Home Crítica Sense8: erros e acertos de uma ótima temporada
Sense8: erros e acertos de uma ótima temporada

Sense8: erros e acertos de uma ótima temporada

0
1

Sense8 é uma daquelas séries que desafia definições. Uma mistura de sci-fi com drama, aventura e, muitas vezes (Olá, Lito!) comédia. Essa falta de definição pode ter afastado alguns espectadores, mas com certeza conquistou vários outros fãs. Com uma premissa simples e ousada, os personagens foram criados para convencer que somos todos conectados de uma forma mais profunda.

E se na primeira temporada era confuso entender como essa conexão se estabelecia, o mesmo não pode se dizer da segunda. Com um roteiro ágil e as relações entre os sensates já estabelecidas, houve mais espaço para mergulhar na parte sci-fi da trama. A história se tornou mais interessante, pois utilizou a ciência para tratar de temas universais como empatia, discussão de gênero e respeito. A série, aliás, não é nem um pouco sutil ao explicar porque a humanidade está fadada à destruição, quando conta a história dos Homo Sapiens e Homo Sensoriuns. É meu amigo, talvez você e Bolsonaro não tenham vindo do mesmo macaco. Ainda há esperança!

De modo geral, é possível dizer que a segunda temporada trouxe um olhar mais pop à série. A fotografia continua sendo um dos pontos altos, pois leva o telespectador para o mundo de cada sensate. As cores quentes da África indicam a presença de Capheus. O universo cinza de Riley e Will em Londres e Amsterdam. O colorido urbano de Kala, o Sol de Lito, as sombras noturnas de Wolfgang e as luzes artificiais da China, de Sun.

Leia também
Sense8: vigilância digital, soberania e diversidade

Outro destaque são as participações dos coadjuvantes. Daniela, Amanita, Bug, Raj e Lila brilharam em seus papéis, garantiram ótimas cenas e foram fundamentais para que a trama principal e as subtramas andassem. A história de Kala e Wolfgang foi a que mais se beneficiou. Wolfie se envolveu com outro cluster, colocando todos em perigo. Já o envolvimento de Raj com a polícia deixou ótimos gatilhos para uma possível continuação. De quebra, ainda rendeu uma das cenas mais bonitas da temporada, quando Kala sente a dor de Capheus ao descobrir que sua empresa envia remédios vencidos para a África.

Mas também há os pontos fracos. Conforme a história avança, algumas tramas são atropeladas e outras se arrastam. Riley, por exemplo, demora para sair da função de cuidadora de Will e agir. Já a subtrama de Sun vai bem até o meio da temporada, entra em um hiato desnecessário e só desenrola no final. Até lá, fica andando pela China, o que é bem estranho levando em consideração de que se trata de uma fugitiva da polícia. O que salva é o fato de Doona Bae ser uma tremenda atriz.

Por falar em atuações, também ganhamos um novo Capheus. Mais alto, mais forte, mais galã. Ou seja, outro personagem. O ator Toby Onwumere defende bem seu Van Damn, mas não adianta. A fama de Capheus começou a se formar em uma cena antológica da primeira temporada, quando ele se envolve em uma briga com bandidos armados e os derrota (nada como estar conectado a uma campeã das artes maciais). Ninguém espera que um rapaz baixinho e franzino vá baixar a porrada em geral. Trocar o ator por alguém com o perfil completamente diferente compromete a trajetória do personagem. Sua história perde força.

Leia também
12 discursos poderosíssimos da segunda temporada de Sense8

Outras subtramas também soam um pouco forçadas. Apesar de trazer sempre leveza para os episódios, a história de Lito é um pouco dura de engolir. Mesmo com ótimos momentos como a parada gay e uma belíssima cena de amor na praia, é difícil acreditar que uma celebridade com o gabarito dele não tenha assessoria de imprensa para contornar crises de imagem. Sério, isso não existe.

Apesar das arestas, a temporada foi muito boa e preparou o terreno para uma terceira parte que chegará com altas expectativas. Uma guerra, claramente anunciada na última cena, uma luta entre clusters e a resposta que todos querem saber: “Como todo mundo chegou tão rápido a Londres?”.

Bianca Lanzelotti Meu pai e minha mãe me deram muito amor, mas quem me criou mesmo foram Brandon e Brenda. Com uma ajuda da Buffy e do Dean Cain.

Comment(1)

  1. A Sun vive na Coreia do Sul e não na China. Todas as suas cenas se passam então na Coréia do Sul, e inclusive os atores são coreanos e não chineses.

LEAVE YOUR COMMENT

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *