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Precisamos falar sobre o aborto nas séries de tv

Precisamos falar sobre o aborto nas séries de tv

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O Série por Elas busca sempre abordar temas pertinentes ao universo da mulher e, sendo o aborto um fato na vida de milhares de mulheres, a coluna “Precisamos Falar Sobre” de hoje vem falar sobre como a prática é tratada nas séries. Mas primeiro, vamos aos dados.

Se você passeia pelo vale das redes sociais, vira e mexe se depara com discussões ferrenhas entre aquelas pessoas contra e a favor do aborto. Primeiro de tudo, não se é contra ou a favor do aborto, não se é contra ou a favor da vida. Para além de crenças religiosas e políticas, o que deve ser debatido e o que se busca é o direito da mulher de tomar decisões acerca do seu próprio corpo.

De acordo com as estatísticas da Pesquisa Nacional de Aborto 2016, realizado pelo Anis – Instituto de Bioética em parceria com a Universidade de Brasília e financiado pelo Ministério da Saúde, na faixa etária dos 40 anos, uma em cada cinco brasileiras fez pelo menos um aborto. Em 2015, 503 mil mulheres interromperam a gestação e os números revelam que 1,3 mil abortos são realizados por dia. E isso só no Brasil. Ampliando o raio da faixa etária, segundo dados do IBGE,  mais de 8,7 milhões de brasileiras com idade entre 18 e 49 anos já fizeram ao menos um aborto na vida, sendo que 1,1 milhão foram provocados. Além disso, números do Ministério da Saúde apontam que quatro mulheres morrem por dia vítimas de complicações de um aborto.

Então, se o aborto é ilegal no Brasil,  como é que as mulheres conseguem fazê-lo? Em clínicas clandestinas. E a segurança dessas mulheres, quem garante? Ah, isso é pago com dinheiro. Quem tem grana consegue pagar uma clínica melhorzinha. Não à toa, a maior parte das fatalidades em decorrência de complicações do procedimento são mulheres pobres e negras. É mais um grito estrondoso desse abismo social em que vivemos.

Portanto, a descriminalização do aborto é uma questão de integridade física, emocional e psicológica da mulher e é uma questão de saúde pública para a sociedade e para o Estado. A prática não deixará de ser realizada porque é proibida. Justamente por ser algo inerente à vida da mulher e a sua integridade é que deve ser objeto de tutela do Estado. Não por menos, em novembro deste ano, com uma decisão inédita, a 1ª turma do STF (Supremo Tribunal Federal, órgão de maior instância jurídica do país) firmou o entendimento de que a prática do aborto nos três primeiros meses de gestação não é crime, ou seja, a mulher que decidir interromper voluntariamente a gravidez no primeiro trimestre não deverá ser responsabilizada criminalmente por sua escolha.  O julgamento em questão tratava de um caso específico, mas uma fagulha de bom senso se acende pelo precedente jurídico que abriu, dando margem para que outros juristas assim entendam. É uma via de conquistas de direitos, trilhada ponto a ponto.

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Adentrando no âmbito das séries e, por conseguinte, tratando da conjuntura dos EUA, onde o aborto é legal desde 1973, comecemos pelo universo criado pela deusa Shonda Rhimes. A gente sabe o quanto Shondaland preza pela representatividade e por retratar seus personagens da maneira mais normalizada e real possível. São séries protagonizadas por mulheres cercadas de outras personagens mulheres e, portanto, é natural que algumas delas, em determinado momento da vida, tenham se visto diante de uma gravidez não planejada.

Particularmente, minha abordagem favorita de todas se deu na quinta temporada de Scandal. A situação era a seguinte: Olivia Pope descobre estar grávida do presidente Fitz Grant, sem comunicá-lo, como se incluísse um compromisso na agenda, ela vai até uma clínica e interrompe a gravidez. A cena é curta, simples e confesso que quando assisti pela primeira vez, demorei a entender. Olivia estava serena, aliviada e consciente de sua decisão. Não há melodrama ou um longo debate. É um procedimento médico.

Momentos antes, Olivia havia ido declarar seu apoio a Mellie Grant, que espetacularmente lutava no Senado para preservar o financiamento federal da ONG Planned Parenthood (algo como Planejamento Familiar, em português, uma organização conhecida por atuar no campo dos direitos reprodutivos). Mellie desafiou republicanos, seus partidários e democratas fazendo o que podia, chegando literalmente a descer do salto, numa alegoria que confronta crenças e postura social. Mais para o final do episódio, Fitz e Olivia entram numa briga pesadíssima e a gerenciadora de crises acusa o namorado de a estar sufocando. Em nenhum momento Olivia conta sobre o aborto. Fitz só o descobre mais adiante na temporada e se mostra o mais compreensível dos homens, ao entender a decisão da agora ex-namorada e respeitá-la.

