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10 personagens bissexuais que amamos e a visi(bi)lidade nas séries

10 personagens bissexuais que amamos e a visi(bi)lidade nas séries

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No dia 17 de maio é celebrado o Dia Internacional contra a Homofobia/LGBTfobia. A data marca o momento em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados, em 1990. Mesmo isso tendo acontecido há quase 30 anos, os crimes de ódio cometidos contra homossexuais, a invisibilidade na sociedade, a morte precoce e a falta de acesso muitas vezes às necessidades básicas ainda são uma realidade para essa parcela da população. Para celebrar esta importantíssima data, o Séries Por Elas, preparou uma série de textos abordando a temática sob diferentes óticas.

A bissexualidade existe. Você não precisa acreditar, mas eu falo isso com muita certeza. As relações bissexuais existem, sendo aceitas ou não. Não é fase, não é indecisão e nem um escape para não se assumir homossexual. As pessoas bissexuais não são necessariamente mais infiéis que as outras ou mais promíscuas. Mas infelizmente, esses preconceitos todos existem e perpassam as nossas relações sociais diariamente.

É por isso que, volta e meia, aqui no Séries por Elas, levantamos a bandeira de que visiBilidade importa, representatividade importa – especialmente quando se há tanto preconceito para desconstruir. Nesse sentido, é urgente a construção de personagens bissexuais nas séries de TV, personagens que fujam desses estereótipos ainda tão presentes no senso comum.

De acordo com o recente estudo divulgado pelo grupo GLAAD sobre diversidade na TV, o número de personagens bissexuais aumentou. Mas muitos deles caíram nesse estigma que tanto queremos questionar. Segundo a pesquisa, alguns dos tratamentos que têm sido dados a personagens bissexuais na séries atualmente são:

  • Mostram que bissexuais não são confiáveis, sendo propensos à infidelidade ou à falta de moralidade;
  • Mostram que bissexuais utilizam o sexo como meio de manipulação ou carecem de capacidade para formar relacionamentos genuínos;
  • Fazem associações com práticas autodestrutivas de comportamento;
  • E tratam a atração de um personagem a mais de um gênero como um dispositivo de enredo temporário que raramente é abordado novamente.

Além disso, é interessante notar o que o estudo afirma: a maioria dos personagens bissexuais são mulheres. Esse destaque é muito bom quando se pensa em representação de gênero, mas corre o risco de reforçar a ideia da fetichização da mulher bissexual, dependendo de como a personagem é construída.

Apesar de reconhecer que ainda há muito o que melhorar, é preciso dizer que só a presença de personagens bissexuais de fato relevantes para as tramas dos seriados, é um grande passo. Por isso, tomamos a liberdade de preparar uma lista especial com 10 personagens bissexuais que amamos.

Stella Gibson (The Fall)

The FALL_Stella

Stella é protagonista da série The Fall e se tornou um exemplo de personagem feminina forte e bem construída. Ela é independente e está sempre se dedicando a empoderar as mulheres ao seu redor. Inicialmente, não havia indícios de sua bissexualidade. Ela foi sendo revelada como um dos traços de Stella ao longo do tempo, em pequenos diálogos e, posteriormente, com as relações com pessoas do mesmo sexo – como Tanya. A personagem de Stella foge completamente dos estereótipos. Ser bissexual é apenas mais uma das características que a compõe e seus relacionamentos são parte importante de sua construção.

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Annalise Keating (How to Get Away with Murder)

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Annalise, protagonista de How to Get Away With a Murder, é uma advogada poderosa. Inteligentíssima, ela pode ser cruel, mas também é capaz de ser amorosa quando quer. Sua dualidade e sua força são o que de fato marcam a personagem. Annalise é bissexual e expressa sua sexualidade livremente, com cenas muito sensuais. O interessante é que a bissexualidade da personagem é revelada aos poucos e entra na trama com um propósito: o de enfatizar nuances específicas de Annalise, como sua ternura. Ou seja, assim como como Stella, a sexualidade é mais um dos traços da personagem, que também foge completamente dos estereótipos citados.

Callie Torres (Grey’s Anatomy)


Eu sou bissexual e daí? É uma coisa e é real. Quer dizer, é chamado de LGBTQ por uma razão. Há um B ali e não significa badass. Tá, meio que significa, mas também quer dizer Bi”

Callie Torres surgiu em Grey’s Anatomy como par romântico de George O’Malley. Com o tempo, cresceu em profundidade e força e é hoje um grande símbolo para a representatividade bissexual na TV. Além de George, a personagem já se relacionou com Mark, Hhan, Arizona e Penny. Ela vai descobrindo sua bissexualidade ao longo da trama e os relacionamentos que ela teve servem justamente para contar essa história – que é parecida com a de tantas outras pessoas bissexuais. À maioria de nós, é imposta a condição de heterossexual, então se perceber bissexual, se amar e se assumir assim, nem sempre é uma caminhada tranquila.

