Home Séries An African City An African City: uma websérie sobre ser mulher, negra e poderosa!
An African City: uma websérie sobre ser mulher, negra e poderosa!

An African City: uma websérie sobre ser mulher, negra e poderosa!

0
0

An African City

“No dia 25 de julho comemora-se o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. Durante todo o mês, núcleos e coletivos articulam entre si, campanhas de cultura, identidade e empoderamento dessas mulheres.”

Cinco jovens mulheres livres vivendo suas vidas como bem entendem e aproveitando sem pudores quando o assunto é sexo, relacionamentos e trabalho. Poderia ser o enredo do famoso seriado americano Sex and The City, mas trata-se do resumo de An African City mesmo.

Se a gente vivesse em um mundo onde a questão étnico-racial já tivesse sido superada, An African City seria apenas mais uma produção focada em mulheres ricas, donas de si e que curtem umas boas compras. A história, porém, se destaca pela dificuldade que é encontrar uma narrativa focada em mulheres negras. E, principalmente, em mulheres negras e ricas. 

Toda essa conversa me faz lembrar o TEDO Perigo da História Única” (The Danger of a Single Story) da escritora Chimamanda Adichie. Nele, a autora nigeriana fala sobre o perigo de resumirmos os lugares e pessoas a apenas uma única impressão que temos delas e que como na maioria das vezes essa ideia cai por terra quando se conhece um pouco mais acerca do que está se falando.

An African City é TÃO sobre isso!

A websérie se passa em Gana e conta a história das amigas Nana Yaa, Makena, Zainab e Sabe. Sua proposta é mostrar como mulheres ricas e fãs de grifes vivem em Gana e como suas vidas estão longe da primeira imagem que vem à nossa cabeça quando pensamos em jovens mulheres africanas. Nicole Amarteifio, criadora do show, disse que quis mostrar uma parte da cultura de Gana que quase ninguém conhece e, com isso, contribuir para a visibilização do país. Localizada em um continente que costumamos associar apenas à guerra e à pobreza, a websérie presta um importante serviço de desmistificação e serve de alerta para percebemos a crueldade que é resumir um continente inteiro, com mais de 54 países plurais, a apenas um ou outro estigma. 

A narrativa mostra como uma jovem que viveu muito tempo fora do seu país de origem –  e que é considerada “ocidental demais” – está se adequando à nova realidade de volta para Gana. Com episódios de, em média, 13 minutos e suas temporada disponíveis no canal oficial da produção no Youtube, An African City tem ganhado o mundo. Os números quase 4 milhões de visualizações e mais de 50 mil inscritos no canal. 

A websérie recebeu críticas por se tratar de um recorte muito específico que mostra a vida de uma parcela muito pequena da população de Gana – que está longe de ser a realidade da maioria -, mas na minha visão, retratar mulheres ricas e moradoras de países que nós, ocidentais, sequer nos lembramos que existem é uma forma de resistência e tanto. 

Principalmente por serem mulheres negras que, em se tratando de representatividade, aqui no Brasil figuram entre os piores índices. An African City é uma websérie antes de qualquer coisa sobre resistência. Mesmo que, aparentemente, a história não pareça ter nada a ver com feminismo ou com luta social, trazer mulheres que historicamente são representadas em situação de inferioridade como donas de suas próprias vidas e corpos é brilhante.

A própria autora, inclusive, ao falar sobre o sucesso da narrativa explica que “é porque [as pessoas] gostam do fato de que são cinco mulheres jovens falando tão livremente sobre sexo. Há algo libertador nessas cinco mulheres.

A chamada “versão africana” de Sex and The City faz jus à produção original: a narrativa é semelhante, as temáticas são muito próximas e até o fato da personagem principal, Nana Yaa, ser jornalista como Carrie, conta um ponto para a comparação entre as duas histórias. Mas An African City é muito mais do que uma versão enegrecida da série americana, porque ao exaltar a cultura de Gana e mostrar protagonistas que fogem ao padrão étnico habitual ela ultrapassa o posto de produto cultural para se tornar agente transformador. É inspirados ver mulheres negras bem resolvidas, ricas e livres.

An African City é, no final das contas, sobre inspiração e liberdade.

 

 

Carolina Maria Jornalista, feminista-esquerdista-bolivariana, cegamente apaixonada por alguns personagens de seriados e sonhadora convicta. Aprendeu com as séries a importância da representatividade e nunca mais quis parar de falar sobre isso.

LEAVE YOUR COMMENT

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *