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Big Mouth: puberdade e sexualidade feminina sem papas na língua

Big Mouth: puberdade e sexualidade feminina sem papas na língua

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A mais nova animação da NetflixBig Mouth, estreou no final do mês de setembro e já chegou sendo bem recebida pelas críticas. Comigo foi simples, a série simplesmente conquistou seu espaço no meu coração. Mas olha, a classificação etária do desenho é 16 anos. Então, se você veio saber se pode assistir com seu sobrinho de cinco anos, bom… Pergunte aos pais ou responsáveis por ele. De qualquer forma, a série se encaixa no que chamamos de humor adulto. Bem adulto, no caso.

Criada por Nick Kroll, Andrew Goldberg, Mark Levin e Jennifer Flackett, Big Mouth mostra o dia a dia dos melhores amigos Nick e e Andrew na pré-adolescência. Juntos, precisam lidar com o monstro da puberdade, descobertas perturbadoras, suas famílias cheias de problemas e complexidades e, é claro, a vida na escola. Sim, os personagens principais têm o mesmo nome de seus criadores, mostrando que a série traz muito do que eles mesmos já vivenciaram. Inclusive, recentemente Goldberg relatou ao Business Insider quais histórias realmente aconteceram. Aquela que envolve Andrew e um pequeno problema com sua calça jeans é incrivelmente verdadeira!

Na série, Nick é mais ingênuo, mas não menos curioso. Tem uma família que o ama de um jeito esquisito e dois irmãos com os quais mantém relações saudáveis. Andrew é filho único e entrou na puberdade bem antes que o amigo. Jessi, Jay e Missy também fazem parte do núcleo central e suas histórias não ficam de fora. Jessi é o crush de Nick. Ela é durona, corajosa e divertida. Sua mãe é aparentemente feminista e está enfrentando uma crise no casamento. Jay é viciado em mágica e é aquele garoto que só fala besteira na escola. Sua família é completamente disfuncional, o que faz a gente criar certa empatia pelo menino. Missy é a nerd da turma e a paixão de Andrew. Super inteligente, a menina acaba parecendo um pouco esquisita para os colegas.

Para mim, centrais na e para a trama são os monstros hormonais Maurice e Connie e o fantasma do compositor Duke Ellington. Este último acaba atuando como um mentor para Nick enquanto ele não entra a puberdade. Mauricie não tem papas na língua, assim como Connie. Ambos influenciam as crianças a pensarem os maiores absurdos sexuais, mas também estão com elas nos momentos de raiva ou de muita tristeza. É o Maurice, por exemplo, que incentiva Andrew a se masturbar na casa de um amigo. Bem, não dá pra julgar, né?

Claro que as situações são exageradas e incluem acontecimentos sobrenaturais, mas é isso que um desenho faz. O divertido é ver não só as crianças tentando lidar com as novas sensações e sentimentos, mas também os adultos enfrentando muitas vezes conflitos semelhantes. É uma forma de indicar que a puberdade é só o começo de uma vida cheia de descobertas, dúvidas e frustrações, que não termina quando a adolescência acaba. É por isso que é muito fácil se identificar com as histórias. Não apenas porque todos passamos pela puberdade, mas também porque continuamos vivendo os efeitos dela em nossas vidas.

Também é importante destacar a forma como a sexualidade feminina é abordada na série. Acredite, é com o mesmo tom que a sexualidade masculina. Viram? Não é tão difícil. Como bem disse a irmã de Nick: “Garotas também sentem tesão“. Jessi e Missy entram na puberdade em um período semelhante, mas lidam de forma diferente com tudo o que acontece. Jessi é mais independente e gosta de sentir prazer e se conhecer. Já Missy, apesar de querer dar vazão à sua sede de prazer, vive em crise sobre até onde deve ir. Além disso, a sexualidade das mães também é retratada, mostrando suas dúvidas, crises, descobertas e relações com o próprio desejo.

 

As crianças aprendem ainda sobre consentimento, desejo e diversidade sexual, o que é uma lição muito importante, que diversos homens ainda não aprenderam. Essa também é uma maneira de mostrar que há ideias simples, básicas e primordiais sobre a sexualidade que muitos adultos não aprenderam ou preferem ignorar.

Há, é claro, no desenho uma série de referências. Os episódios contam com números musicais com paródias de músicas conhecidas, como a “Everybody Bleeds“, sobre a famigerada menstruação. O fantasmas de Prince, Freddie Mercury e Whitney Houston aparecem em determinado momento e isso já é motivo suficiente para assistir a série. Também tem um livro que todas as meninas estão lendo e Nick descobre que é porque a história as excita. Como não lembrar de 50 Tons de Cinza? Sem contar que a música de abertura é nada menos do que “Changes“, do Black Sabbath!

Ao todo, são 10 episódios com cerca de 27 minutos cada, todos disponíveis na Netflix. E se você gosta de American Dad e Family Guy, não pode perder Big Mouth, já que Andrew, co-criador do desenho, também está envolvido com a produção de roteiros desses seriados.

Confira o trailer e divirta-se:

Isabella Mariano Jornalista, poeta, feminista e completamente impulsiva. Gosta de beber cerveja, ouvir música, tatuagens e de cachorros. Atualmente, tenta lidar com o vício em Game of Thrones, Sense8 e Gotham da melhor forma possível. Mas é aquele ditado, vamos fazer o quê?

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