Pílulas ingeridas com bebidas alcoólicas, lâminas afiadas nos pulsos, cordas enroladas ao pescoço, corpos se jogando de construções. Estas são só algumas das formas mais comuns de suicídio, dentre tantas outras que possam existir.

Eu conheço mais de uma pessoa que já tentou se matar. Por problemas familiares, fins de longos – e nem tão longos – relacionamentos, depressão e outras tantas dificuldades. Você também, com certeza, conhece alguém que já tentou tirar a própria vida. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos ao redor do mundo. Dados de 2014, afirmam que o Brasil é o 8° país com mais suicídios no mundo.

Apesar de desconfortável, esse é um tema sobre o qual precisamos debater e entender melhor. Somente assim, conseguiremos escolher caminhos para ajudar estas pessoas. Por isso, o assunto que antes era tema só em livros e filmes, passou a figurar no mundo das séries. Ainda que seja divertidíssimo assistir a Friends e ver a maneira divertida e inusitada com a qual Phoebe lida com a morte da mãe, que se suicidou quando uma das nossas seis protagonistas favoritas tinha apenas 13 anos, existem outros seriados que abordam o tema com delicadeza, percepção da importância destas discussões e, acima de tudo, sinceridade. Veja abaixo alguns exemplos:

Please Like Me

Dolorosa. Essa é uma palavra que resume bem a série Please Like Me, ainda pouco conhecida, mas disponível na Neflix. Inspirada em experiências e vivências do ator e roteirista Josh Thomas, a história conta um pouco da vida de um jovem que viu seu relacionamento chegar ao fim no dia do próprio aniversário e descobriu-se homossexual.

Para coroar o drama, que por vezes mistura-se com a comédia, a mãe do protagonista tenta cometer suicídio e é levada para  o pronto-socorro. A partir daí, a vida do jovem Josh vira de cabeça para baixo e ele é obrigado a viver por um tempo com a mãe.

Permeada por algumas tentativas de suicídio da personagem Rose, a série aborda o tema em sua versão mais real e coerente. O suicídio como uma escapatória de ser aquilo que não queremos. A necessidade de arrancar a própria vida por se sentir um estorvo a todos aqueles com quem convive.

Delicada. Sincera. Presente e extremamente necessária. Please Like Me é uma serie que deveria ser assistida mais de uma vez. Creio que assim, passaríamos a entender o que pode levar as pessoas que mais amamos e que nos amam a optar por este caminho sem volta.

My Mad Fat Diary

Logo à primeira vista, My Mad Fat Diary não é uma serie bonita, divertida ou cômica que assistimos quando queremos passar o tempo com amigos ou familiares. Bem diferente disso. Na verdade, é um daqueles programas que você dificilmente assistiria ou ouviria falar se não lhe tivesse sido recomendado. Nós já falamos sobre ela aqui na coluna Já acabou, mas vale a pena.

Para começar, a protagonista é totalmente fora dos padrões. Rae é uma jovem gorda que acaba de receber alta de uma clínica psiquiátrica após tentar se matar. Constrangida com a situação, ela acaba mentindo para seus novos amigos e contando que esteve ausente por causa de um período de ‘férias’ na França.

Além de evidenciar o tema, a série ainda traça aspectos importantes a serem discutidos por todos nós. Problemas com a imagem corporal e saúde mental. Ao longo dos episódios [vale ressaltar aqui que são poucos e merecem muito mais a sua atenção], os amigos de Rae passam a perceber o quanto a garota talvez necessite de ajuda e atenção.

A narrativa parece ainda nos brindar com uma questão da qual talvez não tenhamos resposta: Afinal, conhecemos as pessoas que estão ao nosso lado? Conseguimos interpretá-las e entender o que elas realmente precisam?

13 Reasons Why

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Para encerrar a lista, por quê não falar sobre 13 reasons why? A série, produzida pela atriz e cantora Selena Gomez, estreia hoje (31/03) na Netflix. Tem a proposta de mostrar um lado até então não abordado sobre o suicídio: o motivo [ou motivos] que leva alguém a acabar com a própria vida.

Baseada no livro homônimo, a narrativa conta a história de Hannah Baker, uma adolescente que se matou e decidiu explicar, por meio de fitas cassetes que gravou enquanto ainda estava viva, os 13 motivos que a fizeram cometer suicídio.

Além de demonstrar como o dia a dia pode ser estressante, a série ainda vai falar sobre bullying. “Nós temos a habilidade de contar, por meio da ficção e da arte, histórias sobre coisas que são muito difíceis de se falar a respeito na vida real. Elas são especificamente difíceis para os jovens falarem, especialmente com os próprios pais. Minha esperança para Os 13 porquês é que eles tenham conversas sobre esses temas de vida ou morte sem ter que sentir medo”, declarou o criador da série, Brian Yorkei, em entrevista.

E agora?

Pensando em diminuir as taxas de suicídio no país, foi criado o Centro de Valorização da Vida. Qualquer um pode entrar em contato com o serviço pelo número 141 ou pela internet. Suicídio é coisa séria e precisa passar a ser considerado como tal. E, mais importante que isso, não faça piadas. As pessoas que o rodeiam podem ter diversos problemas dos quais você não sabe nada. E claro, se os problemas forem seus, não fique calado. Procure ajuda, ela pode vir de onde você menos espera.