Twisters: História Real Por Trás do Filme

O filme Twisters (2024), dirigido por Lee Isaac Chung, é uma obra de ficção dos gêneros ação e aventura que funciona como uma sequência espiritual do clássico de 1996. Veredito: Embora o longa-metragem utilize termos científicos e retrate a região do Beco dos Tornados nos Estados Unidos, a produção é uma obra de ficção que dramatiza tecnologias de “domação” de tempestades inexistentes na vida real.

A trama protagonizada por Daisy Edgar-Jones, Glen Powell e Anthony Ramos foca no entretenimento visual, utilizando a meteorologia apenas como pano de fundo para uma narrativa de aventura.

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A História Real: O que realmente aconteceu?

Diferente de dramas biográficos, Twisters não se baseia em um evento específico ou em um dia histórico de tempestades documentadas. Na história real, os tornados são fenômenos naturais frequentes em estados como Oklahoma, Texas e Kansas, onde caçadores de tempestades e meteorologistas profissionais trabalham para melhorar os sistemas de alerta precoce.

As “pessoas reais” nesse contexto são os cientistas da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) e pesquisadores universitários. Historicamente, os esforços de campo focam em coletar dados sobre pressão, temperatura e velocidade do vento para salvar vidas através de previsões mais precisas.

Em 11 de julho de 2024, data de lançamento da obra no Brasil, a ciência real ainda não possuía meios de “dissolver” ou “domar” tornados através de polímeros químicos ou qualquer outra substância, permanecendo esses eventos como forças incontroláveis da natureza.

O que é verdade em Twisters?

Apesar de ser uma aventura cinematográfica, o roteiro de Mark L. Smith incorpora elementos autênticos do universo da meteorologia:

  • Geografia do Medo: A ambientação em Oklahoma é precisa. A região faz parte do coração do Beco dos Tornados, local onde o choque de massas de ar cria as condições ideais para a formação de supercélulas.
  • Terminologia Científica: O uso de termos como Radar Doppler, escala Fujita Melhorada (EF) e “corrente descendente de flanco traseiro” reflete o vocabulário real utilizado por especialistas da área.
  • Cultura dos Caçadores de Tempestades: A divisão entre grupos de pesquisa acadêmica (como o representado por Anthony Ramos) e entusiastas de redes sociais (como o personagem de Glen Powell) ecoa uma dinâmica real que surgiu com a popularização de vídeos de tempestades no YouTube e TikTok.
  • Sinais de Alerta: A representação de como o céu muda de cor e o comportamento das nuvens antes de um toque no solo é baseada em observações visuais reais documentadas por fotógrafos de natureza.

O que é ficção: As liberdades criativas

Como um blockbuster de 2h 02min, a obra sacrifica a precisão científica em favor do espetáculo. As principais liberdades criativas são:

  • Domar o Tornado: A premissa central de que se pode “matar” um tornado injetando polímeros absorventes (como fraldas químicas) para retirar a umidade do funil é totalmente fictícia. Não há experimentos científicos bem-sucedidos ou teorias físicas que sustentem a interrupção de um tornado EF5 dessa maneira.
  • Proximidade Física: No filme, os personagens frequentemente saem de seus veículos e permanecem a poucos metros de tornados massivos. Na realidade, os detritos lançados pelo vento e a mudança súbita de direção do funil tornariam essas cenas fatais em segundos.
  • Efeitos Imediatos: A rapidez com que o grupo de Daisy Edgar-Jones consegue prever o local exato do toque do solo com precisão de metros é uma simplificação dramática. A ciência real lida com probabilidades e zonas de alerta, não com certezas geográficas exatas.
  • Equipamentos Milagrosos: Dispositivos que se fixam ao solo para resistir a ventos de mais de 300 km/h sem serem arrancados, enquanto protegem ocupantes humanos, pertencem ao campo da ficção de engenharia.

Comparativo: Realidade vs. Ficção

Ao comparar a obra de Lee Isaac Chung com a realidade meteorológica, fica claro que o filme prioriza o arco de redenção da protagonista sobre a viabilidade física. Enquanto a realidade mostra que tornados são sistemas complexos e caóticos que exigem respeito e distância, o filme os transforma em “antagonistas” que podem ser enfrentados e derrotados.

A obra respeita a essência do perigo e a devastação que esses eventos causam às comunidades rurais — um ponto muito forte na direção de Chung —, mas falha propositalmente na solução técnica. A mensagem final foca na resiliência humana e na superação do trauma, usando a ciência fictícia como uma metáfora para o controle sobre a própria vida.

Conclusão

Twisters é um triunfo do entretenimento de ação que utiliza a ciência apenas como ponto de partida. Embora o filme capture com maestria a atmosfera e a tensão das planícies americanas, ele não deve ser confundido com um documentário.

A produção entrega uma experiência visualmente impactante, disponível em plataformas como Amazon Prime Video e HBO Max, mas sua “história real” limita-se à existência dos fenômenos climáticos, e não à possibilidade de controlá-los.

Perguntas Frequentes (FAQ Estruturado)

O filme Twisters é baseado em uma história real?

Não. O filme é uma obra de ficção original, embora utilize o cenário geográfico real de Oklahoma e fenômenos meteorológicos autênticos como base.


É possível parar um tornado como mostrado no filme?

Não. Atualmente, a ciência não possui tecnologia ou substâncias capazes de dissipar ou interromper um tornado em progresso.

Onde o filme Twisters foi gravado?

A produção foi filmada majoritariamente no estado de Oklahoma, visando capturar a estética real do Beco dos Tornados.


Quem dirige o filme Twisters de 2024?

O longa é dirigido por Lee Isaac Chung, com roteiro assinado por Mark L. Smith.


Existem caçadores de tempestades de verdade?

Sim, existem tanto cientistas profissionais quanto amadores que perseguem tornados para coleta de dados e registros fotográficos.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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