Um suspense com toques de drama, personagens complexas, carregadas de ironia e uma vilã segura e debochada contribuem para o rápido desenvolvimento da trama de Killig Eve. Recoste no sofá e mantenha os olhos bem abertos. Nenhum minuto dos episódios será desperdiçado.

Imediatamente viciante, a primeira temporada da série conta com oito episódios e é uma produção britância para o canal BBC America. Criada por Phoebe Waller-Bridge é adaptação da série de livros Codename Villanelle, de Luke Jennings. Um suspense protagonizado por duas mulheres: Eve Polastri (Sandra Oh), uma funcionária do governo britânico aspirante a espiã, e Villanelle (Jodie Comer), uma habilidosa assassina profissional que atua em toda a Europa sem deixar rastros.

Eve é funcionária do MI5 (Military Inteligence section 5), ou The Security Service, o serviço britânico de informações de segurança interna e contra espionagem. Ela é assistente de Bill Pargrave (Daivd Haig) e os dois recebem a missão de proteger a única testemunha de um assassinato, que foi capturada na Inglaterra. Acredita-se que o caso esteja relacionado a uma série de outros assassinatos na Europa, que estão sendo investigados por Carolyn Martens (Fiona Shaw), agente do MI6 (The Secret Intelligence Service), a agência britânica de segurança, que fornece ao governo informações estrangeiras.

Villanelle é uma jovem assassina profissional. Psicopata, ótima no que faz, confiante e debochada, ela recebe ordens de Konstantin (Kim Bodnia), trabalhando na ponta de uma organização que encomenda assassinatos. A cada trabalho concluído com sucesso, ela se presenteia com roupas caras para comemorar. O uso da moda trouxe uma pitada de excentricidade para a personagem, permitindo ao espectador conhecê-la mais a fundo por meio de seus hábitos e gostos. Além disso, os figurinos de Villanelle contribuem para completar uma esperta fórmula que tornou a série sucesso imediato.

Texto inteligente, personagens carismáticos, pitadas de drama, humor ácido, figurinos incríveis e locações que percorrem várias cidades da Europa, a série consegue rapidamente conquistar não só os fãs do gênero, mas também os órfãos de Cristina Yang, já que a personagem de Sandra Oh em Killing Eve guarda muitas semelhanças com a de Grey’s Anatomy. Além dos fãs de moda, que vão se deleitar com essa psicopata inteiramente vestida de Dries Van Noten cometendo um assassinato a sangue frio em Berlim.

No desenrolar dos episódios, percebemos algumas semelhanças entre essas duas mulheres. Uma das grandes, e que surge logo no primeiro episódio, é sobre assumir sua posição e se fazer ouvir no ambiente de trabalho. Eve acredita que o assassinato foi cometido por uma mulher. Ela estuda psicologia criminal e reunia por conta própria os casos que o MI6 investigava. Ao proteger a testemunha, Eve excede sua função e a interroga, confirmando seu palpite. Seu chefe não a escuta e não permite que ela siga com o trabalho, demitindo-a.

Villanelle, de certa forma, também excede suas funções. Ela recebe ordens muito específicas sobre a execução do serviço, mas faz do jeito que acha melhor. Suas tentativas de imprimir personalidade nos crimes que comete e até de se divertir com isso são repreendidas por Konstantin, que a leva para uma reavaliação com um psiquiatra, além de ameaça-la diversas vezes.

Após a demissão, Eve é convidada por Carolyn para liderar uma célula independente de investigação do caso. Eve chama dois colegas de MI5 para o trabalho: Bill (seu ex-chefe) e Elena (Kirby Howell-Baptiste). Em comum, Bill e Konstantin tem a dificuldade de lidar com essas mulheres assumindo o controle e trabalhando com autonomia em relação a eles.

Outras questões das vidas pessoais das protagonistas são apresentadas, como o casamento de Eve e seu marido que por várias vezes a repreende por colocar o trabalho (e sua segurança) em primeiro plano. E também a trajetória de vida de Villanelle, desde a infância, passando por crimes que cometeu, amantes e reencontros com pessoas do passado.

Quando Villanelle descobre que Eve está buscando por ela, também começa a buscar por Eve. Há uma cena maravilhosa em que Eve descreve Villanelle para um retrato falado e, no lugar de mencionar suas características físicas, acaba falando com admiração sobre seu olhar, sua inteligência, sua firmeza, seu foco absoluto e de como essa mulher é extraordinária.

Essa não é uma história policial maniqueísta, mas uma história de duas mulheres que carregam o espectador para um jogo de ambiguidades. Mulheres de intenções e vidas tão diferentes, mas que tem batalhas em comum e procuram se reconhecer uma na outra no vasto oceano da complexidade humana. Inteligentes e seguras, elas percebem que apenas entendendo profundamente uma a outra conseguirão se encontrar.

A produção já está renovada para uma segunda temporada, aliás, ela foi renovada antes mesmo do episódio piloto ir ao ar. E se você ainda não assistiu vale a pena procurar por ela.

Confira o trailer:

Killing Eve