Uma ideia ótima, cheia de reviravoltas, traições e diálogos inesperados. Mas uma execução péssima. Não consigo entender qual a motivação de transformar Rick Grimes em um idiota. É como se cada roteirista simplesmente desconhecesse o passado do personagem. Ele era um xerife, um policial treinado. Mas diante da sua atual maior ameaça, seu maior inimigo, o infeliz não é capaz de acertar um único tiro, descarrega munição, um bem precioso, como se não fosse nada, joga fora um fuzil que acabou de carregar e, mais, não é capaz de acertar um golpe decente no corpo a corpo com Negan.

Não faz sentido. E são essas pequenas coisas idiotas que vão minando a confiança da audiência no show. E não adianta dizer que está melhorando, que vai melhorar. Os números da audiência toda semana provam que o que está acontecendo em The Walking Dead não tem agradado e cada vez menos pessoas alimentam expectativas de continuarem seguindo a série. Isso é triste.

A sequência da perseguição de Rick e Negan também deixa um pouco a desejar. Ao ser atingido, por que Negan não foi em direção ao seu pessoal? Durante a perseguição, por que não vimos os carros capotarem? Muito caro fazer o acidente? Quando Negan cai naquele buraco, como é que ele não tem nenhum machucado? Nem uma perna dolorida, um braço deslocado, nada.

E antes disso tudo, como é que Rick dispensa a companhia de Daryl? Não faz sentido! Principalmente depois de Carl. Rick sabe, ou pelo menos deveria saber, que a lealdade de Daryl é proporcional a sua sede de matar Negan. Se ele tivesse dito que pretendia perseguir Negan caso esse aparecesse, nunca que Daryl tentaria dissuadi-lo do plano. E juntos certamente os dois teriam conseguido capturar o vilão, matar ou seja lá o que Rick está pensando em fazer.

Enfim, a ideia da perseguição, do corpo a corpo, do diálogo dos dois entre os walkers em um ambiente hostil foi absolutamente brilhante, mas a execução, sofrível.

A parte disso acompanhamos o aparecimento de mais um personagem. E convenhamos, com tanta gente morrendo e saindo e a série tendo planos de se manter no ar por bastante tempo, é fundamental que personagens com os quais a gente se identifique e apegue apareçam.

Eis que nesse episódio aprece um novo grupo interessaod em negociar com Hilltop. As mulheres Maggie, Michonne, Rosita e Enid apesar de desconfiadas, resolvem encarar o desafio de descobrir do que se trata. O que se segue é uma ótima sequência delas encurralando a nova personagem, uma senhora muito bem vestida e que nem parece estar vivendo no mesmo mundo que elas, com duas guarda-costas.

Maggie finalmente tem assumido seu lugar de liderança, motivo aliás pelo qual o personagem de Glenn foi sacrificado, para que ela pudesse ascender. E lá vai ela, levando as três novas mulheres como reféns, disposta a confiscar tudo o que elas tinham no furgão.

A nova personagem tem uma proposta um tanto bizarra a primeira vista. Quer parte da produção de Hilltop e discos musicais em troca de conhecimento. E convenhamos, quantos de nós seriam capazes de sobreviver em um mundo pós apocalíptico com o parco conhecimento que temos dos processos produtivos? Nossa água vem da torneira, nossa comida do supermercado. Quantos de nós seríamos capazes de produzir ou construir sem elementos tecnológicos ou consultas ao Google? Assim, ter acesso ao conhecimento milenar de técnicas medievais de produção e sobrevivência é mais do que bem vindo.

É claro que Maggie não sabia o que lhe seria oferecido em troca. Por isso e também pelo medo ela recusa. Mas é Michonne, aparentemente a única que compreendeu o poder do legado de Carl, que a chama para a realidade. É preciso não se entregar ao medo e à descrença no ser humano. E é isso que Maggie faz. Ainda bem! Enquanto Enid tá fazendo hora extra na série, sem entender absolutamente nada e dizendo bobagem atrás de bobagem. Não dá pra trocar Enid pelo Carl, não produção?

Já em outro núcleo, esse sim poderoso, Simon começa a tentar trazer pro seu lado sombrio da força aqueles que ele acredita não estar de acordo com Negan. Simon sabe que por mais que D. tenha se sobressaído a todas as merdas impostas a ele por Negan, certas coisas não são esquecidas dentro de uma pessoa. Por isso, ele começa a tentar pescar no outro tenente resquícios da sua raiva para trazê-lo pro seu lado.

Acontece que Dwight não consegue entender que a intenção de Simon não é acabar com Negan, mas sim com Rick, a viúva e o rei. Simon é um personagem excelente, bem construído e que ao contrário dos outros capangas de Negan, pensa por si só. Não que ele tenha boas ideias e prova disso foi o massacre que cometeu no lixão. Mas o arco de Simon promete que veremos Negan tomar um bele susto com as ações do seu próprio pessoal, e pode ser justamente essas duas frentes de ataques diferentes que vai colocar o reinado do vilão em xeque.

Para finalizar, quando Negan conseguiu fugir do Rick ele foi capturado por ninguém menos do que a Jadis. E agora, queridão, você tá bem ferrado. A lógica é que Jadis mate Negan com requintes de crueldade, como forma de vingar toda sua gente. Por outro lado, Jadis está sozinha e talvez chegue a conclusão de que entregar Negan e fazer as pazes com Rick seja um bom negócio. O fato é que Negan foi capturado e eu espero que os roteiristas não façam a louca e ele consiga escapar ileso e intocado novamente.

Confira a promo do próximo episódio: