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Ozark, sexo, drogas e segredos na nova série da Netflix

Ozark, sexo, drogas e segredos na nova série da Netflix

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Meu relacionamento com a Netflix andava abalado. Foi Glow, Gipsy e Friends from College, uma atrás da outra e uma pior do que a outra. Decidi dar um tempo no nosso romance e viver outros canais. Mas Jason Bateman me chamou a atenção. Não sei se é o rosto quadrado, os olhos azuis ou o pensamento sempre constante de que sempre foi um ator mal aproveitado. Decidi dar uma chance a Ozark. Que sorte a minha!

Ozark conta a história de uma família que levava uma vida comum até o pai ser o responsável pela lavagem do dinheiro do segundo maior cartel de drogas do México. Mas a gente só percebe que aquela de fato era uma família comum lá pelo meio da temporada. O primeiro episódio já nos coloca no olho do furacão de uma sequência de acontecimentos que jogam por terra a descrição de “família comum”.

Para o telespectador mais distraído, fica o alerta, tudo em Ozark tem razão de ser. A série é cheia de referências, da ambientação até os diálogos nada está ali por acaso. O lago foi criado pela represa de um rio no Missouri. É um reservatório imenso e um resort popular que atrai milhões de turistas todos os anos no verão. Como cenário para a série, a locação tem dois propósitos, fundo panorâmico e metáfora estendida.

O lago oferece uma paisagem deslumbrante, que esconde a infelicidade de quem teve seus territórios alagados. Os Byrd vão parar lá ao terem eles próprios suas vidas desaguadas em violência e traição.

Marty e o sócio Bruce, iam bem lavando o dinheiro do tráfico. Mas sabe como é a ambição, torna-se maior do que se pode sustentar. Foi assim que Bruce, enganando até o melhor amigo, começou a roubar dinheiro do tráfico. Bem esperto mesmo, certamente não assistiu Narcos. Ao se dar conta, DelRio, o homem responsável por fazer a comunicação entre os dois e o cartel, aparece para acertar as contas.

Pouco antes disso, Bruce tentava convencer o melhor amigo a mudarem-se para um escritório maior – e mais caro. É justamente aí que Marty toma contato com o Lago Ozark a primeira vez. Querendo fazer com que o amigo relaxe uns dias com a esposa, com quem “parece” que ele está em um mau momento, Bruce apresenta um panfleto relatando as maravilhas do lago.

Que fique claro, isso é tudo que Marty sabe do lago, o que Bruce falou e o que estava no panfleto para o qual ele mal olhou. Com a violenta morte do sócio, Marty barganha pela sua vida e negocia com o cartel. Promete que além de devolver tudo o que Bruce roubou, vai aumentar a capacidade de lavagem de dinheiro se mudando para Ozark.

Ele não conhece o lugar, ele não sabe o que tem lá e ele sugere sair de Chicago para lavar dinheiro em uma cidadela no interior. Aqui o que mais se destaca é a incrível capacidade de Marty negociar. É justamente essa habilidade que vai salvar a vida da família mais de uma vez ao longo dos 10 episódios.

A família Byrd está bem perdida. Em casa as coisas entre o casal não vão nada bem e a forma como a série trabalha a traição e a responsabilização por isso é intensa. Claro que Marty culpa a mulher. E é claro que Wendy culpa o marido. Marty esperava mais colaboração e Wendy esperava que o marido a procurasse, que precisasse dela. Marty assumiu riscos com os quais não contou quando aceitou o trabalho com o cartel. Mais adiante, descobrimos que ele não tomou essa decisão sozinho.

ozark wendy

De cara não gostamos de Wendy. Aliás, de cara não há a menor possibilidade de gostarmos de Wendy. Mas os episódios vão avançando e a temporada ganhando contornos inimagináveis nos primeiros episódios. Laura Linney, constrói Wendy uma fortaleza. Essa mulher está ali, está arcando com as consequências de suas escolhas e respondendo por elas. Se inicialmente não podemos entender como a família chegou àquele ponto, o transcorrer da temporada nos desperta empatia tanto com Wendy quanto com Marty. Já não poso dizer o mesmo sobre Charlotte, a filha adolescente do casal.

Ao mudar para Ozark tendo sobre os ombros o peso de dar conta de um volume gigantesco de dinheiro para lavar, Marty não esperava encontrar o que encontrou. Ao invés de uma cidade pequena com gente rica gastando dinheiro e investindo no que ele propusesse, a cidade é decadente e sobrevive o ano inteiro do que os turistas gastam no verão. Além dos Langmore, uma família de bandidos. Tipicamente “rednecks” de meia tigela dispostos a qualquer coisa para colocar as mãos no dinheiro e os empresários desconfiados de suas propostas.

Ozark é ótima! Os diálogos são densos e coerentes. As interpretações são consistentes e Bateman e Linney em cena compensam qualquer dissabor com as duas crianças que deixam um pouco a desejar. Da família Langmore, Ruth é um alento de coragem e determinação. Sua inteligência treinada para o mal nos deixa a todo instante pensando que ela alcançará seus objetivos. Já os traficantes locais protagonizam a cena mais impactante da série quando decidem ter exclusividade dos serviços de Marty.

Além disso tudo, ainda há uma história muito pouco explorada. A do psicótico agente do FBI que estava na caça de Bruce e, após sua morte, passa a ir atrás de Marty. O personagem tem flashbacks de uma vida bacana com um companheiro equilibrado. Problemas com a mãe viciada em drogas. No entanto, não sabemos como aquele relacionamento termina e ele acaba se envolvendo com seu parceiro de agência. Nesse arco ainda há muito o que explorar em uma nova temporada. Jason Butler Harner está assustadoramente convincente no papel de um policial com sérios, sérios desvios de caráter e conduta.

Depois de uma sequência de estreias desnecessárias, a Netflix definitivamente acerta com Ozark e entrega uma produção digna de seu histórico. Netflix, querida, já pode renovar, tá?

Ozark

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