Na premiere da quinta temporada de The 100, faltou pouco para que a protagonista Clarke tivesse tido um episódio só para ela – e a atuação de Eliza Taylor provou que ela podia ter segurado um roteiro solo. Já a Octavia de Marie Avgeropoulos ganhou este privilégio, em partes, claro, pois a última coisa que se está no bunker em Polis é sozinho. De qualquer modo, o segundo episódio dessa fase ainda foi sobre Octavia e o seu desenvolvimento constante desenvolvimento, que começou lá atrás, na primeira temporada. De adolescente para líder de todos os clãs, passando por guerreira sanguinária, claro.

Ao longo das minhas resenhas por aqui, sempre me preocupei sobre como todas essas fases de Octavia foram se desenrolando ao longo das temporadas. Claro que nada foi da noite para o dia, mas também não significa que a garota esteja necessariamente crescendo, apenas mudando. O que é compreensível e faz sentido para a personagem – acho que finalmente estou fazendo minha paz com isso. Pensa comigo: não deve ser nada fácil passar a vida escondida em uma nave no espaço para sair de lá e descobrir que o mundo ainda está acabando e a humanidade continua um lixo.  

O episódio “Red Queen” continua da última atualização sobre bunker que tivemos no final da quarta temporada, explicando como Octavia chegou a tornar-se a verdadeira líder de todas as tribos e tomar atitudes drásticas e sanguinárias.

No fim da quarta temporada, vemos uma Octavia ainda divida com pelo seu pertencimento (ou não pertencimento?) a SkaiKru e Grounders. Ela então decidiu usar o seu poder de vencedora do conclave e unir a população de 1.200 pessoas dentro do abrigo e salvar a todos, propondo a quebra do esquema de clãs e instalando a Woncru (One Kru). Contudo, a vitória foi de uma Octavia misericordiosa, que queria encerrar guerras e brigas e o primeiro motim dentro do abrigo fez o jogo virar.

Tudo começou pelo momento frustrante que cruzou com o primeiro episódio, em que Abby ouve os apelos de Clarke do lado de fora (embora sem certeza de que era sua filha) e tenta abrir a porta do abrigo sem sucesso. Assim, se descobre que o bunker, subterrâneo, acabou ficando embaixo de toneladas de pedras, tornando a saída após o Praimfaya impossível. A informação acaba sendo vazada para a população, que entra em pânico.

Uma parcela desse povo, liderado por uma antiga fazendeira da Arca, Kara, colocam em ação um motim que consiste em deixar as tribos de grounders de fora do acesso a comida e alimentação. O famoso, “sobra mais pra nóis”. A “beleza” do trama de Kara neste roteiro é que ele não é solto, sem sentido. Ao contrário. O ponto de vista dela pode ser compreendido. Imagine o desespero de uma mulher que acabara de perder o marido para o sorteio de habitação do bunker e o pai para as injustiças da Arca.

Mas é claro que sua decisão ainda era drástica e injusta com o que a suposta líder do pedaço, Octavia, havia escolhido, já que é basicamente uma regra dessa série colocar situações que não tem exatamente certo ou errado.

Enquanto o motim se seguia, Octavia estava quase perdendo a moral como líder, pois ela mesma se via como uma guerreira somente. Ao mesmo tempo, a responsabilidade chamava, personificada basicamente por Gaia e Indra, e a garota teve que se arriscar para consertar as coisas ao lado de Jaha, engenheiro e conhecedor da estrutura do abrigo.

Mais uma vez, Jaha engaja em um discurso, já dado para Clarke e para Bellamy, sobre decisões difíceis que devem vir junto com a liderança. O que rendeu bons discursos para a despedida do personagem que, embora tenha liderado muitos plots em temporadas anteriores, já estava na hora de ir. Não havia mais muitos caminhos para Jaha na história.

A questão seguinte foi a maneira com que as palavras do ex-líder ressonaram para Octavia, que não viu outra saída se não unir a única coisa que aprendeu a fazer bem na terra, lutar, para provar sua liderança, mais uma vez.  

Toda a cena é muito impressionante. Octavia desafia os grounders revoltados e a skaikru traidora para desafia-la diretamente com uma frase que, sem dúvida, impactou a ponto de tornar-se bordão da série: “Você é Wonkru, ou você é o inimigo de Wonkru”. E então ela derruba um a um, criando depois a ideia da arena de batalhas onde estes inimigos, se surgirem, devem se enfrentar por suas vidas, provando uma lição para os demais moradores.

Mas, seis anos depois, como isso se desenrola? É claro que ainda haverão desavenças e infrações dentro do bunker, do mesmo jeito que houveram na Arca, o que fazia Jaha e Kane tomaram decisões de matar membros no espaço. Ou seja, não precisa de muito para apostar que esta ideia de Octavia não deu certo.

Ainda assim, os roteiristas nos deram um gostinho do desespero, ao ver o feitiço virando contra Kane, que é jogado na arena, seis anos depois, para lutar por sua própria vida e encara lá de baixo, uma Octavia que abraçou completamente esta persona de Red Queen. Que maneira de acabar um episódio, não?