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Scream: a nova fórmula e o velho mistério
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Scream: a nova fórmula e o velho mistério

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Um grupo de adolescentes no ensino médio vivendo em uma cidadezinha do subúrbio americano que carrega na sua história um passado misterioso envolvendo assassinatos é assombrado por um serial killer que usa uma máscara bastante peculiar. Isso te lembra algo? Sim, a série Scream, produzida pela MTV e transmitida no Brasil pela Netflix é uma adaptação da famosa franquia de filmes “Pânico” para os seriados. Esse gênero, que bombou com o diretor Wes Craven nos anos 1990 retornou para as telas de uma forma um pouco “mais do mesmo” porém ainda assim interessante para quem curte o estilo e bastante sangue.

As personagens não diferem muito do que estamos acostumados a ver nos filmes e seriados envolvendo adolescentes norte-americanos. A personagem principal, Emma Duval (Willa Fitzgerald), é uma menina alta, loira, magra e “bem de vida” que namora, obviamente, o esportista da escola Will (Connor Weil), um menino também dentro do padrão de beleza americano que apesar de bonitinho, compartilha segredos duvidosos com seu amigo Jake (Tom Maden), outro “garanhão”.

Saindo dessa vibe certinha de Emma, temos Brooke (Carlson Young), tachada como “vadia gostosa” da escola. Apesar do estereótipo tosco e sempre presente nesse estilo de filme, Brooke se mostra como uma mulher bem resolvida em relação a sua liberdade sexual e que não liga pros rótulos, muito pelo contrário, faz ótimo uso deles. Filha do prefeito e rica, também não foge do padrão loira e magra. Apesar de parecer sempre muito convicta dos seus atos, autossuficiente e não apegada a quem ela se envolve, Brooke sofre bastante com a ausência da mãe, que frequentemente está “viajando”.

As personagens mais envolventes da série ficam por conta de Noah (John Karna) e Audrey (Bex Taylor-Klaus). O primeiro, o típico nerd atrapalhado, é viciado em filmes e histórias de terror no geral e possui um grande interesse pelo passado misterioso de Lakewood. Fica por conta dele também as referências metalinguísticas ao universo dos filmes de terror durante os episódios, fato que também ocorria nos filmes de Wes Craven. Sempre junto de Noah, temos Audrey, a personagem que mais difere dos demais. Lésbica, metida a durona, com um estilo mais agressivo e sempre de preto (ops, mais um estereótipo!), Audrey traz um certo tipo de agitação para a série. Inclusive é a partir de um vídeo dela com outra menina publicado sem autorização na internet que o assassino resolve dar as caras novamente na pacata cidade.


A série, obviamente, vai se desenrolando mais devagar do que os filmes, porém, além dos assassinatos e derramamento de sangue, ela se preocupa em prender o espectador com outros aspectos, seja os dramas individuais das personagens ou o mistério da identidade do assassino. No desenrolar da primeira temporada descobrimos que o assassino tem forte ligação com o passado de Emma e sua mãe, e entendemos também o porquê de seu pai a ter abandonado anos atrás. Apesar da forte ligação com o serial killer, Emma acaba se tornando uma personagem principal um tanto quanto morna, com pouca atitude. Infelizmente, na segunda temporada, Emma também não sofre construção e segue no mesmo ritmo, o que não cria muita interação ou simpatia com o espectador.

 

 

Novas personagens vão adentrando a série para deixar o mistério da identidade do assassino cada vez mais interessante (e também para morrerem nas mãos dele, né?). Kieran (Amadeus Serafini) no estilo bad boy com o cabelo milimetricamente penteado arranca suspiros e também algumas dúvidas. Stavo (Santiago Segura), com seu sangue latino, já chega apresentando ayahuasca pra galera e deixando todo mundo pirado e também se torna um novo crush da série. E Eli (Sean Grandillo), com aquele jeitinho meio perturbado, meio inocente-apaixonado? Todos igualmente estranhos e com comportamentos suspeitos.

Scream é mais uma produção que entrou nessa onda de seriados de terror, como The Walking Dead, American Horror Story, Penny Dreadful. Infelizmente, não se importa em quebrar com padrões, sejam eles raciais, econômicos, sexuais ou comportamentais. Parte disso explica-se, claro, pelo fato de se basear fielmente no filme Pânico. Mas será que inovar nesses aspectos não melhoraria essa “má fama” da MTV em pecar nas produções?


Todavia, a série vai estrear sua 3ª temporada em março de 2018 e será um reboot,  trazendo novos roteiristas (Brett Matthews de The Vampires Diaries e Supernatural, Queen Latifah, entre outros) e elenco totalmente renovado, contando com os rappers Tyga e C.J. Wallace (filho de Notorious B.I.G.) nos papéis principais. Rola aquela esperança da série dar uma acordada para os diferentes padrões e comportamentos que temos aqui na “vida real”.


Se você gosta de mistério, terror, serial killers e sangue, muito sangue, Scream vai ser uma série gostosinha pra passar o tempo e manter sua atenção tentando desvendar quem é a voz por trás do “Hello, Emma” que deixa todos os Lakewood’s Six (que restaram) apavorados.

 

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Eduarda Brum Acadêmica de administração em formação. Ironicamente, não consegue administrar o próprio tempo para controlar o número de episódios que assiste. Consumia séries antes mesmo de saber o que isso significava mas depois que descobriu ficou ciente e quis continuar. Um pouco crítica e problematizadora quando necessário, só pra não cair numa rotina.

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