Séries Por Elas tem como prioridade máxima noticiar e discutir questões que envolvam o universo das séries. No entanto, vez ou outra, sentimos a necessidade de abordar questões que passem pelo cinema, música e artes de maneira geral. Para isso, criamos a coluna Tudo Por Elas. Nela, uma vez por semana, discutiremos sobre alguma questão do universo midiático e a mulher que não esteja relacionado às séries.

 

Quando lançou Star Wars lá em 1977, George Lucas não deve ter imaginado o tamanho do sucesso que tinha em mãos. Em seu lançamento, o filme teve recorde de bilheteria. Foram mais três anos até chegar nas telas do cinema Star Wars – O império contra-ataca e mais três anos para Star Wars – O retorno de Jedi, em 1983. Passou quase duas décadas para que a saga amada no mundo inteiro, tivesse uma “continuação”.

No final dos anos 90, precisamente em 1999, foi lançado Star Wars – A ameaça fantasma, o primeiro filme de uma nova trilogia que contaria o surgimento de Darth Vader (aka Anakin Skywalker), o grande vilão da saga. Agora, os efeitos eram muito melhores e o orçamento também era maior. Star Wars já era uma saga consagrada e todo o peso do mundo caiu em cima dos novos filmes. As opiniões podem ser bem divergentes, mas a segunda trilogia, que na verdade conta uma história antecessora à primeira, foi muito boa e trouxe ainda mais fãs para a saga.

Em 2012, com os direitos da Lucas Film produtora de George Lucas, vendidos para a Disney, foi anunciado o lançamento de uma nova trilogia para a saga. E em 2015, os jedi voltaram à tela com o Despertar da Força. Com efeitos especiais muito melhores, cenas de tirar o fôlego e uma história novinha de como o bem precisava derrotar o mal, Star Wars caiu na “boca do povo” mais uma vez.

Representatividade feminina em Star Wars

Devo confessar que mesmo sendo fã da saga, sempre senti falta de uma personagem feminina que pudesse me representar ali na tela. Não vou tirar jamais todo o mérito de Carrie Fischer e sua princesa Leia, mas até 2015 faltou girl power em Star Wars.

Sim, Leia foi uma princesa diferente. Ela pediu ajuda, ela uniu forças para salvar a galáxia, ela não se intimidou e entrou no meio das batalhas, porém ela ainda foi uma princesa, uma donzela em perigo que os heróis tinham que aparecer para salvar. E ela também foi sexualizada.

Agora pode até não ocorrer, mas por muitos anos quando se falava na princesa Leia a primeira imagem era ela de biquíni sendo escravizada, uma cena desnecessária que a própria atriz admitiu que não se sentiu confortável em fazer. Para os anos da primeira trilogia, a personagem foi marcante e foi diferente do que se costumava ver nos cinemas, e amamos para a sempre a nossa princesa guerreira, mas vai sempre existir um “mas” quando se falar desses filmes e sua representação feminina.

Em 1999 com a nova leva de filmes que vieram da saga, foi a Senadora Padmé Amidala (Natalie Portman) a representante feminina na história. Em uma trilogia que tinha como objetivo contar como o Darth Vader nasceu, a mulher ficou ainda mais em segundo plano.

Mesmo estando lá desde o começo, no meio da guerra, lutando por sua vida e tendo ela ameaçada em todo filme e brigando para ser ouvida em um parlamento dominado por homens, Padmé foi uma mera coadjuvante na transformação do amor da sua vida, Anakin Skywalker no vilão de toda a saga.

A luz realmente veio com os novos filmes anunciados. Confesso que fiquei bem surpresa quando ao final do Despertar da Força, me dei conta que a personagem principal, que o jedi que foi acordado, que quem tinha a “Força” era uma mulher. Juro que não peguei as dicas que o filme deu, pelo menos não na primeira vez que o vi.

Na onda do discurso de empoderamento feminino que roda o mundo, a Disney que de boba não tem nada, escalou uma mulher como a protagonista da nova trilogia. Rey, interpretada pela fofíssima Daisy Ridley, é a jedi que desperta a força na galáxia novamente.

Foi muito bom a ver lutando desde a primeira cena. Foi bom ver que mesmo com a vida sofrida que levava, seu coração era puro e bravo. Foi lindo ver ela se negar a ser uma mocinha em perigo e lutar sozinha para salvar a própria vida, e no meio disso tudo trabalhar lado a lado com os seus amigos homens. Rolou uma tentativa de romance ali no meio (acho que os roteiristas não conseguem resistir a isso), porém ficou mais parecido com um lance platônico por parte do moço, o que ficou bom demais.

Também tivemos a nossa amada princesa Leia de volta. Agora como General, liderando as forças rebeldes contra a Primeira Ordem que destruiu a república e resolveu tomar conta da galáxia. Leia não entrou para as cenas de ação, mas seu papel não foi diminuído ou feito apenas para trazer a nostalgia para os fãs mais antigos da saga. Dessa vez a sua palavra é a final. São suas ordens, seus comandos. Ela pode não pegar em uma arma e não ir de fato para a batalha, mas está lá, como a General que todo exército merece.

E todo o girl power da saga não ficou apenas para os filmes principais. Em 2016 foi lançado o primeiro spin off de Star Wars – Rogue One. Não temos os jedi aqui, mas a Jyn Erso, da Felicity Jones, compensa a falta dos sabres de luz. A história se passa entre o último filme da segunda trilogia e o primeiro da primeira trilogia (Complicou? A imagem abaixo explica certinho a ordem cronológica de todos os filmes da saga), então teoricamente são outros tempos e apesar de termos a principal como mulher, faltam outras mulheres de poder no filme. Existem outras, mas ficam segundos em cena e não interferem na história. Jyn Erso e Rogue One são um marco para as mulheres em Star Wars.

Agora já está nos cinemas a continuação do Despertar da Força, Os Últimos Jedi. Temos os heróis masculinos para os meninos ficarem felizes, temos Luke Skywalker (Mark Hamill) em uma grande participação, temos General Leia e finalmente vemos ela usando a “Força” e temos nossa nova heroína das galáxias Rey e podemos ver a “Força” crescendo nela mais do que em Darth Vader e Luke e até mesmo Kylo Ren (Adam Driver), o novo vilão da saga. A continuação é linda, com efeitos maravilhosos, com um roteiro que te prende na cadeira e brinca com a sua cabeça e com todo o girl power que merecemos.