Las Chicas del Cable

Abril se foi, mas a Netflix deixou vários presentes pra gente. AMÉM! Na última sexta-feira, 28 de Abril, o serviço de streaming liberou mais uma série do jeito que a gente gosta: com muita representatividade feminina! Apesar de ser um drama, os oito episódios são bem leves e facilitam (e valem!) uma maratona. Listei alguns motivos para te convencer que Las Chicas del Cable é uma das séries que com certeza vai ganhar lugar garantido no seu coração.

Feminismo e Sororidade

Eu sei que feminismo e sororidade andam juntos, mas o modo como isso é trabalhado na série é tão maravilhoso que você vai entender porque eu decidi separar assim.

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No início do século XX, o movimento feminista foi marcado pela luta das mulheres pelo direito ao voto. Você vai ver, ao longo da série, alguns comentários machistas com esse fato e com o termo “sufragistas” que te dão esse contexto histórico e te fazem entender a situação: as mulheres se levantando e enfrentando a sociedade machista, onde homens trabalham e mulheres devem ser aquelas recatadas vivendo exclusivamente para cuidar da casa. A luta pela liberdade e por oportunidade é, com certeza, a coisa mais marcante que você verá através das protagonistas da série.

 

E quando falo em sororidade quero guardar um espaço especial pra mostrar o quanto a série, em seu desenrolar, reforça a ideia de como o apoio entre as mulheres tem poder. Em um mundo sem igualdade de gênero, a série mostra que, ainda que não estejamos livres de uma sociedade machista, o suporte entre amigas é essencial para que possamos nos reerguer, nos inspirar e não parar de acreditar que podemos ser o que quisermos.

O texto

Eu sou redatora publicitária, então, se além de uma boa história, a série traz uma narração com um texto cuidadosamente construído, isso ganha meu coração na hora. E Las Chicas del Cable traz uma narração assim no começo e no fim de cada episódio que não só enriquecem o enredo, mas mexem com nosso psicológico. O primeiro episódio já começa com a seguinte narração:

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Em 1928, as mulheres eram vistas como acessórios para se exibir, objetos incapazes de expressar opiniões ou tomar decisões. A vida não era fácil para ninguém, mas ainda menos para as mulheres. Se você fosse mulher em 1928, a liberdade lhe parecia uma meta inatingível. Para a sociedade éramos apenas esposas e mães. Não tínhamos o direito de ter sonhos e ambições. Em busca de um futuro, muitas mulheres tiveram de viajar para longe. E outras tiveram de enfrentar as regras de uma sociedade retrógrada e machista. No final, todas nós, ricas ou pobres, queríamos o mesmo: ser livres“.

Deu pra sentir o impacto?

Personagens fortes

Outra coisa que traz consistência à série são os personagens. Carlota é uma das personagens que mais se destaca por sua força em defender seus ideais. E, mesmo que a personagem seja tímida, como Marga, você consegue identificar a profundidade e intimidade da atriz com seu papel. Isso se completou com a história e nos entregou uma série com densidade e coerência. Arrisco dizer que, talvez, sem essas atuações, a série não tivesse tanto impacto.

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A série com certeza está no meu top 5 de 2017 e tenho recomendado para todo mundo porque realmente cumpriu tudo o que prometeu no trailer.