Home Personagem do mês Peggy Carter: uma heroína que não precisa de capa (ou escudo)
Peggy Carter: uma heroína que não precisa de capa (ou escudo)

Peggy Carter: uma heroína que não precisa de capa (ou escudo)

0
0

A coluna Personagem do Mês apresenta quatro textos (um por semana) sobre uma personagem escolhida pela equipe do Séries Por Elas. Esses textos seguem a seguinte lógica:
1ª matéria: conta a trajetória da personagem e explica por que ela mereceu ser a personagem do mês
2ª matéria: mostra o que podemos aprender com a personagem e o que é melhor deixar pra lá
3ª matéria: buscamos inserir a personagem no contexto do blog, fazer link com empoderamento e feminismo
4ª matéria: vamos falar pouco da atriz. Curiosidades, declarações importantes e fofoquinhas saudáveis

Conhecemos Peggy Carter pela primeira vez em Capitão América: O Primeiro Vingador, o filme que contava a história de origem do Capitão América. E como todo filme de super herói masculino, um interesse amoroso feminino obrigatório aparecia por lá. A diferença porém, é que muito antes de Steve Rogers se tornar o supersoldado, Peggy Carter, seu eventual interesse amoroso, já era uma heroína.

Peggy era uma mulher em um meio extremamente masculino. No meio de soldados americanos ela estava longe de casa e de qualquer pessoa que ela já tivesse amado. Mas lutou bravamente na guerra e qualquer homem que a desrespeitasse aprendia da forma mais dolorosa possível que Peggy Carter não leva desaforo para casa. Sim, ela era o interesse amoroso do Capitão América, mas na luta contra o nazismo e na vontade de trazer paz e justiça para o mundo, Peggy era parceira de Steve tanto quanto os Howling Commandos.

Eu não estou dizendo que a construção da Peggy em Capitão América é perfeita. Mas a prova de que ela era importante e tinha potencial para se colocar em pé de igualdade ao seu parceiro herói bandeira estadunidense, é que mais tarde ela ganhou sua própria série de TV, Agent Carter. E é aí que Peggy oficializou seu lugar no coração de nós mulheres fãs da Marvel, em uma série divertida, com boa ação e cheia de coração. Agent Carter é a peça midiática mais feminista do universo cinematográfico da Marvel, eu ousaria dizer até mais que Jessica Jones (a primeira temporada, pelo menos).

A dificuldade da vida real que as mulheres enfrentaram no pós guerra, elas trabalharam enquanto os homens estavam fora lutando e agora estavam sendo forçadas de volta para o lar e para a posição de dona de casa, é intrínseca à primeira temporada de Agent Carter. Com o fim da guerra e a fama de namorada do Capitão América, Peggy tem um cargo na agência SSR, mas é tratada como uma espécie de secretária glamourosa. Com o fim da guerra, os homens querem colocá-la de volta “em seu lugar”, no “lugar de mulher”, e demonstrar seu talento e habilidade se torna uma briga diária.

Muitas pessoas, especialmente homens, costumavam dizer que os problemas de gênero que Peggy enfrentava em seu dia a dia na primeira temporada eram um pouco demais e chegavam a incomodar. É óbvio que ela era capaz. É óbvio que ela sabe o que está fazendo, a quantidade de cortes e desrespeito que ela tem que enfrentar é absurda. E, para mim, isso é justamente o que torna Agent Carter especial. A história de Peggy é real e, francamente, dolorosamente familiar. É realmente incômodo assistir uma personagem que temos plena noção de que é extremamente capaz, ser tratada como lixo, mas é de propósito, é para incomodar. Porque essa foi exatamente a luta das mulheres para entrar no mercado de trabalho, para votar, para possuir propriedade, para ganhar o direito de ser cidadã assim como os homens.

O arco de personagem de Peggy é a história da mulher até a mulher moderna. No fim, ela reconhece seu próprio valor e compreende que não precisa da aprovação de ninguém. É um arco poderoso, abandonar todas as figuras masculinas que a prendiam e se tornar sua heroína, sem precisar pedir reconhecimento para ninguém. E é onde muitas de nós estamos hoje. Nós conhecemos nosso valor, mas igualdade de verdade, a que nós feministas tanto desejamos e que eu tenho certeza que Peggy sempre desejou também, para a alcançarmos precisamos que todos nos reconheçam também. Mas o primeiro passo é saber nosso valor, para que o resto do mundo nos siga, e a história de Peggy é uma bela maneira de aprendermos a nos enxergar por completo.

Peggy Carter 2
Nathália Gonçalves Estudante de cinema e desistente de jornalismo, carioca estressada de 20 anos de idade, problematizador ligado 24/7. Uma vida definida por analisar mídia e questionar padrões.

LEAVE YOUR COMMENT

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *