Por mais que o roteiro todo cagado dessa temporada quisesse nos fazer acreditar que Negan é burro, chegou um momento que não deu mais pra sustentar essa narrativa. É provável que o mesmo tempo que Rick e o grupo de Atlanta levaram lutando e pulando de abrigo em abrigo, Negan tenha levado para conquistar seu pequeno império. Não é possível acreditar que um personagem é burro quando ele lidera sua própria comunidade com mãos de ferro e ainda dita o ritmo de pelo menos outras duas.

Com isso em mente, esse foi um episódio cheio de reviravoltas que colocaram o vilão na melhor posição que ele já esteve desde o começo de sua rusga com o xerife. Há neste episódio uma série de eventos que encaminham a luta final entre o Santuário e o que restou das demais comunidades. Salvo pequenos deslizes, um episódio melhor do que a média dessa temporada.

Negan retorna muito dono de si e do pedaço ao Santuário e pega Dwight, mas principalmente Simon, de surpresa. Simon já estabeleceu território, fez alianças, planos e se preparava para um ataque massivo quando dá de cara com o líder são e salvo. D. sabe que nada de bom pode vir da mudança de poder de Negan para Simon, mas tenho a impressão de que o retorno de Negan também não o faz mais feliz. Afinal, nem mesmo nós sabíamos se seu jogo duplo havia ou não sido descoberto.

Entre todos os diálogos de Negan com seus tenentes, o que o coloca novamente na pele de um líder não tão ruim é a descoberta de que assim como Simon foi o responsável por dizimar o povo do lixão, foi ele também o responsável pelo massivo ataque à Oceanside. Convenhamos que isso não livra Negan das culpas que tem, mas coloca o vilão da temporada em uma posição muito mais misericordiosa do que a do seu tenente.

Assim, com um brihante jogo de disfarces, Negan desmascara seus dois homens fortes. Dá fim em Simon e Dwight, reservando a esse último a informação de que ele será o responsável por Rick e seu grupo caírem direitinho em uma armadilha. Convenhamos, o plano traçado por Negan para pegar seu próprio pessoal foi diabólico. Suas ações e decisões o consolidam no poder do Santuário mais uma vez e, quando Michonne aparece tentando um pouco de misericórdia ao ler a carta deixada por Carlinhos, já é tarde demais.

Apesar disso tudo, era previsível que Negan voltaria bem puto e, de algum jeito colocaria ordem na sua própria casa. E enquanto tudo isso acontecia no Santuário, no posto avançado de produção de munição, aquele insuportável do Eugene veste uma fantasia de líder com palavras ridículas e miojo com sardinha.

Vivemos a momentânea felicidade de assistir Daryl e Rosita captura-lo, nesse momento fiquei exultante porque preferia o pedante morto e todo mundo sem bala. Além disso, veríamos o grupo de Rick conseguindo uma mínima vitória. Mas em um nojento golpe de vômito ele consegue se desvencilhar de Rosita e despistar os dois, provando mais uma vez como Daryl tem sido absolutamente inútil.

Além disso, nesse episódio conhecemos o teor da carta de Carl para o pai. Muito provavelmente a última participação do menino Chandler Riggs no show. A carta foi tocante, e deixa no ar o legado que Carl gostaria de deixar ao pai. No entanto, ainda que o episódio tenha sido melhor do que a média da temporada ainda está muito distante dos melhores anos que já vivemos em The Walking Dead.

É inexplicável Eugene ter tanto tempo de tela enquanto Maggie não aparece nenhuma vez. Aaron cercando Oceanside e esperando que as mulheres passem a seguí-lo é simplesmente ridículo. Há muitos personagens, e pior, personagens com os quais sequer nos importamos. O show segue medíocre e reflexo disso é sua audiência em queda livre. Aguardemos o desfecho da temporada na próxima semana.

The Walking Dead 8×15