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Dinastia: um pequeno (e importante) passo para a representação negra na TV

Dinastia: um pequeno (e importante) passo para a representação negra na TV

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dinastia netflix 

Dinastia, uma produção da CW distribuída no Brasil pela Netflix para o mês de outubro, estreou no catálogo brasileiro no dia 11 de outubro e já ganhou o título de ser uma mistura de Gossip Girl, The O.C. e Revenge. De acordo com análise feita pelo portal M de Mulher, a série trata-se de uma “trama cheia de ~problemas de gente rica~, intrigas sem fim, vingança, badalação e luxúria, com direito a um quê de mistério”.

A comparação com as três séries mencionadas acima não é à toa: o roteiro é assinado por Josh Shwartz, Stephanie Savage e Sallie Patrick (opa, duas mulheres e um homem!). Josh é o criador de “The O.C” e co-criador da adaptação de Gossip Girl para a tv, juntamente com Stephanie, já Sallie, assina a produção de “Revenge” e o roteiro de 12 episódios da série.

É verdade que a fórmula da série já foi usada à exaustão em outros shows, mas essa obra tem algo diferente que já pode ser notado só com essas imagens:


Agora confira algumas fotos do elenco de Dinastia:

Não sacou? Não se preocupe, a mudança ainda é sutil.

Dinastia, como mencionei acima, é uma série sobre gente rica e séries sobre gente rica geralmente são 100% povoada por personagens brancos. Ainda não é o “melhor dos mundos”, mas lentamente nós somos apresentados a séries que quebram um pouco deste padrão.

Em Dinastia, a melhor amiga da personagem principal, Fallon, é negra, seu boy é negro (este aqui, vale ressaltar, está em situação de serviço, nem tudo é perfeito rs), seu novo sócio é negro, uma das personagens principais poderia ser considerada não-branca (entra aqui toda uma questão de colorismo e autodeclaração que não vou entrar no momento) e em seu casamento de uma das duas madrinhas é negra. Além disso, diversos personagens que passam pela série – e que não estão em situação de serviço, é bom ressaltar – são negros.

O que isso quer dizer?

Que um esforço que antes inexistia nas absoluta maioria das narrativas agora parece começar a ser feito. Dinastia, por exemplo, é inspirada numa clássica série homônima exibida nos anos 1980 que levou para as telinhas a vida de duas famílias muito ricas que brigam entre si para obter mais poder. Dá só uma olhada no elenco do show original:

Um ponto bem legal de falar sobre esse assunto também é que existe um padrão de papeis dados às pessoas negras na televisão então seria até aceitável que o motorista da família fosse negro e que ele se envolvesse amorosamente com a protagonista (considerando a hiperssexualização dos corpos negros, sejam eles de homens ou de mulheres – obviamente a situação é mais agravada quando se tratam das mulheres), mas Dinastia conseguiu ir além disso inserindo personagens negros sem a necessidade de um “evento” que explique na narrativa por que eles estão lá. Apenas estão porque estão, naturalmente, assim como os personagens brancos sempre estiveram. E isso é uma vitória.

A série não tem um roteiro impressionante, ou chama atenção por alguma super inovação televisiva, mas é boa dentro do que se propõe e vale a pena ser assistida. Ela está disponível no catálogo brasileiro da Netflix com episódios sendo liberados às quintas-feiras.

Confira o trailer:

 

 

Carolina Maria Jornalista, feminista-esquerdista-bolivariana, cegamente apaixonada por alguns personagens de seriados e sonhadora convicta. Aprendeu com as séries a importância da representatividade e nunca mais quis parar de falar sobre isso.

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