Este texto contém spoilers.

A segunda temporada de 13 Reasons Why finalmente chegou na Netflix na sexta passada. Mas não fossem os avisos do próprio streaming no meu e-mail, não teria percebido. Isso porque tudo foi bem diferente da primeira temporada. As pessoas no meu feed demoraram a comentar algo sobre a série. E, quando o fizeram, as reações me assustaram um pouco, confesso.

Até o início desta semana, eu já tinha assistido um episódio e meio da segunda temporada. E meio porque achei a temática tão clichê, que estava bem difícil me concentrar e seguir em frente. Aí apareceram dois comentários nas minhas redes sociais sobre amigas que já tinham maratonado e se diziam devastadas com tudo o que aconteceu.

De alguma forma, percebi que o que viram não só as desagradou, como também as fez se sentirem mal. Como pode uma série de TV causar um efeito desses numa pessoa? E será que a segunda temporada podia, de alguma forma, ser ainda menos delicada com alguns assuntos que a primeira? Talvez essa reação tenha me motivado a chegar até o fim do terceiro episódio e, finalmente, vir aqui compartilhar um pouco das minhas impressões.

Hannah Baker

A principal questão dessa temporada era como iriam incluir a Hannah nos episódios, sendo que ela se suicidou durante a primeira temporada e, portanto, não tinha razão para estar na segunda. A solução: ela se torna um fantasma onipresente na vida de Clay. Ele a vê em todo lugar. Na escola, em casa, quando está com a nova namorada e também com os amigos.

De fato, o personagem parece ter mudado pouco desde a primeira temporada. Obviamente ele ainda não superou Hannah. Mas suas atitudes têm sido mais extremas. A começar por se rebelar contra os pais, arrumar uma namorada fora dos padrões e até – SPOILER – fazer uma tatuagem.

Outros personagens

De modo geral, esta temporada foca mais no que aconteceu com os outros personagens da série passado o suicídio de Hannah. E acredite, se tem uma única palavra que possa resumir tudo isso é dor.

É extremamente doloroso assistir às cenas do julgamento da ação que a mãe de Hannah está movendo contra a escola. Até nisso, nada de novo sob o sol: a advogada de defesa claramente tenta pintar a imagem da adolescente como uma jovem fútil e problemática enquanto os colegas relatam o que ocorreu.

Em paralelo, mais bullying e cenas de ameaças entre os estudantes, além da culpa, que parece estar presente em todos os momentos.

Assuntos delicados

Em primeiro lugar, é importante lembrar que 13 Reasons Why é uma série bem diferente de todas as que eu e você provavelmente já viu. Digo isso porque, mesmo ela retratando uma temática adolescente que já estávamos acostumados a ver, aborda também assuntos extremamente delicados: suicídio, depressão, estupro, abuso sexual, bullying entre outros.

Claro que é importantíssimo falar disso tudo, principalmente com jovens, para que possam perceber como alguns comportamentos impensados podem impactar a vida de uma pessoa. Mas é preciso, também, fazer isso da forma correta. Diferente da maioria, não achei a primeira temporada tão errônea nessa parte. Mas confesso que a cena do suicídio me incomodou  pelo exagero e exposição.

Precisa de ajuda?

Acho que por esse motivo a série foi tão criticada por especialistas e mesmo por pessoas com histórico de depressão/tentativas de suicídio, depois da exibição da primeira temporada. Creio que foram essas reações negativas que fizeram com que os produtores pensassem em formas de deixar claro que é importante buscar ajuda quando se está passando por um momento difícil, e também criar um novo canal para que isso fosse possível.

Ao que parece, foram encontradas duas soluções:

  • No início do primeiro episódio, o elenco aparece dando uma mensagem que começa com seu nome completo, o nome do personagem na série e lembrando que toda narrativa é fictícia, porém, baseada em casos reais e chamando o público a acessar o site www.13reasonswhy.info, caso precisem de mais informações ou estejam precisando de alguém para conversar;
  • Em paralelo à série, foi lançado também um mini documentário em que os atores, a equipe técnica e profissionais da área da saúde discutem os temas abordados.

A ideia, embora seja bem válida, não é nada muito novo. Além do mais, se mais cenas explícitas se repetirem, a dúvida é: 13 Reasons Why está ajudando o público a entender mais sobre esses assuntos ou apenas fazendo sensacionalismo em cima de um tema tão importante?