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[Tudo por Elas] 5 coisas que aprendi com Chimamanda e “Sejamos todos feministas”

[Tudo por Elas] 5 coisas que aprendi com Chimamanda e “Sejamos todos feministas”

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O Séries Por Elas tem como prioridade máxima noticiar e discutir questões que envolvam o universo das séries. No entanto, vez ou outra, sentimos a necessidade de abordar questões que passem pelo cinema, música e artes de maneira geral. Para isso, criamos a coluna Tudo Por Elas. Nela, uma vez por semana, discutiremos sobre alguma questão do universo midiático e a mulher que não esteja relacionado às séries.

Você conhece Chimamanda Ngozi Adichie? Ela é uma escritora nigeriana que, aos 39 anos, alcançou reconhecimento internacional por sua contribuição para a história da cultura africana, bem como em discussões sobre feminismo, racismo e direitos humanos. Entre seus principais livros lançados estão “Hibisco Roxo” (2003), “Meio Sol Amarelo” (2006), “Americanah” (2013) e “Sejamos todos feministas” (2014).

Ela cresceu na cidade universitária de Nsukka, no estado de Enugu, mas aos 19 anos se mudou para os Estados Unidos onde estudou Comunicação e Ciências Políticas, na Universidade Estadual de Connecticut. Também possui mestrado em escrita criativa pela Universidade Johns Hopkins, de Baltimore e em estudos africanos pela Universidade Yale.

Em 2012, Chimamanda foi convidada para participar de uma conferência com foco na África, do TEDxEuston, onde fez um discurso importante sobre feminismo que serviu de base para o livro “Sejamos todos feministas” – do qual eu vou falar mais a seguir. Inclusive, trechos do discurso foram utilizados na música ***Flawless (2013), da Beyoncé, fazendo com que as falas da escritora viralizassem pela internet por meio do clipe da cantora, que atualmente conta com mais 45 milhões de visualizações.

Apesar de, claro, ter dado permissão à cantora para usar os trechos e de reconhecer que ela tem “nada menos do que as melhores intenções”, ela também afirma que seus feminismos são diferentes. Em entrevista recente ao site deVolkskrant, Chimamanda afirmou: “Eu não acho que mulheres devem relatar tudo o que fazem aos homens: ele me machucou, eu o perdoo, ele botou um anel no meu dedo? […] Nós mulheres deveríamos gastar cerca de 20% do nosso tempo com homens, porque é divertido, mas por outro lado deveríamos também falar sobre nossas próprias coisas”.

Eu já havia assistido o vídeo do discurso de Chimamanda no TEDxEuston, porém só fui ler o ensaio resultante em 2015, quando descobri que podia baixá-lo gratuitamente pela internet. Ambos se reafirmam, é claro. Mas, assim que terminei de ler o pequeno livro, tive aquela sensação gostosa de me sentir representada, de sentir que há alguém incrível que pensa como eu penso e, melhor, que me faz ampliar os horizontes justamente no caminho que eu gostaria de percorrer. No livro, ela conta sua história com o feminismo e reafirma a importância de nos declararmos feministas, com todas as letras. E foi exatamente isso que me motivou a elencar cinco coisas que aprendi lendo o ensaio “Sejamos todos feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie.

1. Nós construímos a cultura e podemos desconstruí-la
“A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura”.

Cresci ouvindo as pessoas me dizerem que existem coisas de homens e de mulheres, mas também pude ver minha família tendo que aceitar que eu gostava tanto de coisas de meninos quanto de meninas. Chimamanda me mostrou que é sempre importante nos questionarmos: quem estabeleceu o que podemos ou não fazer? A cultura? Então, vamos desconstruí-la!

2. Ser chamada de feminista não é ruim, pelo contrário
“Ele tinha razão, anos atrás, ao me chamar de feminista. Eu sou feminista. Naquele dia, quando cheguei em casa e procurei a palavra no dicionário, foi este o significado que encontrei: ‘Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos'”.

