Rebecca quase consegue um grande avanço psicológico, mas se fosse assim, não teríamos essa série, né?

No início do episódio Rebecca e Josh estão compartilhando cada segundo de suas vidas nas redes sociais. Nem preciso dizer que isso não parece saudável. Os dois continuam repetindo para si mesmos que essa relação tem de dar certo. A música “We’ll Never Have Problems Again” (nunca mais teremos problemas) é um bom retrato de como ficamos iludidos quando estamos tentando fazer uma relação dar certo.

Ela leva Josh para um Bar Mitzvah de família – Calma, eu explico. Hollywood é basicamente composta de judeus, e Rebecca Bunch não é exceção. Quando os meninos completam 13 anos, eles se tornam homens na tradição judaica, e essa cerimônia se chama Bar Mitzvah. Claro que ela é acompanhada por uma grande festa. Eu gosto que Rachel Bloom, autora e protagonista da série, valorize tanto suas raízes.

Josh se diverte muito na festa, até demais para o gosto de Rebecca. Tudo o que ela queria era fica sentada em um canto, lembrando que é miserável. Isso também é algo bem judaico – que mesmo em momentos de festa, gostam de se lembrar o quanto já sofreram. Como filha de pai judeu, e tendo crescido nesse ambiente, a música “Remeber That We Suffered” (lembre-se que sofremos) me causa muita identificação. Nós judeus nunca estamos felizes, pois sempre carregamos conosco o peso de nosso passado.

Patti LuPone faz uma participação especial como rabino do Bar Mitzvah. Eu AMO como CXG sempre traz lendas da Broadway para as telinhas! Para quem não a conhece, LuPone ganhou um Tony Award por seu papel como Evita Perón no musical homônimo, entre outras coisas.

Rebecca finalmente percebe que o problema está com ela, e de volta a West Covina, ela quase – QUASE – tem um momento de epifania em sua consulta com a terapeuta. Mas é nesse momento que Josh interrompe a sessão e pede Rebecca em casamento. SIM! Chegamos a esse ponto na série.

A história secundária foi meio fraca: Daryll está tentando mostrar que ainda manda no escritório. Ele falha miseravelmente, mas não sem o apoio de toda a equipe. Também descobrimos que Nathaniel tem recaídas com doces. Se isso acrescentou alguma coisa à série? Muito pouco.

Uma das melhores coisas desta série é que o tema central continua sendo saúde mental. Em todos os episódios eles conseguem fazer alguma referência quanto a colapsos nervosos, depressão, crise existencial, felicidade. Espero que o desfecho de CXG – seja ele quando for – também não deixe isso de lado.

Em tempo: “Shayna punim” é uma expressão que significa “rostinho bonito” em Yiddish. Yiddish é uma língua que mistura alemão e hebraico, falada pelos judeus Ashkenazim. Judeus Ashkenazim são basicamente judeus vindos da Alemanha até o leste europeu: Polônia, Russia, etc.