Entretanto, nem tudo nos universos de Shonda foi tão natural e pragmático assim. Em Grey’s Anatomy, por duas vezes, Cristina Yang se viu diante de uma gravidez não planejada e nas duas vezes um ar melodramático pairou sobre sua decisão. A primeira foi quando estava com Burke e no primeiro ano de residência. Yang optou pelo aborto e decidiu não contar a Burke, mas existiu uma relutância em dar continuidade ao procedimento, mesmo a interna demonstrando não ter interesse na maternidade. Até que uma complicação da própria gestação causou um aborto espontâneo.

Na segunda vez, Yang já estava casada com Owen e ele sabia que não estava nos planos da esposa ter filhos. Entretanto, Owen não poupou esforços para tentar mudar a ideia de Cristina. O mais cruel da situação é que ela estava disposta a abrir mão de seus instintos pela vontade do marido. Só com a intervenção do Sol, Meredith Grey, e muito melodrama que Owen recobrou um pouco do bom senso e acompanhou Cristina no procedimento. Mas não tardou para que ele expusesse novamente o que de fato sentia. Num ato de covardia, durante uma briga do casal, Owen gritou para quem quisesse ouvir – e havia muitas pessoas por perto – que Cristina havia “matado” o filho deles.

Essa fala de Owen é muito significativa se pararmos para pensar que Owen é o Estado, a Igreja, a Justiça, a família, os defensores da moral e dos bons costumes apontando o dedo na cara de mulheres que optaram pelo aborto.

Outra  série da Shodaland que trouxe a questão do aborto para a trama foi Private Practice, spin-off de Grey’s Anatomy.  A protagonista, Addison Montgomery, antes mesmo de entrar na série-mãe, engravidou do amante, Mark Sloan, e por não querer ter um filho com ele, abortou. Mais tarde, se sentindo pronta para ter um filho, Addison descobre que não pode mais tê-los e entra numa onda de culpa por achar que desperdiçou uma chance. Muito que pelo bom senso, essa ideia atravessada é tirada de sua cabeça e Addison parte em busca de sua vontade.

Porém, o grande debate sobre o aborto em Private Practice se deu quando Maya, a filha de Naomi e Sam, engravidou aos 16 anos. Naomi, especialista em fertilização sempre se declarou pró-vida, tendo inclusive entrado em conflito com as colegas de profissão e amigos por conta de uma paciente da clínica que queria interromper a gravidez. E foi diante da gravidez da filha, que Naomi mudou de opinião, obrigando a garota a abortar contra a sua vontade. Foi um perfeito exemplo de como as pessoas se esvaziam dentro de suas hipocrisias quando a situação é pessoal. No final, depois de muito bate-boca e muito drama, é claro, Maya toma a decisão de manter o bebê.

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“Talvez você devesse parar de se punir”

Uma série que abordou com primor a questão do aborto foi Orange is the New Black, especialmente quando da história pregressa de Tiffany Doggett, a Pennsatucky. Vítima de um lar desestruturado, de abuso infantil e com problemas de autoestima, Dogget encontrou consolo nas drogas e no sexo, uma fuga da realidade. Sem prezar por qualquer tipo de proteção durante a relação sexual, acabou engravidando algumas vezes e em todas abortou. Foi em um desses procedimentos que a secretária da clínica a julgou pela quantidade de abortos feita. Ela se ofendeu profundamente e como se numa catarse de tantas humilhações na vida, arranjou um arma e matou a tal mulher. O mais bizarro de toda essa trama é que um grupo pró-vida se aproxima de Pennsatucky e se oferece para pagar todos os custos com processos jurídicos, por achar que ela o tinha feito por motivações religiosas, e ela aceita, inclusive se convertendo ao cristianismo.

Anos depois, já na prisão de Litchfield, Pennsatucky se aproxima de Big Boo. Em uma dado dia das mães, Doggett está no gramado construindo cruzes de palitos, cada uma em homenagem aos filhos que abortou. As duas protagonizam então um dos diálogos mais fortes de OITNB no qual Big Boo traz uma teoria do livro “Freakonomics”, segundo a qual o número de crimes nos EUA caiu durante a década de 90 em decorrência da legalização do aborto.

“Os abortos ocorridos após a legalização eram de crianças indesejadas. Crianças que, se suas mães fossem forçadas a ter, terminariam crescendo pobres, negligenciadas e maltratadas, os três ingredientes mais importantes ao se produzir um criminoso. Só que elas não nasceram. Assim, 20 anos depois, quando estariam no auge do crime, elas não existiam. E a taxa de crime caiu drasticamente”.

