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Mr. Mercedes promete o melhor de Stephen King na tv

Mr. Mercedes promete o melhor de Stephen King na tv

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Stephen King é um mestre da literatura de horror. Mas assim como em tudo na vida, as opiniões sobre ele se dividem acirradamente. Há quem ame e há quem abomine. No entanto, o que ninguém pode negar é que sua produção é consistente, volumosa e constante. Poucos autores mantém o mesmo ritmo alucinante de escrita que King. Além disso, como sua produção é extensa, ele permanece sempre na pauta com relançamentos, novas edições e, o que nos interessa aqui, adaptações para tv e cinema.

Atualmente há três grandes produções envolvendo o autor: Mr. Mercedes, The Mist e A Torre Negra, essa última nos cinemas com Idris Elba e Matthew McConaughey. Mas apesar de muito talentoso, King está marcado por uma maldição*. As adaptações de suas obras em geral resultam em produtos mal acabados, incompletos ou simplesmente, bem ruins. A complicada forma como sua escrita funciona, interligando diversos personagens, ações, lugares e acontecimentos, é sempre um desafio árduo a qualquer diretor e roteirista.

Por isso mesmo, qualquer fã de Stephen King já começa a assistir as adaptações de suas obras com os dois pés atrás. A primeira versão de It ainda ressurge na mente dos fãs como um retumbante fracasso. Para citar uma mais recente, Under the Dome, se perdeu no meio do caminho deixando rendidos atores bons com diálogos pouco críveis. A recente The Mist decepciona, seja pelo elenco pouco empenhado na trama, seja pelas tramas paralelas que não se desenvolvem bem. Então, a maldição existe, mas nem sempre ela vence. Prova disso é O Iluminado que mantem-se como um dos maiores filmes de terror através dos anos. Justiça seja feita, com uma dobradinha de Stanley KubrickJack Nicholson, qualquer maldição perde força.

Assim, Mr. Mercedes é mais uma tentativa de levar para as telas o brilhantismo de King, sem com isso perder-se nos arriscados detalhes de sua escrita. Ao contrário dos outros que citei, Mr. Mercedes é um trabalho recente do autor. Foi lançado em 2014 no Estados Unidos e ano passado no Brasil. É o primeiro de três livros focados no investigador Bill Hodges. No livro, King faz uma devassa na mente psicótica de um assassino.

E se tem uma coisa que a audiência gosta, é de um bom serial killer. No episódio piloto, Mr. Mercedes se ocupa em nos apresentar Bill Hodges, interpretado por Brendan Gleeson. Investigador aposentado da polícia, Bill está vivendo dias nada gloriosos, sem saber o que fazer com seu tempo livre em uma casa vazia em que sua única companhia é um cágado de nome Fred, que todos os dias de manhã come um repolho.

Bill foi o investigador do assassinato da mercedes. Em uma noite fria, em uma fila lotada de pessoas que esperavam por uma entrevista de emprego, uma mercedes benz avança contra as pessoas tendo ao volante um aterrorizante palhaço. Ele mata 16 pessoas, inclusive uma mãe com um bebê com quem rapidamente criamos empatia nos minutos iniciais. A cena é violenta, impactante e muito, muito bem feita. Sem medo de gastar com sangue ou torna-lo exageradamente artificial, a produção acerta na cenografia e produz uma cena muitíssimo parecida àquela da obra original.

Um dos tormentos do investigador agora aposentado, é não ter conseguido desvendar o caso e pegar o culpado. E é neste ponto que somos apresentados ao Mr. Mercedes. Um jovem nerd introvertido, que trabalha em uma loja de eletrônicos. Brady Hartsfield, interpretado por Harry Treadaway, é filho único de uma mãe alcoólatra e totalmente desorientada na vida, com histórico de abusar psicológica e fisicamente do filho. Já um homem feito, Brady não se atreve a contrariar a mãe. A relação quase incestuosa dos dois, em muito remete à Norman Bates, mas em um nível muito pior.

Além do emprego na loja de eletrônicos, Mr. Mercedes mantém um segundo emprego, vendedor de sorvetes. Ele é o motorista de um daqueles caminhões que passam vendendo sorvetes enquanto tocam uma musiquinha irritante. A vida pacata de Brady não dá margens para que alguém desconfie que por trás da timidez do rapaz exista um obsessivo serial killer disposto a terminar seu trabalho começado na noite dos atropelamentos.

Dois episódios já foram ao ar e apesar do ritmo lento, prenunciam que a série tem tudo para ser boa. Os personagens são consistentes e seus dramas psicológicos estão delicadamente trabalhados e expostos em cena. Por enquanto, Bill Hodges e seu nêmesis estão em um pequeno jogo de gato e rato. Mr. Mercedes quer despertar a atenção de Bill para que ele volte a caçá-lo. Enquanto isso, vai aperfeiçoando seu talento com tecnologia para ela sirva aos seus propósitos assassinos.

Não espere violência gráfica em todos os episódios e o tempo todo como foi na cena do atropelamento, não é disso que Mr. Mercedes se trata. Se trata de um jogo polícia e ladrão. O clássico jogo polícia e ladrão. Onde a inteligência absolutamente primorosa do assassino é usada para dar pistas ao investigador e escapar dele ao mesmo tempo, deixando um rastro de desgraça atrás deles.

Mr. Mercedes é produzida por David E. Kelley para o canal AT&T Audience e estreou sua primeira temporada de 10 episódios no dia 09 de agosto.

*Só pra não causar confusão, a maldição é teoria da conspiração minha mesmo, tá? É que li muito Stephen King!

Mr Mercedes

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