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Nomi Marks é a empatia em pessoa

Nomi Marks é a empatia em pessoa

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A coluna Personagem do Mês apresenta quatro textos (um por semana) sobre uma personagem escolhida pela equipe do Séries Por Elas. Esses textos seguem a seguinte lógica:
1ª matéria: conta a trajetória da personagem e explica por que ela mereceu ser a personagem do mês
2ª matéria: mostra o que podemos aprender com a personagem e o que é melhor deixar pra lá
3ª matéria: buscamos inserir a personagem no contexto do blog, fazer link com empoderamento e feminismo
4ª matéria: vamos falar pouco da atriz. Curiosidades, declarações importantes e fofoquinhas saudáveis

Nossa personagem do mês é ninguém menos do que Nomi Marks, de Sense8. É claro que escrevo aqui, abatida com a notícia do cancelamento da série. E, apesar de saber bem que não há indícios de que voltem atrás nessa decisão, além do episódio final já prometido pela Netflix, compreendo completamente as “viúvas” que sofrem de antemão por não ver mais nossa hacker meio super-heroína em ação. Afinal de contas, Nomi é um mulherão daqueles!

Um dos pontos super interessante na construção da personagem, é que não nos é dito de cara que Nomi é transsexual. Sabíamos que Jamie, a atriz que a interpreta, é uma mulher trans, mas isso não significa que a personagem também seria. A primeira coisa que soubemos de Nomi foi que ela é lésbica e namora com Amanita. Depois, descobrimos que é hacker, que tem problemas em se sentir aceita dentro do movimento LGBT+. Descobrimos que tem problemas com sua família, que é uma mulher muito sensível e curiosa. Por fim, que é uma mulher transsexual.

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Essa é uma ótima sacada dos roteiristas que fazem com que tenhamos primeiro um afeto pela personagem para depois entendermos melhor sua sexualidade. O que é incrível! E isso nos diz o seguinte: há muitas outras coisas interessantes para conhecer em alguém antes de saber sobre sua sexualidade. De qualquer forma, essa relação não fica em segundo plano.

Quando abordada, a série nos traz as cenas mais emocionantes da primeira temporada. Nomi, em conversa com Lito, tenta confortá-lo para que ele consiga lidar com sua sexualidade. Para que ele encare a luta que é se assumir numa indústria cinematográfica machista e homofóbica, como a do México. É nessas cenas que Nomi diz uma de suas frases mais emblemáticas: “A violência verdadeira, a violência que eu percebi que era indesculpável, é a que fazemos contra nós mesmos“.

Nomi quer ser aceita e amada enquanto mulher, enquanto lésbica, enquanto um ser humano capaz de amar e de perdoar. E é por isso que sua sensibilidade lhe leva a alcançar altos graus de empatia. Não é à toa que Nomi está sempre tentando entender as intenções dos outros personagens, sem julgá-los por isso. Inclusive de sua família que tanto a excluiu e de sua namorada Amanita. Ver como Nomi é capaz de perdoar sua própria família e ouvir os conselhos que ela dá a outros personagens, fez com que eu enxergasse nela a personificação da empatia. Empatia que nada mais é que compreender uma pessoa ou situação a ponto de quase sentir o que ela passa.

A personagem de Nomi também fez um dos discursos mais bonitos da série quando o assunto é orgulho. Orgulho de ser quem se é e, mais especificamente, orgulho LGBT. Nesse discurso, Nomi diz que marchará não só por ela, mas por muitas outras pessoas que ainda sentem vergonha de ser quem são, como ela um dia sentiu. Ela sabe exatamente que sua existência é uma afronta a todos que odeiam as pessoas trans. Bem como um incentivo a todas as pessoas que ainda não conseguiram sentir orgulho de si mesmas. Nomi sabe que sua luta não é sozinha e isso é empatia.

Quando ela descobre que é uma sensate e começa a entender melhor como isso funciona, sua dedicação ao outro fica ainda mais evidente. É claro que a série exagera quando mostra suas habilidades hackers. Mas ao longo da trama ela passa a fazer de tudo para ajudar os outros integrantes do cluster. Ela passa a dedicar sua vida para garantir a existência de todos. Isso muito se deve ao fato de que ela foi uma das primeiras a ser quase lobotomizada. Ou seja, ela não quer que ninguém mais passe por isso.

Por essas e outras que Nomi Marks é a empatia em pessoa e foi escolhida como nossa personagem do mês do mês de julho.

Isabella Mariano Jornalista, poeta, feminista e completamente impulsiva. Gosta de beber cerveja, ouvir música, tatuagens e de cachorros. Atualmente, tenta lidar com o vício em Game of Thrones, Sense8 e Gotham da melhor forma possível. Mas é aquele ditado, vamos fazer o quê?

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