Diante da perplexidade de Dogget, Big Boo continua: “Quero dizer que você era uma bostinha entupida de metanfetamina e seus filhos, se tivessem nascido, também seriam bostinhas entupidas de metanfetamina. Ao abreviar essas gravidezes, você poupou a sociedade do flagelo da sua prole. Se pensar melhor, verá que é uma benção”.

Big Boo conclui dizendo que uma boa mãe faz o que é melhor para os filhos e o melhor para os filhos de Dogget foi não nascer num ambiente tão tóxico, tentando fazer com que ela se desfaça do peso da culpa religiosa e moral que carrega. Por suposto, o diálogo entre as duas personagens é um dos panoramas que corrobora com a urgência da legalização do aborto para a esfera social. Todavia, deixa claro que não basta o Estado dar o aval do exercício do direito da mulher, existe uma moral que a consome.

Mais recentemente duas comédias da CW, quem diria, abordaram o aborto da maneira que deve ser: um procedimento médico e uma escolha da mulher. Em Crazy Ex-Girlfriend, a personagem Paula estava com tudo pronto para realizar o sonho de cursar a faculdade de Direito quando descobriu a gravidez. Ela então optou pelo aborto por entender que aquele não era o momento. Já em Jane The Virgin, Xiomara engravidou de uma transa de uma noite e ela, que já havia expressado sua vontade de não ter mais filhos, optou pela interrupção da gravidez. Entretanto, como há na série uma vertente religiosa muito forte, eventualmente a culpa católica abateu-se sobre a personagem e, surpreendentemente, sua mãe Alba, compreendeu a decisão da filha.

Parênteses seja feito, não podemos esquecer de como foi o drama quando Jane descobriu estar grávida. Por mais surreal que a situação de Jane possa ter sido (ela foi acidentalmente inseminada com o esperma de um desconhecido) e por mais que seja esse o mote da série – uma virgem que concebeu um filho -, não podemos deixar de lembrar que Jane nunca considerou um aborto, nem quando desconfiaram de uma severa anomalia genética, por questões estritamente morais e religiosas.

Entende-se a polarização que o assunto gera. Infelizmente, o aborto como recurso melodramático ainda é demasiadamente utilizado. Vimos isso nas citadas  Grey’s Anatomy e Private Practice e também podemos vê-lo em The Good Wife, Parenthood e até mesmo em Sex and the City, Desperate Housewivers e Girls, estas três últimas ditas mais empoderadas e moderninhas (na medida de suas épocas, diga-se). Em Sex and the City, Miranda descobre uma gravidez não planejada e daí é só drama sobre ter ou não ter filho. Enquanto Samantha defende que o aborto é uma prática comum e admite ter feito dois, Charlotte a condena e diz que não se imagina fazendo um e Carrie, apesar de ter feito um aos 22 anos, confessa nunca mais ter sido a mesma. Miranda segue nesse dilema e depois de muitas considerações opta por continuar com a gravidez.

É uma bandeira de defesa ao direito da mulher escolher o que fazer da vida, todavia não se pode negar que a abordagem poderia ter sido mais naturalizada, sem esse sentimento de culpa. Fora que a palavra aborto parece até ser algo impronunciável, pois as personagens se valem de alusões e metáforas e mal falam “a-b-o-r-t-o” durante o episódio. Esse último ponto a gente põe na conta da época que era outra, mesmo sendo HBO. Mas ainda assim, esteve melhor do que Desperate Housewives que sempre que podia ou ignorava a questão ou fazia do direito de escolha algo negativo, ruim, digno de culpa. Culpemos o conservadorismo do criador Marc Cherry.

Girls, apesar de apresentar um diálogo mais aberto e despachado, não deixou de ter falhas. Logo no início da série, Jessa pede o apoio das amigas para acompanhá-la a uma clínica para fazer seu quarto aborto. Tenham em mente que Jessa é, a princípio, apresentada como aquela amiga tóxica e mega problemática, inconsequente, narcisista e arrogante – depois a gente descobre que todas as quatro o são – então, quando ela troca a ida à clínica por uma tarde de bebedeira e sexo, um sinal de alerta parece surgir na tela. É como se dissessem “estão vendo porque ela é a amiga com horário marcado numa clínica especializada em aborto?” ou “percebem que ela não tem noção do que fazer com a vida?”. Não bastasse isso, Hannah ainda joga na cara de Jessa o seu histórico de abortos. No final das contas, Jessa tem um sangramento e fica sem saber se foi a menstruação atrasada ou um aborto espontâneo,  o que de certa forma a livra da escolha. Mas conseguem perceber a abordagem?

A trama madura e consciente dos direitos reprodutivos da mulher, em Girls, só veio temporadas depois e com uma personagem secundária. Mimi-Rose namorava Adam e engravidou. Ela optou por aborto e o fez com muita naturalidade, sem alarde. Mais tarde contou para Adam, com a mesma naturalidade, que surtou e mostrou uma faceta agressiva, duvidando do amor da companheira. Mimi-Rose manteve a calma e explicou que não era um feto, era um conjunto de células e que não significava qualquer mudança na relação dos dois, apenas que uma criança não estava em seus planos.

