Orange is the New Black 5×03

O terceiro episódio da quarta temporada de Orange is the New Black foi centrado nas demandas das internas de Litchfield. Motivos não faltam para a rebelião, o que precisávamos ver é se as detentas conseguiriam, de fato, se organizar enquanto um grupo único para consolidar as demandas de todos os interesses.

E ver que as demandas são, em sua maioria, pontos básicos já consolidados por resoluções que regem os Direitos Humanos  e que são violados há anos é muito triste, principalmente porque a gente sabe que esse retrato é baseado em uma realidade norte-americana e pode até ser considerado como um luxo perto das prisões brasileiras, né?

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No final das contas elas não desapontaram e conseguiram reunir uma boa síntese de pedidos com muito menos absurdos do que poderíamos imaginar. O problema é que só quem, de fato, tem como primeiro lugar de luta a prisão de Bayley e uma resolução do caso Poussey são as suas amigas próximas – principalmente a Taystee.

É muito triste que todas as detentas não tenham isso como prioridade, visto que poderia ter sido qualquer uma naquela situação, mas também não é tão fácil assim querer que detentas vindas de mundos tão distintos e com histórias na prisão tão diferenciadas conseguissem se sensibilizar com essa morte e colocar a sua resolução como prioridade do movimento.

O luto é algo pessoal. Ninguém nunca vai saber como é estar no lugar de uma outra pessoa e sentir o que ela sente quando está passando por um momento como esse e eu tenho aprendido muito sobre respeitar o luto até nas suas formas mais estranhas com essa temporada de Orange, afinal, quem foi que disse que existe apenas uma forma de sentir a perda de uma pessoa querida? Estamos vendo a Soso, que mal consegue ter força para mais nada, temos a Taystee que transformou seu luto em revolta e está lutando para que a morte da melhor amiga não passe impune, temos a Black Cindy que à sua maneira irreverente também vive esse luto e a Janae que na sua introspecção nutre uma raiva muito grande por tudo que aconteceu.

Neste episódio pudemos ver, ainda, uma pontinha de como a Suzanne está lidando com o fato em um dos grandes momentos do episódio. Suzanne chega no refeitório e encontra pessoas ocupando de forma natural o espaço em que a Poussey foi morta e com aquela sensibilidade meio fofinha meio maluquinha, protagonizou uma das cenas mais lindas da temporada até agora ao, desesperadamente, criar uma espécie de altar para a amiga que se foi. Tinha um olho na minha lágrima nesse momento.

Por falar em lágrimas, foi difícil ver Nicky se declarando mais uma vez para a Morello e daí eu deixo aqui um questionamento: quantas serão necessárias ou para ela desencanar ou pra esse shipp rolar de uma vez por todas? A Morello é um amorzinho e tal, mas ela já “usou” a Nicky para satisfazer seus desejos e depois desdenhou da moça inúmeras vezes e eu realmente espero  muito que isso não volte a acontecer.

Uma personagem que vem se destacando muito nessa temporada é a Alison. Que jogada simplesmente sensacional colocar uma mulher muçulmana como uma das mais politicamente instruídas sobre movimento social e com um discurso feminista na ponta da língua. A bicha, destruidora que é, deu uma aulinha maravilhosa sobre feminismo e sororidade e eu to aqui até agora aplaudindo essa lindeza. Pelo visto a personagem vai ganhar cada vez mais espaço na temporada, graças à Deusa!

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Outro plot interessante tem sido ver Linda vivendo na prisão e conhecendo de pertinho a realidade das internas. Ela está tendo a oportunidade de sentir na pele como o trabalho dela influencia diretamente na qualidade de vida das presas e, quem sabe, isso pode torná-la um pouco mais humanizada em relação ao seu próprio trabalho. Posso estar sonhando, eu sei, mas não custa nada, né?

Algo que sempre me chamou muito a atenção em Orange é a capacidade que aqueles que administram a série têm de aproveitar ao máximo os personagens e núcleos de forma que a cada temporada seja impossível prever certos laços. É o caso da Red e da Flores que, juntas, estão vivendo bons momentos e unindo esforços atrás de algo que é muito valioso: informação.

Outro exemplo de uma aproximação improvável e maravilhosa que aconteceu, ainda na quarta temporada, foi a Boo com a Doggett que, juntas, planejaram e executaram uma vingança contra o guarda estuprador. Está cada vez mais difícil acompanhar o dilema de Doggett que guarda algum tipo de sentimento pelo seu estuprador. É uma situação tão difícil, delicada e tocante e eu acho Orange uma série tão séria quando o assunto é desse nível. Espero realmente não me decepcionar com essa abordagem de agora em diante.

Por fim, destaco mais alguns fatos do episódio que foram bem legais:

  • Piper sendo chamada de Katy Perry loira (eu amei!)
  • Alex se referindo a ela e à Piper como Vauseman. Os shippers choram de emoção!
  • Leanne e Angie abaixando as calças de todo mundo. Gente do céu, como aguentar essas duas?
  • Jude King sendo perseguida e pega pelas detentas num movimento liderado pela Yoga Jones.