Brittany S. Pierce (Glee)

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Personagem do núcleo central de Glee, Brittany era uma menina ingênua, divertida e que tinha dificuldades para lidar com seu déficit de atenção. Ao longo da trama, ela superou muitos obstáculos e se revelou uma mulher muito inteligente e amorosa, tendo se envolvido com diversos personagens como Artie, Sam e Santana. Infelizmente, a série acabou pisando na bola em alguns momentos. Na quinta temporada, Santana começa a namorar Dani, que é lésbica, e comenta: “finalmente eu tenho uma namorada com quem não preciso me preocupar se vai correr atrás de pênis”. Vale lembrar que Brittany nunca traiu Santana. E é aí que a série reforça a ideia de que bissexuais são promíscuos e infiéis.

 

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Barbara Kean (Gotham)

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A personagem de Barbara, em Gotham, começou bela, recatada e do lar. Mas um episódio desastroso com o sádico vilão Ogro despertou o lado psicopata da personagem e fez com que Barbara se transformasse em uma vilã na série. A bissexualidade de Barbara foi afirmada ainda no início do seriado quando descobrimos que ela teve um relacionamento com a policial Renee Montoya. O que não ajudou em nada no enredo e parecia que veríamos mais um caso em que a atração de um personagem para mais de um gênero é tratada “como um dispositivo temporário que raramente é abordado novamente”. Porém, atualmente, ela está se relacionando com a personagem de Tabitha Galavan, e juntas constroem uma parceria no crime.

Kalinda Sharma (The Good Wife)

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Kalinda, personagem recorrente de The Good Wife, é uma investigadora muito inteligente, irônica e decidida. Ela teve relacionamentos com homens e mulheres durante cinco temporadas. É uma mulher de personalidade forte e que sempre consegue o que quer. Além de muito bonita e sexy, Kalinda é não-branca o que nos faz amar ainda mais a personagem. Mas existe aí um porém. Sua personagem cai em um tratamento comum que é dado a personagens bissexuais: ela utiliza a sexualidade como meio de manipulação. Isso pode ser bom se pensarmos na libertação sexual feminina, mas acaba reforçando o estereótipo da mulher hiper-sexualizada, que é 24h por dia sensual.

Piper Chapman (Orange is The New Black)

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De Orange is The New Black, Piper é uma mulher branca, classe média, que acaba sendo presa por tráfico de drogas após se relacionar com Alex Vause. No início da série, Piper estava noiva de Larry, mas toda sua condição enquanto personagem é marcada pelo relacionamento que viveu com Alex – sua primeira namorada mulher. Entre idas e vindas, amor e ódio, uma história de amor às avessas é construída. Porém, Piper é frequentemente retratada como uma personagem indecisa, especialmente quando se fala de Larry e Alex. A indecisão poderia reforçar a ideia de que bissexuais não sabem o que querem, mas, na minha visão, esse comportamento se justifica na trama e no contexto em que Piper se encontra.

Clarke Griffin (The 100)

the 100

Clarke, heroína do mundo pós-apocalíptico de The 100, se revelou bissexual após dar um beijo em Lexa, líder dos Grounders. O interessante é que a série é focada na sobrevivência desses remanescentes, então as questões de gênero orientação sexual se tornam secundárias. E isso pode ser interessante para passar a ideia de que “tudo bem ser bissexual”. Sobre a revelação, o criador da série, Jason Rothenberg, afirmou: “no nosso mundo, eu entendo o quão importante isso é. No mundo do seriado, é mais – não é sobre qual é sua orientação sexual, ou qual seu gênero, ou se você tem ou não deficiência – é só sobre se você é forte ou não”.

Oberyn Martell (Game of Thrones)

game og thrones

Oh, temos um homem na lista! Oberyn durou pouco tempo na trama de Game of Thrones, mas foi imediatamente acolhido pelos fãs. Ele chega à Porto Real para vingar a morte de sua irmã pelas mãos do capanga dos Lannister, Gregor Clegane. Nesse meio tempo, suas preferências sexuais são exibidas em tela: ele se relaciona sexualmente tanto com homens, quanto com mulheres. É interessante que tenhamos um personagem bissexual tão querido como foi Oberyn. Um personagem que nunca demonstrou nuances de indecisão – pelo contrário. Porém, sua promiscuidade pode ser considerada como um problema nessa representação bissexual. Só é importante lembrar que essa é uma característica também presente em personagens héteros da série, como Mindinho e Tyrion. Ainda assim, a bissexualidade de Oberyn acaba sendo reduzida a um meio de “obter prazer” – o que, pra mim, pode ser válido também.

Isabella Mariano Jornalista, poeta, feminista e completamente impulsiva. Gosta de beber cerveja, ouvir música, tatuagens e de cachorros. Atualmente, tenta lidar com o vício em Game of Thrones, Sense8 e Gotham da melhor forma possível. Mas é aquele ditado, vamos fazer o quê?

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