Foi um final de temporada épico? Não, é claro que não foi. Aliás um final de temporada épico nós não vimos faz é tempo, hein? Saudade daquele desespero ao final da sexta temporada quando Lucille desceu sem dó não sabíamos em quem. Ainda assim foi um final digno para uma temporada sofrível, perdida e que cometeu erros terríveis.

Com a audiência em queda livre nos Estados Unidos – que é o público que conta, vamos deixar claro -, duras críticas da mídia especializada e o descontentamento de partes importantes do elenco, a série não deu conta de se reinventar e arriscar novos caminhos. Seguiu até 0 16º episódio tropeçando nas próprias pernas, nos empurrando personagens com os quais não nos importamos e tentando resumir o mundo em uma dicotomia inaceitável.

Não adianta engrossar o coro do pessoal que diz “quem é fã sempre vai gostar e apoiar”. Isso não produtivo para um produto midiático e além disso, é infantil. É preciso prestar atenção nos inúmeros erros que a temporada cometeu (bem como a anterior) e na forma amadora como as coisas têm sido conduzidas.

O roteiro da oitava temporada, em uma decisão burra matou o personagem que era possivelmente o futuro do show. Além disso, a forma arrogante e pouco profissional com que Chandler Riggs foi desligado do elenco foi asquerosa. Não bastasse isso, a AMC não acha digno que Lauren Cohan receba o mesmo salário que Norman Reedus, que fala 7 palavras por temporada. A atriz inclusive não conseguiu chegar a um acordo justo com o canal. Ela já está escalada para o piloto de uma nova série e será liberada para a nona temporada de The Walking Dead. Caso o piloto da nova série seja aprovado e uma temporada encomendada, pode chorar TWD porque vai perder uma personagem fundamental.

Bom, a oitava temporada dá um desfecho para a Guerra Total. Talvez não o que a maioria das pessoas desejava, que era a morte de Negan, mas um que coloca Rick como misericordioso. O vilão vai sobreviver mesmo que tenha levado uma facada no pescoço, pouco crível, mas paciência. Mas não são todos que concordam com as decisões de Rick e Michonne. Maggie, Daryl e Jesus não estão satisfeitos com como as coisas terminam e deixam um gancho sensacional para a próxima temporada. Já passou da hora da série colocar seus personagens chave em discordância.

Eugene, mesmo contra todas as minhas teorias ganha uma redenção, que aliás é o garante o sucesso do team Rick. Não fosse pelo pedante insuportável, Hilltop, Reino e Alexandria estariam reduzidos a corpos no chão no alto da colina. A cena dos Salvadores aparecendo  enfileirados foi muito bem feita, bem como as cenas de ação que quase nunca decepcionam em The Walking Dead. O soco de Rosita nas fuças de Eugene foi MARA, eu queria mais.

As mulheres de Oceanside aparecendo com aqueles coquetéis molotov que quase poderiam colocar fogo nos muros de Hilltop só não foi pior do que Enid sequer dando conta de carregar o bebê durante a fuga. Alô produção, a gente troca uma Enid, toda Oceanside e o Aaron pelo Carl.

Fiquei com a impressão de que para a próxima temporada Maggie possa encontrar um novo Glenn, visto a conversa mole do Alden. Principalmente se ele realmente estiver comprometido a colocar em prática todo o conhecimento dos livros para a comunidade funcionar melhor. Até novo amor a Maggie vai ter, mas barriga de grávida nada!

Bom, não houve nenhuma morte na season finale e nenhuma grande tensão que nos fizesse duvidar por um minuto no desfecho de Rick vencedor. Me agradou o desfecho dado a Dwight que apesar de ter feito muita merda, encontrou a redenção como agente duplo. Daryl deixa-lo na floresta com um carro e a vida o mandando encontrar Sheryl foi o melhor que podia acontecer a ele. No mais, aguardamos a próxima temporada, que a série possa reencontrar seu caminho com novas tramas e menos personagens supérfluos.

The Walking Dead 8×16