alice caymmi

O Séries Por Elas tem como prioridade máxima noticiar e discutir questões que envolvam o universo das séries. No entanto, vez ou outra, sentimos a necessidade de abordar questões que passem pelo cinema, música e artes de maneira geral. Para isso, criamos a coluna Tudo Por Elas. Nela, uma vez por semana, discutiremos sobre alguma questão do universo midiático e a mulher que não esteja relacionado às séries.

No Brasil, temos tantos exemplos de vozes femininas empoderadas no mundo da música que é de arrepiar os pelinhos dos braços (vide Elza Soares, Rita Lee, Elis Regina, Cássia Eller, Pitty, Karina Buhr, Karol Conka, MC Carol e outras). Nos últimos anos, uma dessas vozes tem sido destaque nos palcos e na mídia e ela atende pelo nome de Alice Caymmi. A rainha dos raios – apelido que carrega desde o lançamento do disco de mesmo nome em 2014 – exala empoderamento e liberdade para quem lhe vê cantar e interpretar seja ao vivo, seja pelo YouTube – onde disponibilizou alguns vídeos de seu último DVD.

Neta de Dorival, sobrinha de Nana e filha de Danilo Caymmi, Alice tem dois discos lançados e já está preparando um terceiro. Com o sobrenome, carrega também muitas expectativas, mas fato é que a cantora segue trilhando seu próprio e independente caminho, com sonoridades e atitudes completamente diferentes de seus antecessores. Quem vai ao show de Alice querendo ver Nana, Dorival ou Danilo se decepciona, é claro. Alice é Alice e ponto.

No disco Rainha dos Raios (2014), a cantora lançou composições próprias como “Meu Recado” cuja letra diz em um dos trechos “Eu não preciso de você / Tudo o que eu quero é sobreviver / A isso o que você criou”; mas também lançou regravações importantes como das músicas “Princesa”, originalmente um funk de Mc Marcinho, e “Homem”, de Caetano Veloso.

O clipe da regravação de “Homem”, lançado em maio de 2016, mostrou Alice Caymmi contracenando com as atrizes transgêneros Melissa Paixão e Viviany Beleboni. Em entrevista à Noize, a cantora afirma que o vídeo foi uma forma de exaltar as mulheres. “É pra problematizar as questões de gênero, trazer questionamentos pra quem está no processo de entender o masculino e o feminino dentro de si (independente de ser transgênero ou não) e é também uma maneira de ser feminista em um lugar muito estranho. É uma valorização do feminino de um jeito muito torto e maluco: sendo contraditória, acabo exaltando as mulheres”, disse.

No palco, nas fotos e na vida, Alice emana autoconfiança. Ela parece saber tão bem o poder que tem sobre seu próprio corpo que isso se reflete em suas incríveis fotos e numa presença de palco forte e livre. Em um bate-papo com o site Glamurama, a cantora revelou que se tivesse que se manifestar a favor de alguma causa seria pela libertação do corpo feminino. “Não só as formas, mas o sexo também, o corpo de uma maneira geral”, disse. E seu manifesto é o seu próprio corpo. Se dizem que “ser gorda não é sexy”, ela prova o contrário. Se dizem que ela é “plus size”, ela demonstra sentir-se em sua melhor forma.

Alice não precisa dizer com todas as letras em alguma entrevista numa famosa emissora de TV para que eu aprenda com ela. Sua liberdade de viver tão transparente em seu trabalho musical, sua confiança sobre seu corpo e sobre sua música, sua resistência acima de todas as críticas a sua irreverência, tudo isso me faz reconhecer em Alice uma mulher empoderada e inspiradora. Em entrevista à Multishow, ela disse que tenta deixar seu feminismo implícito em tudo o que faz como artista. “Eu tento não ser pedagógica no meu feminismo, mas mostrar na parte artística. Já está implícito no meu trabalho o empoderamento feminino. Para mim é fundamental e já está lá!“, afirmou. Já eu diria que o empoderamento de Alice está tão explícito que só não vê quem tenta lhe enxergar pelas lentes do machismo e do preconceito.