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Crítica | Estranho Poder é Bom? Vale a Pena Assistir?

A teledramaturgia mexicana sempre foi reconhecida por sua carga dramática elevada, mas poucas vezes ousou mergulhar tão profundamente nas sombras quanto em Estranho Poder (El Maleficio). Lançada originalmente no final de 2023 pelo canal Las Estrellas e agora disponível para o público brasileiro via Globoplay, a produção é um remake de um clássico dos anos 80 que traumatizou gerações.

Sob a direção de Salvador Garcini e Fez Noriega, o longa-metragem serializado de 82 episódios tenta equilibrar a mística do sobrenatural com as intrigas de poder das elites modernas. No portal Séries Por Elas, analisamos se esta nova versão consegue conferir às suas mulheres o protagonismo que o gênero terror muitas vezes lhes nega.

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Uma Jornada às Fronteiras do Ocultismo

Estranho Poder é uma amálgama ambiciosa de Terror, Suspense e o tradicional Drama mexicano. A premissa gira em torno de Enrique de Martino, interpretado pelo veterano Fernando Colunga, um empresário bilionário que esconde um segredo terrível: ele é o líder de uma seita que adora uma entidade demoníaca conhecida como “Bael”. Sua vida se cruza com a de Beatriz (Marlene Favela), uma mulher de valores éticos sólidos que, ao se apaixonar por Enrique, vê-se presa em uma teia de rituais e perigos ancestrais.

Veredito Antecipado: A produção entrega o que promete em termos de atmosfera e entretenimento escapista, mas falha ocasionalmente ao tentar esticar uma narrativa de terror puro por mais de 80 episódios. É uma soma zero: o brilho das atuações compensa as barrigas do roteiro.

Desenvolvimento de Enredo e Ritmo: A Tensão que se Dilata

O roteiro, baseado na história original de Fernanda Villeli com adaptação de Vanesa Varela, opera em um ritmo que alterna entre o frenesi dos ritos de invocação e a lentidão das conspirações corporativas. A decisão de manter o formato de folhetim longo impõe um desafio técnico: como sustentar o medo por tanto tempo?

A trama é inovadora ao trazer o terror sobrenatural para o centro da sala de estar das famílias latinas, fugindo do terror de nicho. Entretanto, o espectador deve estar preparado para um desenvolvimento que respeita os tempos da novela: o suspense é construído tijolo por tijolo. O arco de redenção (ou queda) de alguns personagens é previsível, mas a curiosidade sobre a natureza do pacto de Enrique mantém o engajamento necessário para atravessar a temporada.

Atuações e Personagens: O Duelo entre a Sedução e a Pureza

O fator humano é onde Estranho Poder ganha força. Fernando Colunga abandona o estereótipo de galã romântico tradicional para encarnar um vilão multifacetado. Seu Enrique de Martino é gélido, calculista e genuinamente assustador em certos momentos, demonstrando uma maturidade técnica notável.

Marlene Favela, como Beatriz, traz a verossimilhança necessária para uma história que beira o absurdo. Sua química com Colunga é palpável, o que torna o dilema do espectador mais complexo: torcemos pelo casal enquanto tememos pelo destino da alma de Beatriz. Julián Gil, no papel de Gerardo, oferece o contraponto antagonista ideal, injetando uma dose de energia e conflito que movimenta os núcleos paralelos.

A Lente “Séries Por Elas”: Agência Feminina sob Maldição

No “Séries Por Elas”, questionamos: as mulheres de Estranho Poder são apenas vítimas do “malefício” masculino? A resposta é complexa. Embora a trama comece com Beatriz sendo atraída para o mundo de Enrique, a personagem desenvolve uma agência crescente ao longo dos episódios. Ela não é apenas uma ferramenta de roteiro; suas escolhas morais são o que realmente desafia o poder da entidade demoníaca.

A produção dialoga com a sociedade atual ao explorar como mulheres fortes lidam com relacionamentos onde o poder é desproporcional. A luta de Beatriz para proteger sua família do “estranho poder” que emana de seu marido é uma metáfora poderosa para a resistência feminina contra ambientes domésticos tóxicos e controladores, ainda que aqui isso seja literalizado através do ocultismo.

Aspectos Técnicos e Estética: A Sombra da Direção

A direção de arte e a fotografia utilizam uma paleta de cores saturadas, mas com sombras profundas que remetem ao expressionismo. Os efeitos visuais, embora limitados pelo orçamento televisivo, cumprem o papel de criar o desconforto necessário.

A direção de Salvador Garcini foca muito nos closes e na expressão facial dos atores para potencializar a imersão emocional, transformando o palácio dos De Martino em um personagem claustrofóbico e opressor. A trilha sonora, carregada de tons graves, sublinha constantemente a iminência do perigo.

Veredito, Nota e Onde Assistir

NOTA: 4/5

Estranho Poder deixa como legado a prova de que o terror tem espaço na TV aberta e no streaming popular, desde que ancorado em grandes performances. É uma obra que respeita o passado, mas tenta modernizar o medo. Se você busca uma história que mistura paixão ardente com rituais de arrepiar, esta é a escolha certa.

  • Onde Assistir: Globoplay (exclusivo para assinantes).

ATENÇÃO: Este conteúdo incentiva o consumo legal de obras audiovisuais. Pirataria é crime e prejudica a indústria criativa. Assista a Estranho Poder somente nas plataformas oficiais de streaming ou canais autorizados.

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