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The Walking Dead 8×04 – Some Guy

The Walking Dead 8×04 – Some Guy

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The Walking Dead está viva!

É exatamente essa a essência da série que por anos sustenta o posto de série mais assistida da tv paga norte-americana. Decisões difíceis, perdas impossíveis de superar, salvar a vida de quem importa custe o que custar. Essa é a fórmula que TWD esqueceu na última temporada e na qual não vinha apostando nos primeiros episódios da oitava temporada. Mas agora parece que finalmente tantas promessas serão cumpridas e a série reencontra seu caminho.

Colocar Carol em situações limite sempre foi garantia de episódio bem sucedido. A personagem povoa nosso imaginário como uma das mais fodas da trama. Era vítima de um marido violento. Perdeu a filha por bobagem durante o apocalipse. Quebrou todas as regras morais para defender as pessoas que amava. Mesmo afastada do seu grupo provou-se essencial para a sobrevivência deles. Carol é a fodona da série. Qualquer um que acompanhe a trama desde o início sabe disso.

No entanto, em péssimas decisões de roteiro nas duas temporadas anteriores a personagem ficou apagada e, tirando algumas passagens de alívio cômico, relegada a um papel que não combina com ela. Mas nesse episódio, em uma decisão muito inteligente, o roteiro a coloca novamente onde deve estar, no centro dos acontecimentos.

Carol não estava junto aos soldados do Reino. Se você se lembra, logo que eles chegaram ela avisou que encontraria uma maneira de entrar. Então, enquanto chovia bala no exército de Ezekiel, Carol se esgueirava entre os corredores do posto dos Salvadores. No melhor estilo Carol, se escondeu e matou furtivamente quem ela pôde.

Enquanto isso, Ezekiel ressurgia das cinzas em meio a seu exército dizimado. E nos dava uma certa esperança de que sua salvadora seria Carol. É inegável o clima entre os dois desde a temporada passada. Mas não, o rei precisou não de uma salvadora mas de três. O primeiro foi um de seus soldados, abatido covardemente pelas costas pelo salvador mais esquisito que já vimos na série.

Fugindo de uma pequena horda, sem conseguir abrir um portão com cadeado, o rei estava prestes a ser morto e decepado para que Negan pudesse exibir sua cabeça nos portões do Santuário, quando o machado de Jerry surge implacável e parte o salvador ao meio. Mortal Kombat inclusive deveria requerer direitos autorais, pois a cena foi muito fatality.

Juntos, Jerry e Ezekiel começam a lutar para conseguirem se livrar da horda e saírem dali com vida. Enquanto isso, Carol arma um pequeno plano para não deixar os salvadores remanescentes escaparem com as armas de grosso calibre que estavam escondidas naquele posto e que serviram para abater o exército do Reino.

É nesse momento que Carol é colocada mais uma vez à prova. Ou ela continua atacando os dois últimos salvadores, ou ela pode virar-se e salvar Jerry e Ezekiel. Não tenho dúvidas que algumas temporadas atrás Carol partiria para cima dos salvadores e quem fosse forte que se salvasse. Mas nesse ponto, em que se desenvolve esse princípio de relacionamento entre ela e Ezekiel e que tanta gente já foi morta, de maneira consciente ela escolhe salvar seus novos amigos do Reino.

Por um segundo achei a decisão questionável dentro da trajetória da personagem. Mas é preciso apostar que Carol aprendeu com seus próprios erros e decisões impulsivas. A força da personagem não vem apenas de sua capacidade de se arriscar a fazer o impossível, mas também de dar um passo atrás para que possa efetivamente avançar mais tarde.

E é assim que assistimos Jerry, Carol e Ezekiel seguindo em direção ao Reino, com Ezekiel baleado na perna e os outros dois tendo que apoiá-lo. E é essa sequência que trás o que de mais triste poderia acontecer nesse episódio. Em um momento muito emocional surge Shiva, e assim como falei no primeiro episódio dessa temporada, surge para morrer. Shiva ataca um grupo de walkers que ameaçava a caminhada de Jerry, Ezekiel e Carol, mas eles são muitos e vencem a tigresa.

Apesar de acreditar que um tigre lutaria com mais violência e, ainda que fosse derrotado, não seria de maneira tão fácil, a cena foi tristíssima e ainda agora posso ouvir o rugido da felina. Ezekiel sofreu profundamente a perda de sua melhor amiga, assim como nós do outro lado da tela. Shiva não era apenas um luxo do líder do Reino, era um símbolo. Ezekiel a conquistou aos poucos, não a domou, mas ganhou sua confiança e lealdade o que foi a força motriz para transformá-lo no líder da comunidade mais organizada que vimos até então.

A morte da tigresa prova que será preciso muito mais do que apenas a morte de uma única pessoa para que a paz seja restabelecida. Fazia tempo que The Walking Dead não me fazia sofrer assim como com a derrocada da felina. A única certeza é que a AMC passa a economizar um bom dinheiro em CGI, que aliás era absolutamente perfeito.

Todo desenrolar do episódio acontece de maneira totalmente bem encadeada. Não há um ponto do episódio que se perca ou não dialogue com o resto. Apesar da total incapacidade do roteiro nos apresentar uma linha do tempo que faça sentido nos três primeiros episódios, nesse ponto compreendemos que finalmente os grupos começam a retornar para casa. Depois de sua primeira vitória ou derrota.

A cena final de Daryl e Rick em perseguição aos seguidores que Carol deixou fugir, também trouxe de volta os bons tempos de TWD. Os dois super sincronizados, parceiros e ferozes, como a dupla deveria ser sempre. Enfim, as armas foram roubadas, Ezekiel e Carol estão vivos, Daryl e Rick seguem trabalhando juntos – por enquanto – e fica nossa dor pela perda da Shiva. Além disso, minha esperança para que TWD finalmente tenha se reencontrado e mantenha esse ritmo e foco nos próximos episódios.

Confira promo do próximo episódio:

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