grace frankie quarta temporada

Na última sexta, dia 19 de janeiro, o mundo foi presenteado com mais uma temporada de Grace and Frankie. A série original da Netflix, que é um combo de comédia, leveza e empoderamento, está no ar desde o início de 2015, e segue firme com uma fórmula que parece nunca se esgotar.

Após devorar todos os 13 episódios da quarta temporada, uma coisa posso dizer com certeza: mais uma vez eles acertaram a medida desses três ingredientes que mencionei, a comédia histérica que nos faz ter essas raras risadas em voz alta; a leveza que nos carrega suavemente episódio após episódio sem cansar ou entristecer; o empoderamento de duas mulheres na terceira idade que simplesmente não aceitam ser limitadas pelo rótulo de “fim de vida” ao qual a maioria das pessoas recorrem rapidamente demais ao se tratar de idosos.

Novas questões foram trazidas em relação a esse momento de vida, como casas de repouso, dores no joelho, a frequência de velórios quando todos os seus amigos são idosos, relacionamento com homens mais novos, a credibilidade da família em relação à independência das duas, e até mesmo uma pessoa do passado de Frankie – com quem ela vinha estado de mal há décadas – reapareceu e adicionou todo um novo arco a ser explorado daqui pra frente. Assim como outras questões já trazidas que foram mais uma vez exploradas, como a sexualidade da mulher na terceira idade, ciúmes da amizade com outras pessoas e mais sobre o empreendimento ~vibrante~ de Grace e Frankie.

Portanto, a fórmula que Grace and Frankie vem seguindo desde o início parece não ter mudado muito, mas vem se mostrando muito acertada – e suas ramificações vêm sendo exploradas com excelência, sem de forma alguma esgotar a fonte ou se tornar cansativas.

No entanto, isso veio com o preço de que a maioria das personagens secundárias seguiram quase sem evolução alguma, coitadas. A Mallory foi a que mais senti estagnada nessa última temporada. Achei especialmente ruim vê-la assim pois é uma personagem que eu amo e na qual vejo muito potencial. Ela teve uma evolução tão acentuada nas primeiras temporadas – tendo mais filhos, se divorciando, se re-aproximando da mãe e se libertando de forma geral – que a tímida tentativa dela de tentar voltar a trabalhar, nesta temporada, chegou a ser vergonhosa. Tudo bem que ela seguiu se aprofundando na libertação do seu ex e num maior auto conhecimento, mas de uma temporada inteira eu esperava ver um ciclo se completar para uma personagem tão legal quanto a Mal.

> Leia também: Grace e Frankie: Empoderamento de dentro pra fora

O que eu percebo em relação a ela é que desde o início vem se encaminhando para um envolvimento com o Coyote, mas sinto como se os roteiristas estivessem guardando isso para a temporada final da série, e enquanto isso os dois parecem seguir meio que “na geladeira”. Coyote não teve grandes evoluções recentes também, apesar do envolvimento com a mocinha do AA, a qual quase não vimos durante a temporada. Ele parece estar mais estabilizado após a luta por ganhar novamente o respeito e confiança da família, e o incidente com sua mãe biológica.

A verdade é que, dos filhos, quem mais desenvolveu alguma história foi o Bud, com seu novo filho a caminho e namorada hipocondríaca. O que é justo, pelo menos, pois nas temporadas anteriores ele foi o que menos teve novidades, sendo normalmente mais um apoio para os outros e ótimo alívio cômico – eu, pelo menos, acho ele engraçadíssimo.

E – pra não dizer que não falei de Brianna – to adorando essa fase namorando/tendo problemas na empresa da Bri. O namoro traz uma vulnerabilidade inédita e os problemas financeiros na empresa terminam de desmontar essa fachada fria e sarcástica que ela sempre teve. Ela continua tendo a pose durona de sempre, mas se desconstruindo e se expondo um pouco mais, o que é bacana. Mas como esse processo de exposição emocional já estava rolando em temporadas anteriores, quando se envolveu com o Barry – coisinha FOFA – não podemos dizer também que grandes novidades rolaram com ela.

Por último, mas não menos importante: Robert e Sol. Esse casalzinho fofo-delicinha passou mais uma vez por altos e baixos nessa temporada, aprendendo diariamente a se relacionarem de forma livre e empoderada. Dessa vez são as aventuras de dois homens aposentados que desejam uma vida com propósito e prazer. Em meio a protestos, noites na cadeia, incursões artísticas e até uma flertada com a ideia de um relacionamento aberto, Robert e Sol mais uma vez nos deram todas as emoções, menos tédio na quarta temporada de Grace and Frankie.

No final das contas, independente de elogios e críticas, mais uma vez essa série deliciosa e revolucionária me trouxe tudo que eu esperava, e muito mais! O final da temporada foi agridoce e creio que tenhamos todos ficado com o coraçãozinho na mão – onde permanecerá até a temporada que vem. Mas série boa é aquela que nos faz sentir, não é mesmo? Um salve às nossas favoritas!