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Precisamos falar sobre Francesca de Master of None

Precisamos falar sobre Francesca de Master of None

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Master of None é uma das genialidades da Netflix. Tem gente que não gosta, mas eu acredito piamente que essas pessoas simplesmente ainda não entenderam toda a magia e verdade contidas ali, naquelas duas temporadas. Esse post do HuffPost Brasil te abre as portas para esse mundo chamado Master of None. Pode ir lá, ler, que eu fico aqui esperando. Leu? Agora veja as duas temporadas (é rapidinho!) e vem aqui conversar comigo.

Para você que já viu tudo e não aguenta mais esperar a terceira temporada , vamos falar sobre Francesca (Alessandra Mastronardi). A italiana amiga do protagonista Dev gentecomoagente Shah (vivido pelo brilhante Aziz Ansari). Ela aparece na segunda temporada, quando Dev vai passar um tempo na Itália. Não vem me falar de spoiler porque eu disse pra você assistir antes! Primeiro eles se tornam amigos, riem juntos, interagem com o namorado dela. Quando ele volta para casa, por coincidência, ela e o namorado vão passar uns dias nos Estados Unidos também. Como o cara está lá a trabalho, ela e Dev passam muito tempo juntos, conhecendo a cidade. Aos poucos, vamos vendo (com um certo desgosto) que essa amizade vai tomando outros rumos.

Mas por que “com um certo desgosto”? Porque Francesca é aquele tipo de pessoa que todo mundo conhece: que sempre acha que “eu estou só brincando. Não é uma ofensa!”. E aí é preciso decidir entre relevar (e evitar aquele clima desagradável com alguém que se gosta) ou desconstruir essa pessoa. O problema é que quase nunca essa pessoa está disposta a ser desconstruída, porque ela não vê problema no que fala ou em como fala. Afinal, é tudo brincadeira.

Mais de uma vez vemos a italiana chamar Dev de “curry person” ou “curry guy”, algo como “o cara do curry”, durante a segunda temporada. E toda vez ele, pacientemente, a explica que aquilo é ofensivo, não é legal. Mas ela torna a insistir, achando graça da analogia feita.

É preciso entender que generalizações não são legais em parte alguma. Japonês é tudo igual; francês é fedido; baiano é preguiçoso; carioca é marrento. Independente de onde e com quem for, é sempre necessário evitar. E é preciso, mais ainda, tirar esse tom jocoso com que se fala isso, pois uma ofensa falada como piada, não deixa de ser menos ofensiva.

Ainda que Dev não tenha tido muito sucesso ao tentar sensibilizar Francesca, a situação nos mostra como é preciso corrigir quem age assim (ainda que estrague o clima, que a situação fique sem graça). Muita gente ainda se comporta assim por falta de conhecimento, de parar para pensar. E pode (e deve!) ser você a chance de fazer desse ser piadista mala, um ser humano melhor.

Digo por experiência própria. Quando mudei para São Paulo, percebi que as pessoas que conviviam comigo tinham o péssimo hábito de usar a palavra “baiano” como se fosse um adjetivo pejorativo. Por exemplo, se alguém chamava para ir a um lugar, eles diziam: não, lá é muito baiano! Ou “você gostou dessa decoração? Ah, meio baiano pro meu gosto”.

E não entrava na minha cabeça como que as pessoas que conviviam comigo, diziam me querer bem, falavam isso de forma tão natural na minha frente. Quando eu questionei a pessoa, ela disse que não tinha relação uma coisa com a outra. Que eles usavam baiano para falar de algo brega, porque aprenderam assim e não porque queriam ofender os baianos. Aí precisei usar um pouco da aula de História do Brasil, explicar a origem da expressão e o quão ofensiva ela era. Nunca mais a pessoa usou. Foi fácil nessa. Outras não foram tão fáceis assim, mas eu sigo insistindo em não deixar passar batido.

Quando vi isso acontecer na série, parei para pensar em quantas vezes acontece no nosso dia a dia de diversas formas – falando de etnia, de origem, de localidades, de costumes. Francesca pode até rir, como muitos riem, de suas piadas ofensivas, mas cabe aos que compreendem essa ofensa (e não só aos ofendidos) acabar com esse risinho no rosto dos preconceituosos.

Master of None Francesca

Comment(1)

  1. Poxa, achei que fosse falar do clima que rolou…
    Enfim, mas tem diferença entre fazer piadas que possam ter conotação racista com um amigo, que é o caso da Francesca e do Dev, e fazer piadas desse tipo com alguém não tão próximo, né?
    E não pense que eu não convivi com piadas assim. Sou descendente de japoneses.

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