The Last of Us: Final Explicado da 2ª Temporada

Baseada na aclamada franquia de jogos da Naughty Dog e sob a direção criativa de Craig Mazin e Neil Druckmann, a segunda temporada de The Last of Us expande o universo pós-apocalíptico focado em Ellie (Bella Ramsey) e sua busca implacável por vingança. Após os eventos traumáticos em Jackson, a narrativa se desloca para uma Seattle devastada pela guerra entre facções.

Atenção: Este artigo contém spoilers cruciais sobre o desfecho da temporada.

A tese central desta temporada é que a obra é uma tragédia sobre o ciclo vicioso da violência e as consequências da obsessão. Enquanto a primeira temporada explorou o que se faz por amor, a segunda demonstra como a vingança pode desumanizar tanto o caçador quanto a presa, culminando em um cliffhanger que redefine o protagonismo da série.

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Final Explicado: O que acontece no desfecho de The Last of Us?

O último episódio da temporada leva a tensão ao ápice no confronto dentro de um cinema abandonado em Seattle. Após Ellie localizar o esconderijo de Abby (Kaitlyn Dever) no aquário e matar Mel e Owen, ela se reagrupa com Tommy (Gabriel Luna) e Jesse (Young Mazino) na base temporária do grupo.

O Confronto no Cinema e a Morte de Jesse

A calmaria no lobby do cinema é interrompida por sons de luta. Ao correrem para investigar, Jesse é atingido por um tiro imediato disparado por Abby, que rastreou o grupo. Pelo estado em que o personagem cai e a ausência de reação posterior, as evidências sugerem que Jesse está morto, uma perda devastadora considerando que ele estava prestes a se tornar pai.

O Cliffhanger: Quem atirou por último?

Abby mantém Tommy sob a mira de sua arma, ferido no chão, e confronta Ellie. “Eu deixei você viver”, diz Abby, referindo-se ao incidente na cabana em Jackson. “E você desperdiçou isso”. No momento em que Abby levanta a arma e Ellie grita desesperada, a tela corta para o preto e ouvimos um único disparo.

Embora o destino de Ellie pareça selado, a lógica narrativa sugere que ela sobreviveu. A ausência de Dina (Isabela Merced) na cena principal levanta a forte possibilidade de que o tiro final tenha sido disparado por ela para salvar Ellie, ou que o disparo tenha atingido outra parte do cenário em meio à luta.

O Plot Twist: Seattle Dia Um

Após o apagão, o episódio não encerra a história de forma linear. Ele retrocede três dias no tempo com a legenda “Seattle: Dia Um”. Vemos Abby sendo convocada por Manny (Danny Ramirez) para encontrar o líder da WLF (Frente de Libertação de Washington), Isaac (Jeffrey Wright). O episódio termina com Abby observando a imensa base da WLF dentro de um estádio, indicando uma mudança radical de perspectiva para o futuro.

Entendendo o Significado: Metáforas e Simbolismos

O desfecho de The Last of Us utiliza o recurso do blackout (corte para o preto) como uma ferramenta de paralisia emocional. O silêncio e a escuridão após o tiro simbolizam o vácuo moral em que as protagonistas se encontram: ambas perderam quase tudo o que amavam em nome de uma justiça que não traz paz.

O Estádio como Símbolo de Civilização Distorcida

A imagem final de Abby observando o estádio transformado em fortaleza pela WLF funciona como um contraponto visual à jornada solitária de Ellie. Enquanto Ellie atravessa Seattle como uma força de destruição individual, Abby faz parte de uma engrenagem militar organizada. O estádio simboliza uma tentativa de reconstruir a sociedade, mas sob o custo de uma guerra brutal contra os Serafistas.

A Simetria dos Flashbacks

O uso do flashback no encerramento, repetindo a técnica usada com Joel anteriormente, serve para humanizar o “monstro”. Ao voltar para o primeiro dia de Abby, a série força o espectador a entender que, enquanto Ellie vivia seu luto e ódio, Abby também tinha suas próprias motivações, medos e conexões políticas com Isaac.

Qual a mensagem da 2ª Temporada de The Last of Us?

A mensagem temática central é o custo da perspectiva única. O filme (ou série, neste formato episódico) argumenta que a vilania é frequentemente uma questão de onde a história começa a ser contada.

Temas Universais Abordados:

  • Vingança e Perda: A jornada de Ellie prova que a busca por retribuição não cura o luto por Joel, apenas acumula mais corpos, como os de Jesse, Mel e Owen.
  • A Fragilidade da Esperança: A morte súbita de Jesse serve como um lembrete cruel de que, neste mundo, planos para o futuro (como a paternidade) podem ser apagados em um segundo.
  • Identidade e Faccionalismo: O conflito entre WLF e Serafistas, ecoando no fundo da trama principal, mostra como o ódio tribal consome comunidades inteiras, não apenas indivíduos.

A jornada de Ellie prova essa mensagem através do seu fracasso em encontrar satisfação. Mesmo após matar quase todos os amigos de Abby, ela termina a temporada acuada, ferida e vendo seus entes queridos morrerem ao seu redor, provando que a vingança é um caminho sem saída.

Conclusão

O final da 2ª temporada de The Last of Us é um exercício magistral de tensão narrativa que utiliza o cliffhanger para preparar o terreno para uma mudança de ponto de vista. Narrativamente, o desfecho é extremamente coerente com o tom sombrio da obra; ele se recusa a dar respostas fáceis ou fechamentos satisfatórios, optando por deixar o público na mesma incerteza e angústia que define a vida de seus personagens.

Ao terminar com a perspectiva de Abby, a série desafia o espectador a confrontar seus próprios preconceitos e a se preparar para uma terceira temporada que explorará o “outro lado” da moeda com a mesma intensidade visceral.

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Magui Schneider
Magui Schneider

Como Editora-Chefe do Séries Por Elas, Magdalena (Magui) é responsável pela curadoria e tom editorial do portal. Magui traz um diferencial único: sua formação como Psicóloga (CRP-RS 07/27539). Ela utiliza sua expertise no comportamento humano para enriquecer as críticas de cinema e TV, oferecendo uma visão analítica e humana sobre o desenvolvimento de personagens e tramas.

Especialista em narrativas de drama, romance e comédia, a ‘Little Monster’ fã declarada da Lady Gaga, traduz sua visão profissional em análises que conectam o público às emoções das telas. É ela quem garante que, aqui, a paixão de fã e a análise séria andem de mãos dadas.

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