Paisagens exuberantes, castelos, povoados, dois reinos em conflito, uma princesa ambiciosa e um príncipe disposto a largar tudo pelo grande amor de sua vida. Essa é a base para a próxima novela das 19h da Rede GloboDeus Salve O Rei, de autoria de Daniel Adjafre e com direção artística de Fabrício Mamberti. Na trama, os reinos de Montemor e Artena vivem em paz há décadas, por conta de um acordo que garante a um o que o outro não possui. O reino de Montemor, governado pela rainha Crisélia (Rosa Maria Murtinho) possui grandes reservas de minério de ferro, mas lhe falta água. Por sua vez, o reino de Artena, governado pelo Rei Augusto (Marco Nanini), tem água em abundância e pelo acordo político firmado, Artena concede água a Montemor em troca de minério. No entanto, conspirações, suspeitas e reviravoltas atropelam o acordo e tudo é posto à prova.

A princesa Catarina (Bruna Marquezine), filha do rei Augusto é ambiciosa e não concorda com o modo com o qual seu pai governa Artena, especialmente quando se trata das relações com Montemor. Enquanto isso, em Montemor, Afonso (Rômulo Estrela), o príncipe herdeiro, se prepara para assumir o trono, uma vez que a rainha Crisélia, sua avó, está muito doente. Mas numa missão em busca de fontes de água ordenada pela rainha, ele é gravemente ferido e dado como morto. Afonso é resgatado por Amália (Marina Ruy Barbosa), uma aldeã do reino de Artena. Sem revelar quem é de verdade, Afonso passa a viver com a família de Amália e os dois se apaixonam profundamente. A partir daí a vida de Afonso mudará completamente pois ele deverá escolher entre o amor e sua função como novo rei de Montemor.

A novela ainda traz no elenco Táta Werneck, como Lucrécia, e Jhonny Massaro,como Rodolfo, irmão de Afonso, que viverá um boêmio. Os dois formarão um casal excêntrico e responsável pelo núcleo cômico da trama. Outros nomes são dos veteranos,c omo Tarcísio Filho e Marcos Oliveira, e outros da geração mais nova, como a Marina Moschen, que interpretará Selena, uma jovem criada para ser cozinheira mas que sonha em fazer parte do exército real.

Tecnologia para dar e vender

DSR é a primeira novela medieval da TV Globo e é também um dos maiores investimentos da emissora no segmento. Foram visitados oito países e produzidas cerca de 4 mil imagens para fazer montar um banco de imagens que estão servindo de base para para as cenas externas e para as fachadas dos castelos de Montemort e de Artena. “O grande desafio [na produção de DSR] era como a gente ia fazer uma novela medieval num país tropical com calor, com luz muito diferente do que precisávamos imprimir na tela, com roupas de frio gravando em alto verão. O desafio era como fazer isso dar certo para mostrar a grandiosidade de uma novela medieval com castelos e paisagens”, disse Bárbara Monteiro, produtora da novela, em entrevista ao Séries por Elas. Nesse processo, a computação gráfica também está sendo uma forte aliada.

Para as cenas internas, duas cidades cenográficas foram construídos em dois galpões no Projac, servindo de base para as cenas nos reinos de Montemort e de Artena, e para um bosque onde são gravadas a maioria das cenas de batalha. Além disso, uma tecnologia própria foi desenvolvida para que a fotografia da novela não sofresse interferências do verão carioca e pudesse seguir o padrão proposto, com uma luz mais difusa, característica das produções medievais.

Influências, intertextualidade e expectativas

No âmbito da narrativa e da linguagem, a novela vem com uma proposta de se alimentar da influência das séries televisivas, lançando mão de tramas e personagens bastante complexos, principalmente quando se trata de suas personagens femininas, que conforme declarações não serão enquadradas nos estereótipos das donzelas indefesas, tão comuns quando se trata de produções ambientadas no período medieval. Há também uma proposta de ritmo e desenvolvimento mais dinâmica do que as que estamos acostumados na novelas, com diálogos mais pontuais e ganchos mais elaborados.

Inevitavelmente, por ser ambientada num período medieval e trazer uma disputa entre reinos, comparações com Game of Thrones, a menina dos olhos do seriadores, estão sendo feitas. Todavia, é importante lembrar que GOT não inventou o período medieval tampouco é a primeira ou única produção que se baseia no referido período histórico. A era Medieval, seus fatos e lendas serviram de inspiração para diversos livros, filmes e séries, entre ele GOT, e agora também serviram de inspiração para DSR. Em painéis, coletivas de imprensas e entrevistas, elenco e, principalmente, a equipe técnica tem reforçado que buscaram muitas fontes além de GOT, como a série Vikings, a trilogia de O Senhor dos Anéis e a saga As Brumas de Avalon.

Ainda assim as comparações têm sido muitas, indo desde o enredo até o figurino e a caracterização dos personagens, passando por seus perfis. Os alvos maiores tem sido os personagens Amália, Afonso e Selena respectivamente comparados a Sansa Stark, Jon Snow e Arya Stark, todos personagens de GOT. Especificamente sobre Selena, a comparação se torna mais incisiva pelo fato de ser uma personagem que foi criada para os afazeres domésticos, mas que nutre um desejo de fazer parte do exército. E é aí que os equívocos se tornam mais contundentes, porque se for para comparamos DSR a GOT, Selena estaria muito mais para Lady Brienne of Tarth do que para Arya.

Provocações a parte, a novela está prometendo ser uma grande revolução no segmento e as expectativas estão altas para essa nova empreitada da Globo. Mas não podemos deixar de apontar um descontentamento prévio: há apenas uma personagem negra na trama, a rezadeira Mandingueira, interpretada por Rosa Marya Colin. Em tempos de um mundo lutando pela representatividade de gênero e raça, um baita de um deslize da Globo.

Deus Salve O Rei estreia dia 09 de janeiro, às 19h (horário de Brasília).