
O Grande Truque: História Real Por Trás do Filme
O filme O Grande Truque (The Prestige, 2006) é uma obra de ficção do gênero drama e suspense, ambientada na Era Vitoriana, que utiliza figuras históricas reais para construir uma trama de rivalidade fictícia. Veredito: Embora a produção insira personagens reais como Nikola Tesla e utilize o contexto histórico de Londres do final do século XIX, a disputa central entre os mágicos e os eventos sobrenaturais descritos são puramente ficcionais, baseados no romance de Christopher Priest.
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A História Real: O que realmente aconteceu?
A história real que serve de pano de fundo para O Grande Truque situa-se na transição entre os séculos XIX e XX, um período marcado pela “Guerra das Correntes” e pelo auge do ilusionismo teatral. O evento histórico chave retratado é a corrida pela eletrificação do mundo, protagonizada por Nikola Tesla e Thomas Edison.
Nikola Tesla, um inventor sérvio-americano, de fato trabalhou em experimentos com corrente alternada e alta voltagem em seu laboratório em Colorado Springs por volta de 1899. Seus estudos envolviam a transmissão de energia sem fios e a criação de bobinas gigantes, eventos que atraíam a curiosidade e o medo do público da época. No entanto, não há registros históricos de que Tesla tenha se envolvido em disputas pessoais com mágicos de palco ou que tenha desenvolvido tecnologias que desafiassem as leis da física biológica, como a duplicação de matéria.
O ambiente de Londres em 1900 era, de fato, o epicentro de grandes espetáculos de mágica, onde o segredo comercial era a moeda mais valiosa. Existiam rivalidades intensas entre ilusionistas, mas a jornada específica dos protagonistas apresentados no filme não consta nos anais da história do ilusionismo real.
O que é verdade em O Grande Truque?
A produção de Christopher Nolan é meticulosa ao retratar a atmosfera e certos elementos técnicos da época. Abaixo, os pontos de precisão histórica e documental:
- A Existência de Nikola Tesla: O personagem interpretado por David Bowie é baseado no inventor real. Sua personalidade reclusa e o conflito intelectual com Thomas Edison (mencionado no filme através de seus capangas) são baseados na realidade histórica.
- O Contexto da Mágica: A importância do “segredo” e a estrutura de um truque dividida em três partes — A Promessa, A Virada e O Prestígio — refletem a filosofia real dos ilusionistas vitorianos.
- A Guerra das Correntes: O filme acerta ao mostrar a tensão pública entre a Corrente Alternada (AC) de Tesla e a Corrente Contínua (DC) de Edison, incluindo as demonstrações públicas para provar qual era mais segura.
- Cenografia e Figurino: A representação de Londres e de Colorado Springs no início do século XX é fiel à estética da época, capturando o contraste entre a névoa industrial e a opulência dos teatros.
O que é ficção: As liberdades criativas
Como um suspense de ficção, O Grande Truque toma liberdades substanciais para sustentar seu roteiro complexo, assinado por Christopher Nolan e Jonathan Nolan.
- A Rivalidade Angier vs. Borden: Os protagonistas Robert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale) são personagens fictícios. Não existiram mágicos com esses nomes cujas vidas foram consumidas por uma vingança mútua dessa magnitude.
- A Máquina de Teletransporte: Este é o maior elemento de ficção científica do filme. A máquina construída por Nikola Tesla para Angier, que supostamente duplica seres vivos, é uma invenção literária. Na vida real, os experimentos de Tesla em Colorado Springs focavam em energia e comunicação, nunca em biologia ou clonagem.
- O Sacrifício de Borden: A existência de irmãos gêmeos vivendo uma única vida para sustentar um truque de mágica (“O Homem Transportado”) é uma invenção do autor do livro e não tem paralelo documentado na história da mágica profissional daquele período.
- Cronologia Alterada: Embora o filme se passe por volta de 2 de novembro de 2006 (data de lançamento no cinema), a cronologia interna mistura eventos que, na realidade, levaram décadas para se desenrolar no campo da ciência e da eletricidade.
Comparativo: Realidade vs. Ficção
O filme utiliza a ciência real de Nikola Tesla como um “atalho” para o fantástico. Enquanto a realidade da época era pautada por descobertas científicas que pareciam mágica para o público leigo, o filme inverte a lógica: ele usa a mágica para justificar uma ciência impossível.
A obra respeita a essência do espírito vitoriano — a obsessão pelo progresso e pelo oculto — mas sacrifica a verdade histórica em favor de uma metáfora sobre a obsessão artística. O impacto da mensagem final sobre o preço do sucesso é profundo, mas fundamentado em uma premissa de ficção científica que nunca ocorreu.
Conclusão
O Grande Truque é um triunfo do cinema de suspense, mas sua conexão com a história real é puramente contextual. Ele utiliza figuras históricas como pilares para sustentar uma trama de fantasia e ficção científica. O grau de fidelidade é baixo no que diz respeito aos eventos biográficos dos protagonistas, mas alto na recriação da atmosfera competitiva e tecnológica da virada do século.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O filme O Grande Truque é baseado em uma história real?
Não. O filme é uma adaptação do livro de ficção de Christopher Priest, embora utilize o inventor Nikola Tesla como personagem.
Nikola Tesla realmente construiu uma máquina de duplicação?
Não. Na realidade, Tesla focava em transmissão de energia sem fio; a máquina de duplicação é um elemento puramente fictício do roteiro.
Os mágicos Robert Angier e Alfred Borden existiram?
Não, ambos são personagens criados para a literatura e para o cinema, não representando ilusionistas históricos reais.
Onde o filme foi ambientado e em que época?
A trama se passa principalmente em Londres, na Inglaterra, e em Colorado Springs, nos EUA, entre o final do século XIX e o início do século XX.
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