Se você se posiciona contra a cultura machista e em defesa dos direitos das mulheres, vai perceber que muitas pessoas irão te criticar e tentar apontar contradições sobre o que você diz. E, volta e meia, numa tentativa de ofensa, será chamada de feminista. No livro “Sejamos todos feministas”, Chimamanda relata um episódio em que ocorre exatamente isso. Na época, ela era muito nova e não sabia o que a palavra significava. Quando descobriu, percebeu que a tentativa de ofensa foi frustrada, afinal ela se identificou com o significado que o dicionário lhe deu.

3. É preciso reconhecer a especificidade que o feminismo representa
“Algumas pessoas me perguntam: ‘Por que usar a palavra ‘feminista’? Por que não dizer que você acredita nos direitos humanos, ou algo parecido?” Porque seria desonesto. O feminismo faz, obviamente, parte dos direitos humanos de uma forma geral — mas escolher uma expressão vaga como ‘direitos humanos’ é negar a especificidade e particularidade do problema de gênero. Seria uma maneira de fingir que as mulheres não foram excluídas ao longo dos séculos”.

Eu mesma já ouvi muitas pessoas dizendo que melhor do que dizer feminismo é dizer humanismo, igualitarismo ou algo do tipo. Sobre isso, Chimamanda explica melhor e de forma mais certeira do que eu: “escolher uma expressão vaga como ‘direitos humanos’ é negar a especificidade e particularidade do problema de gênero. Seria uma maneira de fingir que as mulheres não foram excluídas ao longo dos séculos”. Para entender melhor essa questão, acesse o texto Por que o feminismo não é chamado de Igualitarismo ou Humanismo?, traduzido do original escrito pela canadense Sareeta.

4. A minha luta não diminui a sua. Há diversos tipos de privilégios.
“Algumas pessoas dirão: ‘Bem, os homens, coitados, também sofreram’. E sofrem até hoje. Mas não é disso que estamos falando. Gênero e classe são coisas distintas. Um homem pobre ainda tem os privilégios de ser homem, mesmo que não tenha o privilégio da riqueza”.

Infelizmente, Chimamanda nos mostra que experimentamos ao longo da vida diversos tipos de opressão. Há mulheres que sofrem opressão por serem mulheres, mas não por serem pobres. Há mulheres que sofrem com o racismo e com o machismo ao mesmo tempo. E, sim, há homens que, apesar de sofrerem opressão por serem trabalhadores e pobres, continuam com o privilégio de serem homens. Compreender isso nos leva ao caminho da empatia, de tentar entender o outro e, assim, buscar e lutar por um mundo melhor para se viver, em respeito às diferenças de cada um. O vídeo abaixo explica de forma bem didática essa questão:

5. Muitas mulheres vivem suas vidas movidas por ideais feministas, mas nem sempre sabem disso
“Minha bisavó, pelas histórias que ouvi, era feminista. Ela fugiu da casa do sujeito com quem não queria se casar e se casou com o homem que escolheu. Ela resistiu, protestou, falou alto quando se viu privada de espaço e acesso por ser do sexo feminino. Ela não conhecia a palavra “feminista”. Mas nem por isso ela não era uma. Mais mulheres deveriam reivindicar essa palavra”.

Por fim, quando li o trecho acima, logo lembrei da minha mãe e de outras mulheres da minha família que criaram seus filhos sozinhas, batalharam por um trabalho que lhes desse mínimas condições de viverem suas vidas dignamente e que, por fim, me mostraram o que é a força de uma mulher determinada. São as feministas da minha vida que, mesmo sem reivindicar a palavra, lutaram e lutam por um mundo melhor para elas e para suas filhas e filhos.

Se você ainda não conhece Chimamanda ou “Sejamos todos feministas”, abaixo seguem links para você fazer o download gratuitamente.

Saraiva (Lev)
Livraria Cultura (Kobo)
Amazon (Kindle)

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Isabella Mariano Jornalista, poeta, feminista e completamente impulsiva. Gosta de beber cerveja, ouvir música, tatuagens e de cachorros. Atualmente, tenta lidar com o vício em Game of Thrones, Sense8 e Gotham da melhor forma possível. Mas é aquele ditado, vamos fazer o quê?

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