Supergirl 3×09 – Reign: Com uma luta de tirar o fôlego, Supergirl entrega uma das suas melhores mid finale (se não a melhor).

Supergirl pode não ser conhecida por sempre ter as melhores lutas, mas deveria. Quem lembra da luta Supergirl e Rhea? Ou da luta icônica que faz parte dos quadrinhos, Supergirl e Superman? Quem assiste as outras séries de heróis da CW sabe o quanto elas pecam em uma boa luta. Felizmente Supergirl (ainda) não começou a pecar nesse quesito e toda temporada nos presenteia com excelentes cenas de luta.

Reign acordou e, com isso, o seu senso de justiça acordou junto. Quando se fala em uma matadora de mundos, imediatamente vem em nossa cabeça ela, literalmente, destruindo a Terra da mesma forma que aconteceu com Krypton, mas vimos que não é bem assim.

Reign tem a justiça cega. Primeiro ela mata e em nenhum momento ela faz perguntas. Quem cometeu um crime, independente de qual seja, não vai se livrar tão fácil dessa e muito menos vai responder por ele na justiça. Reign é a verdadeira limpadora de criminosos.

Ela e a Supergirl poderiam trabalhar juntas? Claro que não. Ambas têm pensamentos totalmente diferentes de como manter a cidade a salvo, mas elas poderiam entrar em um acordo se Kara não se achasse a dona de National City.

Não estou dizendo isso como uma coisa ruim. O amor que Kara tem por sua cidade é inegável e ela tem mesmo que proteger a cidade com todo o seu sangue, caso contrário vira uma zona só. Mas, quando Kara Danvers/Supergirl enfrenta vilões que batem de frente com ela, a Garota de Aço costuma bater mais de frente ainda.

Reign é daquelas vilãs que não são fáceis de lidar pelo fato de acreditarem que estão fazendo justiça, então nada que digam para ela fará com que ela acredite que não está fazendo o certo. Então, qualquer pessoa que entra em seu caminho, atrapalhando a justiça com as próprias mães que ela foi predestina a fazer, também vira algum tipo de criminoso e entra para a lista de mortes dela.

Foi isso que aconteceu quando Kara acreditou que poderia lidar com ela. Tudo isso movido ao próprio senso de justiça que ela tem e também pela surra que ela deu no Clark. Afinal, ela derrotou o próprio primo, logo ele, considerado um deus da mesma forma que ela é considera, portanto o que seria mais uma kryptoniana para sua lista de derrotados?

O único problema é que esqueceram de avisar a Kara que Reign foi criada para ser alguém muito mais forte que ela. Reign tem o apelido de matadora de mundos, então é meio obvio que ela seja mais forte que a Supergirl. E, na verdade, avisaram sim sobre a força da Reign. O moço doido do episódio do culto, que tem mais conhecimento que a Alura, que carrega o conhecimento de 28 mil Galáxias, chegou até a dizer que Reign era o diabo, então menosprezar a força da kryptoniana foi um grande equívoco.

Quantos podem dizer que lutaram com a Supergirl e a deixaram entre a vida e a morte? Absolutamente nenhum dos vilões que passaram por essas 3 temporadas. Podem tirar os poderes delas, podem fazê-la sangrar, mas em nenhum momento um desses vilões a levou ao ponto de ter que ser entubada.

Reign conseguiu, em uma das cenas que entraram para a lista de inesquecíveis. A forma que montaram a cena foi uma das mais espetaculares. Primeiro elas começam se enfrentando em meio a uma confraternização de Natal, com uma música natalina, como se dissesse “ah é só mais um dia normal em National City”, após isso tudo vai ficando mais intenso, violento e obscuro. Kara tenta, reage, tira forças da onde não tem, e quando pensa que conseguiu derrotar Reign, ela aparece toda plena, sem um único arranhão, carregando uma porta pegando fogo e continua sua missão de matar a Supergirl.

Eu amo a Supergirl, amo tudo que ela representa para National City, mas sabe o quanto é emocionante vê-la lidando com esse tipo de vilã? Todo herói tem seu grande inimigo e Reign, até o momento, é esse grande inimigo da Supergirl. Isso tira um pouco daquela alusão de a Supergirl é indestrutível e traz uma nova dinâmica para série – pelo menos eu espero que traga.

Ninguém que é jogado daquela altura e fica entre a vida e a morte, acorda sem nenhum trauma. Independente de Kara ter dito que não tinha medo da Reign, quase morrer daquela forma deve trazer mais perspectiva as coisas. Deu para ouvir os ossos da Supergirl quebrando, então por um tempo, sempre que ela ouvir falar o nome da Reign ou ver o símbolo, nada mais justo do que ela tremer na base, pelo menos até Alex fazer um grande discurso motivacional – depois dela também superar o medo de quase perder a irmã, claro.

E, quando é dito que Reign é a melhor coisa que aconteceu em Supergirl, ninguém está exagerando. Odette Annable é de uma falta de educação sem fim atuando. Nesse episódio, em especial, quem era o louco que queria piscar na hora das cenas dela? Impossível querer perder cada frame de quando Reign dava as caras. E, novamente, isso ficou muito em evidência.

