Quando se fala em séries de fantasia eu sou a primeira a dizer: quero! Especialmente quando envolve mitologias e lendas que amo como bruxas, vampiros, deuses e sereias. Quando vi que a Netflix havia atualizado seu catálogo com a série australiana Tidelands, dirigida por Stephen M. Irwin, não pensei muito em dar o famigerado play. Contudo, e infelizmente, não consegui passar do quarto episódio.

O seriado acompanha a história de Cal McTeer (Charlotte Best) que, após ficar 10 anos na prisão, retorna à sua cidade, a vila de pescadores Orphelin Bay, em busca de respostas. Ao longo da trama, vamos sendo apresentados a um conflito entre pescadores, contrabandistas e Tidelanders. Os integrantes da “tribo” fornecem, aos criminosos, um material precioso que é retirado do fundo do mar. Logo de cara, já é possível perceber que todo mundo está envolvido com o mundo do crime de alguma forma. Mas na minha visão, não fica muito exposto o motivo do contrabando, nem por que os barris estão no fundo do mar (e nem mesmo sabe-se sua importância de fato).

Se você for assistir sem ler muito sobre a série, pode ser que demore a entender quem são os participantes da tribo. Como eu só sabia que era uma série sobre sereias, estava chocadíssima com o fato de que as sereias não tinham cauda. Mas, na verdade, os Tidelanders não são sereias, nem tritões. Eles são filhos gerados entre humanos e as tais figuras míticas. Por isso, possuem habilidades especiais, como respirar embaixo da água, bem como controlá-la. Também apresentam forte poder sexual e poder de convencimento.

Você imagina meu susto quando vejo o brasileiro Marco Pigossi num inglês solene no meio daquela doideira? Ele interpreta Dylan, aspirante a braço direito de Adrielle Cuthbert (Elsa Pataky), a líder dos Tidelanders. Como muita coisa na série, a intenção de Adrielle como líder e como contrabandista fica muito nublada. Ela parece estar em busca de reconstruir um amuleto perdido, mas até o quarto episódio não sabemos por que e nem o que ele é capaz de fazer.

Eu sou fã de séries de suspense e de thrillers psicológicos e, por isso mesmo, não acho que seja necessário entregar sempre tudo ao telespectador. Inclusive, adoro ser surpreendida no meio da trama por reviravoltas e mais reviravoltas. Porém, acredito que Tidelands peca ao querer segurar demais os segredos e os mistérios da vila, de Cal e de sua família, e claro dos Tidelanders.

É preciso muito mais do que um “acompanhe para saber o mistério” para segurar uma audiência. É preciso revelar as partes certas, nos momentos certos, afinal precisamos de uma história concreta para acompanhar. Como em um grande quebra-cabeças, porém, o seriado parece ir revelando peças aleatórias, localizadas à margem do jogo. Sem contar que a protagonistas não é nada carismática. É egoísta e mimada e vive causando um caos desnecessário onde passa. Se for pra causar o caos, que seja como Tyler Durden, né?

Particularmente, achei o roteiro confuso, os personagens fracos e a história parece não avançar. Confesso que houve, sim, uma vontade, breve, de acompanhar até o fim para saber onde aquela história doida iria chegar. Mas aí vieram outras séries, né? Que me pegaram de um jeito muito mais rápido do que Tidelands. A ideia de pensar como seria a vida dos filhos que nascessem da relação entre homens e sereias é ótima. Mas a execução australiana, para mim, deixou a desejar.

E você que já assistiu me conta, o que achou?