Mariana Sued. Este é o nome por trás dos figurinos maravilhosos que já estamos tendo o gostinho de ver nas telinhas nas propagandas de Deus Salve o Rei (DSR), nova novela das 19h da TV Globo e primeira produção medieval da emissora. O Séries Por Elas conversou com a figurinista sobre esse novo desafio durante a festa de lançamento da novela. Confira!

Essa é a primeira novela assinando sozinha o figurino e podemos dizer que Mariana Sued já começou com o pé direito: fazer uma novela medieval, que requer uma pesquisa rica e muita inspiração, “foi um presentão”.

É a primeira novela assinando sozinha. Fui promovida há três anos e as outras duas eu assinei como segunda titular. Eu amo fazer época, foi um presentão que logo depois virou um desafio e daqui a pouco eu falei ‘Meu Deus’! Mas depois de ver tudo isso pronto eu vejo como foi um processo muito bom, muito mais saudável do que outros que já eu já vivi, foi bom de fazer, forte, intenso, mas foi um projeto de muita parceria e muita troca“, revela.

A novela ainda nem estreou e a figurinista já soma oito meses de intenso trabalho. “Foi necessário, é claro, entender a época, apesar de sabermos que não é uma reconstrução histórica. E procurei também diversas outras fontes de inspiração para formar a identidade visual das personagens e, assim, ajudar a contar a nossa trama”, explica Mariana.

Este é um projeto desafiador, mas engana-se quem acha que isso é devido ao fato de ser o primeiro trabalho que ela assina sozinha. “Também seria para muita gente que já tem experiência. Eu me senti honrada e feliz por ser convidada e por dar conta do projeto, porque depois de ver os clipes [ durante a festa de lançamento] eu acho que dei“, conta, rindo.

Quando o assunto é inspiração, Sued afirma não ter problema nenhum em dizer que se inspirou em séries, filmes, moda, livros, museus, artesanato e alta costura. “Nós bebemos de muitas fontes. Eu amo Game of Thrones, sou fã pra caramba, amo a série, amo o figurino e toda vez que alguém fala ‘nossa, tá copiando GoT’ eu falo ‘eu sei que não estou, então isso para mim é quase um elogio’“.

A série medieval de sucesso da HBO serviu como referência e inspiração na criação dos figurinos de DSR, mas não foi a única. Ela revelou que Robin Hood (2010), dirigido por Ridley Sott, As Brumas de Avalon (2001), Senhor dos Aneis (2001) e as séries VikingsThe Hollow Crown também foram muito importantes neste processo.

É uma colcha de retalhos e, sim, tem um milhão de referências, eu não tenho nenhum problema para falar sobre as referências. São figurinos que eu olhei para eles e se eles tinham algo a acrescentar a algum personagem, eu usei, transformei, juntei com outras coisas!“, conta, explicando que trabalhar com o figurino é atuar na linha de frente da construção das identidades dos personagens.

Foi necessário, é claro, entender a época, apesar de sabermos que não é uma reconstrução histórica”, explica. Ao todo, são aproximadamente cinco mil peças e uma pesquisa com mais de 12 mil imagens para chegar ao resultado final da novela.

Para diferenciar os reinos de Artena e Montemor, a direção artística optou por marcar com cores distintas a identidade visual de cada um. Os habitantes de Artena, como Amália (Marina Ruy Barbosa) e rei Augusto (Marco Nanini) usam tons mais frios, puxando pelo azul, violeta, cinza e prata. Já os habitantes de Montemor têm uma paleta com vários tons de vermelho, marrons, verdes e dourado. “Estamos usando as cores para ajudar a criar um clima diferente para cada reino”, explica a figurinista, destacando que “a maior parte das peças está sendo produzida nos Estúdios Globo com equipes de costura e adereços, que se dedicam não só à confecção, como também ao tingimento, envelhecimento e composição de acessórios em couro e bijuteria”. 

Para a princesa Catarina (Bruna Marquezine), foi pensado um figurino com linhas mais retas, além de decotes e fendas. “Nos inspiramos em cores de pedras preciosas, como pirita, silício, ametista. Os acessórios de mão e colares também são parte muito importante do visual dela”, adianta. Já a plebeia Amália é bem clássica, com roupas compostas porcorsets, saias rodadas e aventais. “As de Amália são com cores bem intensas e com acabamentos mais rústicos. Os acessórios também são mais rudimentares”, detalha a figurinista.

Sobre ser mulher e estar na linha de frente!

Considerando a posição que ocupa, Mariana Sued é bem realista ao pensar na posição da mulher no audiovisual como um todo. Ela afirma que o figurino já é, de antemão, uma área tipicamente feminina dentro das produções e luta para ressignificar este lugar.

Para mim, o meu trabalho diário é reforçar que o figurino é um trabalho de muito estudo, muita construção, é intenso e profundo. É preciso desligar um pouco de algo que está ligada ao supérfluo, ao fútil e que acaba sendo o lugar que a mulher muitas vezes ocupa no audiovisual“, explica. E completa: “Apesar de eu estar num lugar que historicamente talvez seja mais propício para a mulher, tem todo um retrabalho de ressignificar esse lugar também, isso para mim é importante“.

E deixa os questionamentos no ar: “Eu estou num lugar em que as pessoas esperam que tenha mulher, mas por que que só tem mulher? O que se espera de um figurino?