Nada como um bom episódio clássico de The 100, com todos os elementos que fizeram os fãs se apaixonarem pela série, para dar (ainda mais) ânimo para esse início de temporada. Tem muita cena no espaço, ótimas lutas, mais debates sobre moralidade e sobrevivência e o mais um início para Bellamy e Clarke e seu relacionamento – se você concorda que é amoroso ou não – que sempre setou o tom da série.

Para começar, que belos paralelos entre a recepção de Clarke e Madi com Dyoza e os militares da nave Eligius que acaba de chegar no Éden e vice-versa. A maneira com que a Coronel fala com Clarke é muito parecida com a maneira com que ela e Bellamy se dirigiam aos Grounders nas primeiras temporadas, especialmente o discurso de “esse também é nosso lar”, “não queríamos fazer nenhum mal” e “não sabíamos que haviam mais pessoas na Terra”. Clarke até chega a copiar Lincoln nas primeiras horas de sua captura pelos delinquentes na primeira temporada, fingindo que não falava inglês para evitar um interrogatório.

Mas Madi é a prioridade número um para esta versão materna de Clarke e, no momento que a garota parece estar em perigo, ela cede para uma conversa, o que pareceu atualizar Dyoza e seus comparsas sobre tudo o que rolou nas temporadas passadas, não é mesmo? A coronal ficou até sabendo sobre o brunker e a existência de uma médica, Abby, lá dentro.

Do outro lado, Clarke também fez suas descobertas. Parece que o soldados da Eligius são da nossa timeline atual, julgando pela breve cena entre Shawn e Clarke, onde ele comenta sobre sua Harley e sua vida antiga vida em Detroit. Há também a clara insinuação de que Shawn é o elo fraco de lealdade com Dyoza, já que ele provavelmente vem de outra nave de sobreviventes.

Mas e depois que Clarke revelasse toda a verdade? Dyoza provavelmente expulsaria Clarke e Madi do Éden que elas mesmas encontraram, ou faria algo pior. Logo, a chega de Bellamy e a turma do espaço, embora tenha causado conflito entre Dyoza e Clarke, que havia jurado só haver ela e Madi naquelas terras, acabou também salvando a garota.

E que salvamento, não é?! Foi tudo muito bem amarrado: o momento da tripulação no espaço descobrindo, pela nave da Eligius, que o pessoal que acaba de chegar na Terra é uma ameaça, a descoberta ainda mais chocante dos quase 300 prisioneiros dormindo no gelo por mais de cem anos na nave, o perigo iminente de voltar para casa ou de ficar no espaço, a despedida de Raven (sempre heroína, né?) e Murphy para que se tornassem o elo com Bellamy e os outros e, finalmente, a chegada à Terra.

Com destaques, é claro, para os momentos preciosos: que Emori consegue dirigir todos em segurança, que Madi reconheceu Bellamy e falou sobre Clarke. E depois, quando Bellamy e Clarke, em posições diferentes, orientaram Madi para fugir e se esconder com Echo, Emori, Harper e Monty.

Embora todos tivessem preocupações e opiniões diferentes sobre os valores das vidas dos prisioneiros lá no espaço, a antecipação de Bellamy em usá-los como barganha com Dyoza. E eu não vou nem mencionar a audácia dos escritores em colocar aquele diálogo entre Bellamy e a coronel, em que ela questiona a importância da vida de Clarke para ele. Depois os caras vem se esquivar e dizer que eles não têm conotação amorosa.

– 283 vidas por uma. Ela deve ser muito importante para você.

– Ela é.

Enquanto tudo isso rolava no chão, sobrou a Murphy e Raven a continuação da saga de conciliação entre os dois. Ele não tinha ideia de que, na verdade, não havia uma maneira de escapar dali em alguns anos. Raven só havia dito aquilo para que Bellamy seguisse e a deixasse monitorando tudo lá de cima (altruísta sempre, né?). Então tá aí: um plot que você não esperava em The 100, nem sabia que poderia acontecer, mas agora que aconteceu, não dá para viver sem.