A Sam está ali, claro que ela está, mas o quanto que ela está no controle? Mais uma vez entra a questão do coração partido. Todas as cenas com a Ruby aumentam a carga emocional do quanto esse plot é tão bom que chega a ser injusto o possível futuro que essa família vai ter. Chega a ser injusto Sam perder as duas grandes amigas que fez. Pois sim, independente de não terem se aprofundando mais em como começou a relação da Sam e da Lena e a única base que temos da grande amizade entre Sam e Kara foi o episódio que elas limparam o nome de Lena, é sempre bom ver três mulheres poderosas sendo melhores amigas, dizendo com todas as letras que se amam e se emocionando com esse tipo de declaração.

Isso traz até um pouco de esperança para quando descobrirem que a Reign é a Sam, tanto Lena quanto Kara vão tentar ajuda-la. Afinal, quantas vezes Kara não ajudou a Lena quando tudo estava contra a empresária?

Outra coisa que tem que ficar registrado aqui é o quando Odette e Melissa funcionam bem. Todo mundo costuma ter preocupação somente com química de casal, mas a química das duas como amigas e inimigas também é impressionante. Isso só eleva mais ainda o nível de atuação de ambas, pois Melissa também continua se mostrando uma excelente atriz e o quanto ela continua crescendo nesses tipos de cenas.

Claro que um episódio que nos trouxe a melhor luta de Supergirl, também nos traria decepção. Os produtores não conseguem nos entregar um episódio 100% satisfatório, deve fazer parte do contrato isso.

Nós fechamos os olhos, tentamos nos convencer do contrário, pois qualquer pessoa com bom senso não chegaria nem a cogitar um absurdo desses, mas não teve jeito, Lena e James aconteceu.

Na primeira temporada James era somente o interesse amoroso da Kara. Não funcionou. Primeiro que não tinha química nenhuma entre os dois, segundo porque James vivia duvidando da capacidade da Kara de ser uma super-heroína e toda hora vinha com graça de chamar o Clark para ajudá-la.

Na segunda temporada tentaram fazer algo diferente, tentaram torna-lo um herói. Também não funcionou. A história que o motivou não convenceu e ele sempre queria ser maior do que a Kara. Se James como interesse amoroso não funcionou e também não funcionou como herói, qual deveria ser o passo sensato a se tomar. O óbvio era deixa-lo como Guardião em um momento ou outro e, fora disso, deixa-lo somente como editor-chefe da Catco – ou despachá-lo de vez da série.  Afinal, ninguém quer homem tendo protagonismo em série de mulher, certo? Mas desde quando os produtores de Supergirl vão pelo obvio ou até mesmo pelo coerente?

James sempre julgou Lena por seu sobrenome. Até alguns episódios atrás ele ainda estava a julgando por seu sobrenome. Se dependesse dele, Lena estaria mofando na prisão, tendo em vista que ele era contra Kara ajuda-la. Então, da onde tiraram base que seria uma excelente ideia tornar Lena e James um casal? Fora isso, da onde tiraram que Lena é uma donzela em perigo que precisa constantemente ser salva por ele? Episódios atrás ela foi até o Edge pronta para mata-lo, ela não precisava do James como o seu guarda-costas.

Além de uma história para fazer com que a gente acredite no casal, falta química. Algo que chega a ser impossível, pois Katie McGrath tem química até com as televisões da Catco. Chega a ser revoltante ter que aguentar mais uma temporada de um casal sem pé nem cabeça, até os produtores verem que não agrada, não convence e que não deveriam nem ter insistido para, finalmente, acabarem com o casal que nem fizeram com Kara e James no começo da segunda temporada.

Forças ao ícone, no caso, nós, por termos que aguentar essa ladainha tudo de novo.

Algo também aberto para discussão é a forma que Kara está agindo com toda a situação Mon-El e Imra. É justificável, embora não seja justo com a Imra. Quem nunca se sentiu mal ao ver ex por quem ainda rola amor com outra pessoa, por favor, faça um tutorial no youtube e ajude as amigas. Mas, toda essa situação, talvez venha para algo positivo. Mon-El está mesmo completamente apaixonado pela Imra. Eles formam um casal bonito. Se isso não for o que Kara precisava para finalmente seguir em frente, então ela não vai conseguir seguir nunca mais.

Única coisa que incomodou foi ela dizendo que a pior coisa que poderia acontecer na vida dela é Mon-El não a olhando com amor, sendo que até uns episódios atrás a pior coisa era não saber se ele estava vivo. Kara Danvers apaixonada é um ser extraterrestre muito complicado, vou dizer para vocês viu.

Supergirl tem o histórico de nos decepcionar com coisas bestas, mas são por episódios como Reign que nós que estamos aqui desde o pilot vazado permanecem assistindo a série. São por vilãs como a Reign que nós voltamos toda a semana para um episódio novo, pois quando os produtores querem, eles conseguem entregar bons plots, com boas cenas de lutas e até mesmo com boas mensagens.

PS: Segura outra referência a Smallville: Reign deixando o seu símbolo por toda National City sempre que fazia justiça era a mesma coisa que o Clark fazia quando se tornou o Blur e resolveu que não iria ser mais “humano”, somente kryptoniano. Só que no caso do Clark, ele não matava ninguém não. Crise de identidade vem no pacote da família El?

Supergirl volta dia 15 de janeiro com a Legião dos super-heróis. Até o ano que vem pessoal!