A real é essa: a luta é pelo direito da mulher ter autonomia de seu próprio corpo e de seu próprio destino. Justamente a mulher bombardeada por hormônios nos anticoncepcionais, bombardeada pelos parceiros ao se negarem a transar sem proteção, bombardeada pelas instituições que deveriam resguardá-la, uma vez que, sendo bem científicos, nenhum método contraceptivo é 100% eficaz. E não entremos nem no aborto masculino, esse há muito legalizado, porque pais que não provêm por seus filhos é o que mais têm pelo mundo. Agora, ai da mãe se não o fizer.

E nem falamos das novelas e séries brasileiras. Aqui é tudo mais velado e problemático ainda. Precisamos comer muito feijão com arroz para romper com os padrões ou então, esperar que uma diva empoderada consiga romper com os tradicionalismos  e patriarcados da televisão.

Por isso fico aqui com as palavras da maga Selina Meyer: “Se homens engravidassem, você poderia fazer um aborto no Banco 24 horas.

 

Melina Galante Produtora e realizadora audiovisual em processo acadêmico. Viciada em redes sociais e numa boa polêmica. Assiste a séries desde antes de se dar conta de que era gente, mas só há alguns anos percebeu que sua extensa grade é dominada por protagonismo feminino.

Comment(3)

  1. Provavelmente quem escreveu esse texto não considera o feto como um ser vivo. Defende a “vida” da gestante com o mesmo vigor que ignora a “vida” do bebê, conjecturando assim, a ideia de que aborto não é assassinato.

    Pois bem, já que precisamos falar sobre o aborto, separei alguns trechos e os contra argumentei:

    1º “o direito da mulher de tomar decisões acerca do seu próprio corpo.”
    -Sim, toda mulher tem o direito de tomar decisões acerca do seu próprio corpo, concordo. Se ela quiser, poderá se desfazer de qualquer membro ou órgão de seu corpo. Ocorre que um feto não é, e nunca foi “parte do corpo” de uma mulher. É um ser que, embora dependa temporariamente de sua “hospedeira”, tem corpo próprio e vida própria.

    2º “como é que as mulheres conseguem fazê-lo? Em clínicas clandestinas. E a segurança dessas mulheres, quem garante?”
    -Segurança da mulher? É até cômico pensar na segurança de alguém que procurou algo inseguro, ilegal, imoral e criminoso pra fazer. Sim, porque querendo ou não, é um crime e, sua (in)segurança é uma responsabilidade que ela própria assume ao cometer esse crime.

    É como pensar que um assassino, quando atira contra alguém, não seja responsabilizado pelo risco que causou a si mesmo de um eventual revide da sua vítima.

    Não estou comparando o aborto ao assassinato, porque isso já é fato. Quer você queira, ou não, aborto é assassinato, com agravante de a vítima ser um incapaz, sem dar direito a defesa.

    O que estamos discutindo é se devemos dar esse direito à mulher que não quer ter um filho.

    3º “a descriminalização do aborto é uma questão de integridade física”
    -Questão de integridade física da mulher? E a integridade física do bebê? Qual foi o crime que cometeu para ser condenado à morte? É como descriminalizar o assalto ao banco, por entender que o assaltante pode ter sua integridade física sob risco, caso o segurança do banco reaja ao assalto.

    4º “Justamente por ser algo inerente à vida da mulher e a sua integridade é que deve ser objeto de tutela do Estado.”
    -O Estado deve tutelar uma pessoa que tem a intenção de cometer um assassinato, em detrimento à tutela de um bebê indefeso, que nesse caso é a vítima? Quem precisa de tutela é o bebê, que é um incapaz e não tem ninguém pra defendê-lo.

    Será que seria egoísmo meu, achar que eu posso matar um bebê para me livrar de um “estorno” que eu mesmo me causei?

    A mulher comete algo que ela própria considera um erro (engravidar), e resolve que a punição deve ser para o bebê, e não para ela própria?

    Uma mulher tem todo o direito de não querer ter um filho, o que não tem é o direito de matá-lo.

    Sua punição será gerar o filho e, se caso mesmo assim resolva não assumi-lo, que ao menos respeite o seu direito à vida e a ter uma outra mãe que o queira.

    Acho que qualquer pensamento a favor do aborto é uma deturpação do conceito de direito à vida, e que uma eventual persistência já passa a indicar um desvio de caráter e uma índole duvidosa, porque:

    Quem é a favor do aborto defende o direito de matar.
    Quem é contra o aborto defende o direito de viver.

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