É sempre gratificante ver mulheres bem representadas em seriados. Mulheres críveis, reais, e que você consegue usar como referência para o seu cotidiano. Esse, talvez, seja o grande trunfo de Stella Gibson, a protagonista do ótimo “The Fall”. Várias vezes, me peguei pensando “O que a Gibson faria nessa situação?”. E logo depois, sempre imaginava alguma atitude incrivelmente perspicaz, como a própria Stella é.

Gibson é a personificação da mulher feminista. É capaz de atos generosos de sororidade, não se amedronta diante de ameaças misóginas e carrega no peito o lema “machistas não passarão”. É sexualmente livre, o que deixa os homens ainda mais confusos com o seu jeito indomável.

No começo da história, Stella é uma a investigadora especial da polícia britânica, que chega à Irlanda para ajudar a desvendar uma série de assassinatos. Após solucionar um difícil caso na Inglaterra, ela é recebida com status de estrela em Belfast. Todos tem uma impressão sobre ela. Os homens a consideram uma mulher atraente e misteriosa. As mulheres a admiram, principalmente por sua postura profissional. Ao montar sua equipe, Stella procura mesclar o time, entre homens e mulheres.

É fascinante ver como Stella conduz as investigações com maestria, mesmo sendo pressionada constantemente. Nada passa batido aos seus olhos. Ela se preocupa até com detalhes cobrados apenas às mulheres, como um decote involuntário durante uma coletiva de imprensa. A cada episódio, você sente o peso colocado nas costas de uma mulher que está no comando. Sua vida pessoal é constantemente questionada, pois não basta ser uma profissional impecável. É preciso também estar dentro do padrão de conduta da sociedade patriarcal. O que é absolutamente impossível para Stella, uma mulher de sexualidade aflorada, que assumiu compromisso apenas com seu trabalho.

Sua busca incansável por Spector, o assassino, tem vários momentos tensos. Stella se envolve de tal forma que coloca em risco a própria vida. Durante as temporadas, é possível assistir o impacto dos crimes em uma mulher completamente segura de si e do seu papel na sociedade. Gibson só quebra nos momentos finais da história, quando vê a família de Spector ser destruída, consequência do espetáculo criado pela imprensa.

Stella é uma heroína como muitas que existem por aí. Como eu e você. Alguém que lida diariamente com dúvidas e desconfianças sobre suas competências. Que precisa ser dez vezes melhor para ser tratada com igualdade. E que luta por si e por todas as outras mulheres.