Lang Fisher e Tracey Wigfield, a produção reconstrói o clássico filme de 1981 de Alan Alda para os nossos dias.

A produção acompanha a jornada de três casais amigos que viajam juntos a cada mudança de estação. O que deveria ser um refúgio da rotina vira um espelho das próprias frustrações. Sendo muito sincera, a série escorrega um pouco no tom dramático e tem momentos mais lentos. Mesmo assim, ela vale cada minuto do seu tempo por causa de seu elenco brilhante. É uma opção calorosa para assistir no fim de semana e refletir sobre os nossos próprios laços afetivos.

VEJA TAMBÉM

Do Casulo da Dor ao Despertar da Própria Voz

No portal Séries Por Elas, nossa missão é olhar para as mulheres além dos estereótipos tradicionais da televisão. Nesta obra, o verdadeiro coração da história bate através das personagens femininas e suas reações diante do abandono e da rotina. Tudo muda quando Nick decide terminar seu casamento de 25 anos com Anne bem no dia do aniversário deles.

A interpretação de Kerri Kenney-Silver como Anne é de uma delicadeza que corta o coração. Nós enxergamos em seus olhos o doloroso processo de ver uma vida inteira desmoronar em segundos. Ela equilibra a tristeza profunda com uma fúria legítima de quem foi silenciada por muito tempo. Anne conversa diretamente com a mulher contemporânea que precisa se reconstruir após os quarenta ou cinquenta anos. Ela nos mostra que o fim de um ciclo não significa o fim da nossa história individual.

Por outro lado, temos Kate, vivida pela sempre excelente Tina Fey. Kate é uma mulher hipercrítica e pragmática, que usa o sarcasmo como uma armadura invisível. O seu comportamento defensivo esconde o medo profundo de enfrentar a calmaria morna do seu próprio casamento. Ela representa aquela amiga que tenta consertar a vida de todo mundo para não olhar para as suas próprias feridas.

Também precisamos falar sobre Ginny, interpretada de forma surpreendente por Erika Henningsen. Ela entra na história como a nova namorada bem mais jovem de Nick. O roteiro evita transformá-la na vilã caricata ou na jovem sem conteúdo. Ginny ganha contornos de uma mulher real, que tenta genuinamente se encaixar em um grupo que não é o seu. A relação que se desenha entre essas mulheres é um estudo lindo sobre maturidade, rivalidade e, eventualmente, empatia.

“O término de um amor antigo não apaga a nossa história; ele apenas nos devolve o direito de escrever o próximo capítulo.”

A Dança das Estações e o Peso do Tempo na Tela

A estrutura de As Quatro Estações do Ano é muito charmosa e divide seus oito episódios pelos períodos do ano. Cada transição traz cartões de título elegantes acompanhados pelos concertos clássicos de Vivaldi. Os diretores Shari Springer Berman e Robert Pulcini fazem um trabalho visual muito bonito e acolhedor.

A fotografia se transforma de maneira sutil junto com o humor dos personagens. No início, a primavera traz tons claros de esperança na casa do lago. O verão em um hotel ecológico transborda uma luz forte que acentua os desgastes e os segredos do grupo. O outono vem com tons terrosos e folhas secas, ilustrando a melancolia da separação. Por fim, o inverno na neve traz a frieza dos confrontos que estavam guardados há anos.

O roteiro acerta quando foca nas pequenas pequenas hipocrisias do cotidiano. Os diálogos entre Kate e Danny, interpretado pelo maravilhoso Colman Domingo, são repletos de ironia e cumplicidade. Eles funcionam como aquela dupla de amigos que adora observar e comentar a vida alheia. A química de todo o elenco é muito natural. Eles realmente parecem pessoas que dividem histórias e segredos há décadas.

O ponto fraco fica por conta de algumas piadas sobre a diferença de idade entre Nick e Ginny. Algumas situações parecem repetitivas e cansam um pouco ao longo dos episódios. O personagem Jack, vivido por Will Forte, também acaba sendo um tanto cansativo em sua eterna insegurança. Contudo, o texto se redime ao dar graça e humanidade para todos eles. Ninguém é totalmente bom ou mau ali.

Steve Carell faz um trabalho difícil ao interpretar Nick. Ele evita que o homem em crise de meia-idade seja apenas odiado pelo público. Ele entrega um homem vulnerável, que erra feio na busca por recuperar sua juventude perdida. O parceiro de Danny, Claude, interpretado por Marco Calvani, traz um tom dramático que enriquece as discussões sobre os novos formatos de relacionamento. A série nos ensina que amar alguém também envolve aceitar que o outro é imperfeito e falível.

“Casamentos longos se parecem com velhas construções; as rachaduras aparecem, mas a estrutura ainda guarda o calor das memórias.”

O Veredito do Coração

<strong>NOTA: 4/5</strong>

As Quatro Estações do Ano não tenta revolucionar o formato das comédias dramáticas. Sua grande virtude está em olhar para os casamentos longos com uma mistura muito bonita de ironia e compaixão. O elenco carrega a série nas costas nos momentos em que o ritmo diminui. É uma jornada reconfortante sobre amizade, perdão e a coragem necessária para continuar junto.

  • Onde Assistir (Oficial): Netflix

AVISO: O portal Séries Por Elas acredita que a cultura é um pilar essencial para a nossa evolução emocional. Cada episódio que nos emociona é o resultado do trabalho duro de roteiristas, atores, diretores e técnicos. Assistir aos seus conteúdos favoritos por meio das plataformas oficiais e legais de streaming protege seus dados e apoia essa indústria maravilhosa. Não alimente o mercado pirata; valorize a arte e quem a produz.

Siga o Séries Por Elas no X (Twitter), Instagram, Threads e no Google News, e acompanhe todas as nossas notícias!

Rolar para cima