
Crítica | Descendentes 3 é Bom? Filme Vale a Pena?
Encerrar uma trilogia de sucesso é uma tarefa ingrata, especialmente quando se carrega o peso de uma legião de fãs e a responsabilidade de dar um ponto final digno a personagens que cresceram diante dos nossos olhos. Descendentes 3, dirigido pelo lendário Kenny Ortega, não apenas cumpre essa missão, mas eleva o patamar da franquia da Disney ao misturar fantasia, dilemas morais e uma coreografia narrativa que transborda energia. Para nós, do portal Séries Por Elas, este filme representa o amadurecimento definitivo de suas protagonistas, provando que o “felizes para sempre” é muito mais complexo do que os contos de fadas originais sugeriam.
Disponível no catálogo do Disney+, a obra encerra o ciclo iniciado em 2015, trazendo de volta o quarteto de filhos dos vilões mais icônicos do estúdio em uma aventura que testa os limites da lealdade e do perdão.
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A Premissa: Entre a Realeza e a Ilha dos Perdidos
A trama de Descendentes 3 começa com um clima de celebração e dever cumprido. Mal (Dove Cameron), Evie (Sofia Carson), Carlos (Cameron Boyce) e Jay (Booboo Stewart) retornam à Ilha dos Perdidos para recrutar um novo grupo de “VKs” (Villian Kids) para viverem em Auradon. No entanto, o que deveria ser um momento de transição pacífica se transforma em uma crise de segurança nacional.
Após uma tentativa de fuga da Ilha que quase compromete a barreira mágica, Mal se vê diante de uma decisão impossível: fechar permanentemente os portões para proteger o reino de Auradon ou manter sua promessa de libertar aqueles que foram injustamente esquecidos. O conflito ganha camadas de perigo com a ameaça de Uma (China Anne McClain), que busca vingança, e um novo vilão que surge das sombras da própria realeza. O veredito inicial? É um filme indispensável, que consegue ser visualmente lúdico enquanto lida com temas densos de segregação e justiça social.
Desenvolvimento de Enredo e Ritmo
O roteiro, assinado pela dupla Sara Parriott e Josann McGibbon, é visivelmente mais ambicioso que os anteriores. O ritmo é frenético, alternando entre números musicais de alta voltagem e momentos de introspeção profunda. A narrativa não perde tempo com exposições desnecessárias; ela confia que o público conhece aquele universo, permitindo que a história avance com agilidade.
Um dos grandes acertos desta terceira parcela é como ela lida com a ambiguidade moral. Não se trata apenas de “bem contra o mal”, mas de como o medo pode corromper até as mentes mais benevolentes. A construção da tensão é constante, culminando em um plot twist que questiona quem são os verdadeiros monstros da história. Embora o desfecho seja, por natureza, esperançoso, o caminho até ele é pavimentado por escolhas difíceis que dão peso real à aventura.
Atuações e Personagens: O Poder do Quarteto
O elenco principal demonstra uma evolução técnica impressionante. Dove Cameron entrega sua melhor performance como Mal, equilibrando a vulnerabilidade de uma futura rainha com a força herdada de suas origens sombrias. A química entre ela e Sofia Carson (a sempre brilhante Evie) continua sendo o coração emocional da franquia. Evie, inclusive, consolida-se como a bússola moral do grupo, defendendo a ideia de que o caráter é definido por escolhas, não pelo sangue.
China Anne McClain retorna como Uma e rouba a cena em cada aparição. Sua presença é magnética e sua rivalidade com Mal ganha nuances de respeito mútuo que são fundamentais para o clímax. É impossível não mencionar com carinho a atuação de Cameron Boyce como Carlos; o ator traz uma doçura e uma energia que fazem deste seu último trabalho um tributo emocionante ao seu talento. O elenco de apoio, incluindo os novos VKs e o núcleo de Auradon, serve como um excelente contraponto à jornada dos protagonistas.
A Visão “Séries Por Elas”: Protagonismo e Agência Feminina
No portal Séries Por Elas, focamos no modo como as mulheres conduzem a narrativa, e Descendentes 3 é um estudo de caso fascinante sobre liderança feminina.
- Liderança e Responsabilidade: Mal não é apenas o par romântico do Rei Ben; ela é a estrategista e a tomadora de decisões. O filme foca em seu peso emocional ao liderar um povo e nas consequências de suas ordens.
- Quebra de Rivalidades Femininas: Um dos pontos mais fortes é a evolução da relação entre Mal e Uma. O filme foge do clichê de “duas mulheres brigando por espaço” para apresentar uma aliança necessária baseada no bem comum. Elas descobrem que suas semelhanças são maiores que suas diferenças.
- Empoderamento através da Moda e Intelecto: Evie continua a ser uma personagem exemplar, usando sua paixão pelo design e sua inteligência para criar soluções, provando que a vaidade e a competência podem — e devem — coexistir.
A obra aborda a inclusão de forma orgânica. A luta para derrubar a barreira da Ilha dos Perdidos é uma metáfora poderosa para a derrubada de muros sociais e o fim da marginalização, temas extremamente relevantes para a nossa sociedade atual.
Aspectos Técnicos: A Assinatura de Ortega
A direção de Kenny Ortega é o que separa este filme de outras produções originais de TV. Ele utiliza sua vasta experiência em musicais para criar sequências que são verdadeiros espetáculos. A fotografia é vibrante, saturada de cores que distinguem o neon da Ilha e os tons pastéis de Auradon, mas que começam a se misturar conforme os mundos colidem.
O figurino é outro destaque técnico. Cada peça de roupa conta uma história sobre a origem e a evolução do personagem, misturando elementos de couro, grafite e realeza de forma única. A trilha sonora, que mistura pop, rock e hip-hop, é viciante e serve como o motor que impulsiona o desenvolvimento emocional das cenas, especialmente na faixa de abertura e no hino de encerramento.
Veredito e Nota Final
- Veredito: Um desfecho emocionante, visualmente impecável e carregado de representatividade feminina. O adeus perfeito para uma geração de heróis improváveis.
Descendentes 3 é um encerramento triunfante. Ele consegue ser divertido para as crianças, mas oferece profundidade suficiente para que adultos e críticos apreciem a jornada. Com uma mensagem forte sobre empatia, unidade e a coragem de mudar o sistema de dentro para fora, o filme se consagra como o melhor da trilogia.
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