Moana

O Séries Por Elas tem como prioridade máxima noticiar e discutir questões que envolvam o universo das séries. No entanto, vez ou outra, sentimos a necessidade de abordar questões que passem pelo cinema, música e artes de maneira geral. Para isso, criamos a coluna Tudo Por Elas. Nela, uma vez por semana, discutiremos sobre alguma questão do universo midiático e a mulher que não esteja relacionado às séries.

Quando eu era pequena, não queria ser exatamente uma princesa. Queria, no máximo, ser a Leia ou a Bela. Meu negócio mesmo era a Lois Lane. Achava incrível ver uma mulher corajosa, profissional, tão segura de si que despertava até a paixão do homem mais forte do mundo. Me identificava com aquele senso de justiça, aquela petulância sutil de nunca baixar a cabeça. Ela foi uma referência pra mim e, não à toa, me tornei jornalista. Depois dela, nenhuma personagem tinha me tocado tanto. Até semana passada, quando levei meu filho para assistir Moana.

Para os mais desavisados, Moana é a nova produção da Disney, e conta a história de uma adolescente que luta pela sobrevivência de seu povo, em uma ilha da polinésia francesa. Como qualquer jovem, Moana tem seus sonhos e vontades. O mais especial deles é ver o que existe além da arrebentação. Porém, uma antiga tradição diz que é proibido navegar em mar aberto, mesmo que você deseje com todas as suas forças, caso da nossa heroína. Aliás, esse é o primeiro destaque do filme. Moana pode até ser a representante de sua tribo, mas acima de tudo, ela é uma heroína. Dá pra entender a importância disso?

Confira o trailer:

Moana tem um objetivo claro, preciso e nobre. Ela não está procurando um grande amor, não está preocupada com casamento, não está esperando as coisas acontecerem. Ela quer se encontrar, quer salvar sua tribo. É destemida, sabe muito bem o onde deve chegar e não se intimida com as dificuldades do caminho. Ao invés de ser salva, é Moana quem salva Maui, o semideus trapalhão e egocêntrico.

Outro ponto bacana a ser ressaltado é o tratamento que a heroína recebe dos pais. Eles não fazem nenhuma distinção de gênero. Não há nenhum tipo de proibição sobre o que Moana pode (ou não) fazer por ser menina. Nem preocupação por ela ser a próxima líder da tribo. Pela primeira vez, sai do cinema com a sensação de que se o protagonista fosse masculino, a história continuaria a mesma, sem alterar uma fala.

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A história, aliás, é uma delícia. Um roteiro divertido, bem amarrado, cheio de passagens emocionantes e personagens carismáticos. Diversão garantida para qualquer idade e qualquer gênero. Meu filho de 7 anos saiu do cinema querendo repetir a dose. Eu também! Principalmente porque Moana presta um papel muito importante na luta pela igualdade de gêneros. Só quem é mãe de menino e feminista sabe a dificuldade que é educar sem esbarrar em exemplos e estereótipos enraizados por uma cultura tão patriarcal.

Portanto, segue aqui o meu apelo. Mães, levem seus filhos para ver Moana! Sejam meninos ou meninas, eles precisam conhecer uma heroína que pela primeira vez dita a regra do jogo e vive uma grande aventura, sem se preocupar com o beijo da salvação.